Segunda morte de um civil por agentes federais em menos de um mês agrava tensão no Minnesota
CRAIG LASSIG/EPA

Segunda morte de um civil por agentes federais em menos de um mês agrava tensão no Minnesota

Uma multidão reuniu-se em protesto contra os agentes federais anti-imigração após o tiroteio fatal deste sábado, duas semanas depois de um agente do ICE ter matado a cidadã Renee Nicole Good
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Tiroteio fatal em Minneapolis: o que aconteceu neste sábado

Neste sábado, um homem de 37 anos foi morto a tiro por um agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (Border Patrol) em Minneapolis, no estado do Minnesota, no âmbito de uma operação federal de imigração que tem agravado tensões na cidade.

A vítima foi identificada como Alex Jeffrey Pretti, enfermeiro de cuidados intensivos num hospital da Administração de Veteranos, e é a segunda pessoa a morrer por disparos de agentes federais no estado nas últimas semanas após outro tiroteio controverso em inícios de janeiro.

As autoridades federais, através do Departamento de Segurança Interna (DHS), afirmaram que Pretti aproximou-se dos agentes armado com uma pistola e “resistiu violentamente” quando tentaram desarmá-lo, justificando assim o uso dos disparos em defesa própria.

 Por outro lado, o governador do Minnesota, Tim Walz, e responsáveis locais contestam essa versão. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Pretti no chão e sem arma visível. Walz classificou as declarações do DHS como contraditórias e enganadoras e exigiu à Casa Branca a retirada dos agentes federais presentes no Minnesota.

Trump e as principais figuras da sua administração responderam manifestando total apoio à atuação do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e acusando o governador do estado, bem como o mayor de Minneapolis, de "incitamento à insurreição".

Esta morte, a segunda provocada por agentes federais em Minnesota em menos de um mês - depois de Renee Nicole Good, há duas semanas - desencadeou novos protestos imediatos na cidade, com manifestantes a confrontarem agentes federais e a exigirem a retirada do ICE . Segundo a CNN, a polícia e as forças federais usaram gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento para dispersar a multidão.

Veja imagens dos incidentes deste sábado em Minneapolis

Principais figuras da administração Trump apoiam ação do ICE

Os principais responsáveis da administração de Donald Trump vieram publicamente defender a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no Minnesota, após a ação que resultou na morte de um homem neste sábado, a segunda vítima mortal da atuação dos agentes federais naquele estado no espaço de um mês.

O Vice-Presidente dos EUA, J.D. Vance, que se deslocou a Minneapolis esta semana para tentar "acalmar" a situação, defendeu na rede social X: “O que os agentes do ICE queriam mais do que tudo era trabalhar com a polícia local para que as situações no terreno não saíssem do controlo”.

Segundo Vance, as autoridades locais do Minnesota “têm ignorado pedidos dos agentes do ICE para cooperar”.

Também numa mensagem no X, Pete Hegseth, secretário de Defesa e natural do Minnesota, expressou solidariedade com os agentes federais envolvidos nas operações. “Graças a Deus pelos patriotas dp @ICEgov - apoiámo-los a 100%. Vergonha dos líderes de Minnesota e dos lunáticos nas ruas", escreveu Hegseth.

Governador Tim Walz  diz que estado do Minnesota vai investigar o tiroteio fatal. "Não se pode acreditar no governo federal"

Em conferência de imprensa, o governador democrata Tim Walz condenou a "ocupação federal de Minnesota".

Segundo a Sky News, Waltz classifica a operação do ICE (agência anti-imigração) como uma "campanha de brutalidade organizada" e afirma que os vídeos do tiroteio fatal deste sábado são "repugnantes".

O governador pede aos habitantes de Minnesota que dêem prioridade à "calma, paz e normalidade de volta às nossas vidas". "Eles querem o caos. Não podemos e não vamos dar-lhes o que querem, respondendo à violência com violência", referiu.

Ainda segundo a Sky News, Waltz afirma ter informado a Casa Branca de que o estado investigaria o tiroteio e que "não se pode confiar no governo federal para liderar a investigação".

