O rosto da política anti-imigração de Trump, o comandante Gregory Bovino, está em Portugal. O patrulheiro, que ficou conhecido por chefiar operações violentas contra imigrantes nos Estados Unidos, será um dos oradores da Cimeira da Remigração (deportação em massa de imigrantes), no Porto.Bovino era o “orador surpresa” do evento, promovido pelo grupo Reconquista e marcado para este sábado, 30 de maio. “Anúncio de convidado especial! Junta-se a nós no palco do RESUM26 nada menos do que o antigo chefe de patrulha da Patrulha de Fronteira dos EUA, Gregory Bovino, para falar sobre a sua experiência”, lê-se numa publicação dos organizadores. A mensagem é acompanhada por uma fotografia com Bovino.Na imagem, surgem também o líder da Reconquista, Afonso Gonçalves, o ativista austríaco Martin Sellner e o italiano Andrea Ballarati, organizador da primeira cimeira da remigração, em Milão. “A remigração é inevitável”, escreveu Afonso Gonçalves, acompanhando a publicação com a mesma fotografia..Gregory Bovino, afastado por Trump do cargo de comandante de operações federais de fiscalização migratória, desembarcou inicialmente em Londres. Vídeos publicados nas redes sociais mostram que apoiantes o aguardavam à saída do aeroporto.“Acabei de chegar a Newark e o carinho de vocês é incrível. As pessoas param-me constantemente, apertam-me a mão e agradecem-me pelo trabalho — é isso que me motiva”, escreveu na rede social X (antigo Twitter). “Existe definitivamente uma maioria silenciosa por aí. Jamais cederemos a uma minoria barulhenta que destrói cidades, porque a maioria de nós pensa como nós”, acrescentou.Tudo indica que, depois de passar por Londres, chegou ao Porto para participar no evento. “A migração em massa não é apenas uma crise europeia — está a atingir todas as nações desenvolvidas da mesma forma: habitação sobrecarregada, sistemas de assistência social saturados, aumento da criminalidade e comunidades a perder a sua identidade. Das ruas de Paris às cidades americanas por todo o país, de Estocolmo a Sydney, os problemas são idênticos. É por isso que estou hoje no Remigration Summit, no Porto. O diagnóstico é o mesmo em toda a parte, por isso a solução também tem de ser a mesma: remigração. Está na hora de proteger as nossas sociedades”, escreveu.Figuras da extrema-direita de várias partes do mundo estão confirmadas nesta cimeira, no Porto. Dos Estados Unidos virá também Stefano Forte, presidente do Clube dos Jovens Republicanos de Nova Iorque e igualmente defensor da remigração.A demissão de GregoryNo dia 26 de janeiro, Donald Trump decidiu transferir Gregory Bovino, na sequência de uma onda de protestos provocada pela morte do enfermeiro Alex Pretti, vítima do ICE em Minneapolis.A morte gerou manifestações contínuas. Alex, de 37 anos, foi abatido a tiro por agentes federais do ICE e tornou-se símbolo da luta contra as políticas repressivas dirigidas à imigração ilegal da administração Trump, desencadeando fortes reações de contestação.Bovino, que liderou operações após os protestos em Los Angeles e foi posteriormente deslocado para cidades como Chicago, Charlotte, Nova Orleães e Minneapolis, tornou-se alvo de processos judiciais e manifestações. Sob o seu comando, ocorreram repressões violentas, algumas delas com vítimas mortais. A intensidade foi tal que até vozes republicanas criticaram as operações.Enquanto esteve no cargo, e mesmo após deixar o comando, Gregory Bovino tornou-se uma espécie de “pop star” da extrema-direita. Tem recorrido às redes sociais para difundir o discurso anti-imigração.amanda.lima@dn.pt.Porto. Defensores internacionais da deportação em massa reunidos este sábado.Governo Trump afasta Gregory Bovino de Minneapolis e entrega controlo da imigração a "czar da fronteira"