Defensores da deportação em massa de imigrantes (remigração) vão estar amanhã reunidos no Porto para “impedir a substituição dos nossos povos e proteger os nossos”, de acordo com a descrição do evento. A organização é do grupo Reconquista, um dos principais defensores desta política de remigração, já proposta pelo Chega no Parlamento. O grupo é investigado pela Polícia Judiciária (PJ) por crimes de ódio.A organização desta edição em Portugal está a cargo de Afonso Gonçalves, conhecido por ser líder da Reconquista e apoiante do Chega, tendo apelado ao voto no partido e em André Ventura nas eleições mais recentes. O ativista, já detido várias vezes por ações de carácter xenófobo, foi um dos oradores na cimeira realizada em maio do ano passado na cidade italiana de Milão. “Se combinarmos remigração com coragem, com boa estética, com uma boa visão, com coisas às quais as pessoas queiram associar-se, com coisas que tenham significado, nós venceremos”, afirmou na ocasião. A realização em Portugal da segunda edição, com a presença de representantes deste movimento, sinaliza a ligação dos extremistas portugueses com a cena internacional.Os ativistas consideram que fomentar a polarização já produziu o efeito desejado. “Nos últimos anos, contra todas as probabilidades, o movimento de direita trouxe a remigração para o debate público como solução para a maior crise enfrentada pelo mundo ocidental. O primeiro passo - a polarização, a visibilidade e a afirmação da remigração como projeto político - foi claramente conquistado por nós”, destacou Maximilian Märkl num dos vídeos de divulgação da cimeira. Märkl é líder da Identitäre Bewegung (Movimento Identitário, em tradução livre), organização que está sob vigilância do Serviço Federal para a Proteção da Constituição da Alemanha.Ativistas detidos Ao pretender embarcar para Portugal ontem à tarde, Maximilian Märkl foi detido e impedido de deixar a Alemanha. “Mesmo antes da Cimeira da Remigração, eles estão em pânico. Já perderam todos os debates e a guerra cultural. Todos os europeus conseguem ver, com os próprios olhos, as consequências devastadoras da substituição populacional. Por isso, estão a jogar a sua última cartada: repressão pura e simples”, escreveu nas redes sociais. Até o fecho deste texto, Dries Van Langenhove também estava com dificuldades em embarcar, porque foi condenado pela segunda vez por crime de ódio. O evento na Invicta conta ainda com a presença confirmada de outras figuras extremistas, como Dries Van Langenhove, Martin Sellner e Eva Vlaardingerbroek. Martin Sellner, o ativista austríaco responsável pela popularização do termo “remigração” na Europa, foi, em 2023, um dos organizadores do que ficou conhecido como a “Reunião de Potsdam”, onde apresentou o plano de remigração.Tem ligações passadas a grupos neonazis durante a juventude - algo que admitiu publicamente - e foi orientado por Gottfried Küssel, negacionista do Holocausto. Teve a entrada negada em países como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Suíça, de onde foi expulso em 2024.Já Dries Van Langenhove, belga de 32 anos, fundou o grupo Escudo & Amigos, cuja principal bandeira é a oposição à imigração. Um tribunal belga confirmou uma pena suspensa e uma multa por violação das leis contra o racismo e o negacionismo do Holocausto.Também marcarão presença Carlos Quero, deputado espanhol do VOX, e Milan Mazurek, eurodeputado eslovaco desde 2024. Antes disso, foi o primeiro parlamentar eslovaco a perder o mandato na sequência de uma condenação criminal, relacionada com discurso de ódio e racismo.Local do eventoOs congressos da reconquista, em geral, têm o local divulgado apenas aos inscritos e horas antes do início. O objetivo é evitar o cancelamento dos espaços à última hora, por causa da ideologia do grupo. Isso ocorreu, por exemplo, no congresso do outono passado, também no Porto.O primeiro sítio marcado cancelou a participação após notícias sobre a ideologia da Reconquista. Rapidamente outra sala foi encontrada e o evento realizou-se com a presença de aproximadamente 400 pessoas. Na ocasião, um dos oradores foi o deputado e vice-presidente do Chega, Pedro Frazão. Outras figuras do partido, como o assessor parlamentar Francisco Araújo e simpatizantes do partido marcaram presença. amanda.lima@dn.pt.O mosaico da extrema-direita radical em Portugal: 14 grupos no radar das autoridades.Porto sediará evento supremacista branco com figuras da extrema-direita