A equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha chegou a Portugal hoje de madrugada e está a apoiar no combate ao incêndio de Vouzela, distrito de Viseu, disse à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna (MAI).Segundo a mesma fonte, a equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha, composta por 120 operacionais e 30 veículos, está desde as 02:30 de hoje no combate ao fogo de Vouzela.Esta equipa espanhola chegou a Portugal no âmbito do Mecanismos Europeu de Proteção Civil ativado preventivamente na sexta-feira pelo Governo português.Também no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, o Governo português solicitou a Espanha o envio de dois aviões Canadair, que ainda não chegaram ao país.Portugal acionou igualmente os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos para reforçar o dispositivo de combate aos incêndios, estando já a atuar desde sexta-feira no país um avião Canadair espanhol.Portugal pediu igualmente dois aviões Canadair a Marrocos.Num comunicado divulgado na sexta-feira, o MAI explicava que, apesar de Portugal não ter a sua capacidade operacional esgotada, o executivo decidiu acionar o mecanismo europeu, bem como os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos, enquanto medida preventiva.Lusa.Incêndio de Vouzela já causou dois feridos graves, mas combate “evoluiu favoravelmente” durante a noiteO incêndio de Vouzela, que já consumiu mais de 10 mil hectares, está a ser combatido por 1.181 operacionais, apoiados por 350 meios terrestres e quatro meios aéreos, a que se juntarão mais oito, indicou este sábado, 3 de julho, a Proteção Civil.Durante a noite, o combate ao fogo “evoluiu favoravelmente”, apesar das “condições difíceis” de combate, devido principalmente ao vento, disse à Lusa o comandante regional de Emergência e Proteção Civil, José Neves.Os trabalhos de combate às chamas permitiram eliminar 50% do perímetro de incêndio, estando agora os bombeiros a consolidar os trabalhos, na frente virada a Caramulo, afirmou, alertando, contudo que o “lado esquerdo do incêndio continua ativo em 80% do perímetro”.Segundo José Neves, a maior preocupação concentra-se agora em “cinco quilómetros lineares” dessa zona.Algumas povoações foram percorridas pelo fogo, mas as operações de socorro decorreram com tranquilidade, acrescentou.Neste momento, a área ardida na sequência deste incêndio já ultrapassa os 10 mil hectares, adiantou.Este incêndio, que começou às 03:04 de quinta-feira em Tourelhe, freguesia de Cambra, propagou-se depois aos concelhos de Oliveira de Frades e Tondela, também no distrito de Viseu, e ao de Águeda, distrito de Aveiro, e deixou na sexta-feira dois feridos graves."Um homem de 55 anos ficou com queimaduras graves" quando tentava combater o fogo e um outro, de "34 anos, sofreu um traumatismo craniano grave" ao cair de uma carrinha particular que transportava água para combater o incêndio", disse à Lusa o comandante Pedro Araújo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).Os dois feridos tiveram de ser retirados por helicópteros do INEM para unidades hospitalares próximas. Na sexta-feira, a A25 esteve cortada ao trânsito entre os nós de Vouzela e de Reigoso devido às chamas.. O presidente da Câmara de Vouzela disse à Lusa que o incêndio está este sábado com uma frente “muito preocupante” nesse concelho e mais “umas quantas” nos municípios vizinhos.“No concelho de Vouzela temos uma frente que nos preocupa mais, a que nós chamamos de Cercosa, em Campia, e depois temos uma no concelho vizinho de Tondela, em São João do Monte, que tem várias frentes”, disse Carlos Oliveira.O presidente da Câmara de Vouzela, no distrito de Viseu, falava à agência Lusa pelas 09:30, lembrando que o incêndio está com “umas quantas frentes ativas" nos restantes concelhos a que já chegou.Este incêndio continua a ser o que mais preocupa as autoridades, depois de durante a madrugada ter sido dominado o fogo em Setúbal, o qual teve origem numa viatura e alastrou a uma zona de mato, e controlado o de Barcelos.O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou hoje de 12 para 13 o número de distritos de Portugal continental que estão sob aviso vermelho devido ao calor, situação que se mantém até domingo na maioria destes territórios.Segundo o IPMA, o aviso vermelho, o mais grave numa escala de três, está hoje ativo nos distritos Portalegre, Évora, Beja, Santarém, Lisboa, Viana do Castelo, Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Leiria, Setúbal e Castelo Branco.Na maioria dos casos, este nível permanece ativo até às 23:00 de domingo, mas em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria termina hoje às 23:00, passando então a laranja, o segundo nível mais grave.O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.O Governo declarou na quinta-feira situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, tendo emitido despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.Na sexta-feira, o primero-ministro anunciou que Portugal iria ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e os acordos bilaterais com Espanha e Marrocos devido aos incêndios, garantindo que a capacidade nacional não está esgotada.DN/Lusa.Incêndios fizeram nove feridos. A25 esteve cortada. DGS elevou nível de risco para a saúde