Protestos por casas deslocam-se para Marvila. Amanhã há manifestação no Porto
Os manifestantes que têm marcado presença na acampada em Lisboa pela habitação vão esta sexta-feira, 23 de outubro, pelas 18 horas, a Marvila, para participar numa vigília contra o despejo de uma jovem mãe, viúva, de uma casa municipal. Este apoio foi aprovado ontem em assembleia popular.
No Porto, o movimento pela habitação aprovou ontem, também em assembleia popular, a realização de uma manifestação sábado, a começar às 16 horas na Praça da Batalha com destino rumo à Praça D. João I. CGTP e UGT foram convidadas a juntar-se à manifestação, numa indicação que o movimento “não é nem de direita nem de esquerda”. O pedido de autorização para a manifestação já seguiu para a Câmara do Porto.
Em Lisboa, os manifestantes vão prestar solidariedade a uma jovem viúva, com dois filhos menores, com 2 e 4 anos, que vivia numa casa municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, em 2024. Foi despejada.
No Rossio, os manifestantes aprovaram também ontem à noite, por maioria, não pernoitar na rua, após cinco noites passadas na praça, a última delas ao relento. Sem incidentes, deram por terminada a concentração pelo direito à habitação pelas 00:30 desta sexta-feira.
No início da assembleia popular, a organização informou que a PSP tinha indicado que a “aconchada” podia continuar esta noite, desde que o protesto terminasse à meia-noite e meia e não fossem montadas tendas, o que foi respeitado. Verificou-se ainda assim um forte aparato policial nas imediações da praça.
O final da assembleia foi marcado pela realização de um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habitação, um gesto simbólico que será repetido no final de todas as assembleias populares.
Entre manifestações e acampadas, os protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
