Unidade Militar de Emergências de Espanha já está em Vouzela para apoiar combate às chamas

Este incêndio fez dois feridos graves. Está a ser combatido por 1.181 operacionais, apoiados por 350 meios terrestres e quatro meios aéreos, a que se juntarão mais oito.
Chamas consomem floresta em Belazeima, Tondela
Chamas consomem floresta em Belazeima, TondelaPAULO NOVAIS/LUSA

120 operacionais e 30 veículos da Unidade Militar de Emergências de Espanha ajudam em Vouzela

A equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha chegou a Portugal hoje de madrugada e está a apoiar no combate ao incêndio de Vouzela, distrito de Viseu, disse à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna (MAI).

Segundo a mesma fonte, a equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha, composta por 120 operacionais e 30 veículos, está desde as 02:30 de hoje no combate ao fogo de Vouzela.

Esta equipa espanhola chegou a Portugal no âmbito do Mecanismos Europeu de Proteção Civil ativado preventivamente na sexta-feira pelo Governo português.

Também no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, o Governo português solicitou a Espanha o envio de dois aviões Canadair, que ainda não chegaram ao país.

Portugal acionou igualmente os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos para reforçar o dispositivo de combate aos incêndios, estando já a atuar desde sexta-feira no país um avião Canadair espanhol.

Portugal pediu igualmente dois aviões Canadair a Marrocos.

Num comunicado divulgado na sexta-feira, o MAI explicava que, apesar de Portugal não ter a sua capacidade operacional esgotada, o executivo decidiu acionar o mecanismo europeu, bem como os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos, enquanto medida preventiva.

Lusa

Incêndio de Vouzela já causou dois feridos graves, mas combate “evoluiu favoravelmente” durante a noite

O incêndio de Vouzela, que já consumiu mais de 10 mil hectares, está a ser combatido por 1.181 operacionais, apoiados por 350 meios terrestres e quatro meios aéreos, a que se juntarão mais oito, indicou este sábado, 3 de julho, a Proteção Civil.

Durante a noite, o combate ao fogo “evoluiu favoravelmente”, apesar das “condições difíceis” de combate, devido principalmente ao vento, disse à Lusa o comandante regional de Emergência e Proteção Civil, José Neves.

Os trabalhos de combate às chamas permitiram eliminar 50% do perímetro de incêndio, estando agora os bombeiros a consolidar os trabalhos, na frente virada a Caramulo, afirmou, alertando, contudo que o “lado esquerdo do incêndio continua ativo em 80% do perímetro”.

Segundo José Neves, a maior preocupação concentra-se agora em “cinco quilómetros lineares” dessa zona.

Algumas povoações foram percorridas pelo fogo, mas as operações de socorro decorreram com tranquilidade, acrescentou.

Neste momento, a área ardida na sequência deste incêndio já ultrapassa os 10 mil hectares, adiantou.

Este incêndio, que começou às 03:04 de quinta-feira em Tourelhe, freguesia de Cambra, propagou-se depois aos concelhos de Oliveira de Frades e Tondela, também no distrito de Viseu, e ao de Águeda, distrito de Aveiro, e deixou na sexta-feira dois feridos graves.

"Um homem de 55 anos ficou com queimaduras graves" quando tentava combater o fogo e um outro, de "34 anos, sofreu um traumatismo craniano grave" ao cair de uma carrinha particular que transportava água para combater o incêndio", disse à Lusa o comandante Pedro Araújo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Os dois feridos tiveram de ser retirados por helicópteros do INEM para unidades hospitalares próximas.   

Na sexta-feira, a A25 esteve cortada ao trânsito entre os nós de Vouzela e de Reigoso devido às chamas.

Um avião despeja água junto ao autoestrada A25, que esteve encerrada devdo ao incêndio de Vouzela
Um avião despeja água junto ao autoestrada A25, que esteve encerrada devdo ao incêndio de VouzelaPAULO NOVAIS/LUSA

O presidente da Câmara de Vouzela disse à Lusa que o incêndio está este sábado com uma frente “muito preocupante” nesse concelho e mais “umas quantas” nos municípios vizinhos.

“No concelho de Vouzela temos uma frente que nos preocupa mais, a que nós chamamos de Cercosa, em Campia, e depois temos uma no concelho vizinho de Tondela, em São João do Monte, que tem várias frentes”, disse Carlos Oliveira.

O presidente da Câmara de Vouzela, no distrito de Viseu, falava à agência Lusa pelas 09:30, lembrando que o incêndio está com “umas quantas frentes ativas" nos restantes concelhos a que já chegou.

Este incêndio continua a ser o que mais preocupa as autoridades, depois de durante a madrugada ter sido dominado o fogo em Setúbal, o qual teve origem numa viatura e alastrou a uma zona de mato, e controlado o de Barcelos.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou hoje de 12 para 13 o número de distritos de Portugal continental que estão sob aviso vermelho devido ao calor, situação que se mantém até domingo na maioria destes territórios.

Segundo o IPMA, o aviso vermelho, o mais grave numa escala de três, está hoje ativo nos distritos Portalegre, Évora, Beja, Santarém, Lisboa, Viana do Castelo, Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Leiria, Setúbal e Castelo Branco.

Na maioria dos casos, este nível permanece ativo até às 23:00 de domingo, mas em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria termina hoje às 23:00, passando então a laranja, o segundo nível mais grave.

O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.

O Governo declarou na quinta-feira situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, tendo emitido despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.

Na sexta-feira, o primero-ministro anunciou que Portugal iria ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos devido aos incêndios, garantindo que a capacidade nacional não está esgotada.

DN/Lusa

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