Homem morto a tiro era enfermeiro de cuidados intensivos

O homem de 37 anos morto a tiros em Minneapolis pelos agentes federais anti-imigração foi identificado como sendo Alex Pretti, um cidadão norte-americano, enfermeiro dos cuidados intensivos, segundo informação prestada pelos pais, escreve a AP.

Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos, foi morto por agentes do ICE
Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos, foi morto por agentes do ICEReprodução
Segunda morte de um civil por agentes federais em menos de um mês agrava tensão no Minnesota
Quem era Alex Pretti, o enfermeiro morto por agentes federais em Minneapolis

Agentes federais sob "ataques constantes" em Minneapolis, diz comandante da Border Patrol

O comandante da Border Patrol (Patrulha da Fronteira), Greg Bovino, afirmou em conferência de imprensa que as forças de segurança federais têm enfrentado “ataques constantes” em Minneapolis nas últimas semanas.

Segundo o comandante, os agentes do ICE realizavam "uma operação direcionada a um imigrante em situação irregular, com antecedentes criminais que incluem agressão doméstica, conduta desordeira e condução sem carta de condução válida" quando foram confrontados com uma "ameaça".

De acordo com Bovino, o homem morto a tiro pretendia causar “o máximo de dano e massacrar as forças da lei”. O agente que disparou, acrescentou, é “altamente treinado” e trabalha na Border Patrol há oito anos.

Trump culpa governador e mayor locais por não protegerem agentes do ICE e "incitarem à insurreição"

Donald Trump já reagiu ao episódio que resultou na morte de um homem após um disparo de um agente anti-imigração, em Minneapolis.

O presidente dos Estados Unidos voltou a criticar o governador do Minnesota, Tim Walz, e o mayot de Minneapolis, Jacob Frey, acusando-os de “incitar à insurreição” com a sua retórica enquanto a cidade enfrenta protestos e confrontos relacionados com as operações federais anti-imigração.

Numa publicação na sua rede social Truth Social, que inclui uma foto de uma arma de fogo que alegadamente pertencia ao homem baleado, Trump afirma: 

"Esta é a arma do atirador, carregada (com dois carregadores extras cheios!) e pronta para uso – O que está a acontecer? Onde está a polícia local? Por que não permitiram que protegessem os agentes do ICE? O mayor e o governador dispensaram-nos? Diz-se que muitos desses policiais foram impedidos de fazer o seu trabalho, e que o ICE teve que se proteger sozinho – Uma tarefa nada fácil!" 

Centenas protestam nas ruas. Chefe da polícia local pede: "Por favor, não destruam a nossa cidade"

A polícia usou gás lacrimogéneo contra a multidão de manifestantes que se reuniu em protesto contra os agentes anti-imigração, após o tiroteio fatal que vitimou um homem de 37 anos.

O chefe da polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, pediu às pessoas para abandonarem a zona e disse que a situação "não é sustentável". "Por favor, não destruam a nossa cidade", disse em conferência de imprensa.

"Tiros defensivos contra homem armado", justifica porta-voz do Departamento de Segurança Interna

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna da administração Trump, Tricia McLaughlin, afirmou em comunicado que os agentes federais do serviço anti-imigração ICE que dispararam fatalmente sobre um homem no Minnesota, este sábado, estavam a realizar uma operação integrada na repressão à imigração promovida pelo governo Trump.

Segundo a Associated Press, McLaughlin afirma que os agentes dispararam "tiros defensivos" depois de um homem armado com uma pistola se ter aproximado deles e "resistido violentamente" quando os polícias tentaram desarmá-lo.

Homem morto era "cidadão norte-americano" e tinha 37 anos

O homem morto hoje por agentes federais em Minneapolis, nos Estados Unidos, era um "homem branco de 37 anos", residente na cidade e aparentemente "um cidadão norte-americano", anunciou o chefe da polícia local.

Numa conferência de imprensa, Brian O'Hara indicou que a polícia recebeu "um relato de tiroteio" às 9:03 locais (mais seis horas em Lisboa) na zona sul da cidade, envolvendo agentes da polícia anti-imigração (ICE, na sigla em inglês).

A polícia não recebeu qualquer informação das autoridades federais, mas o responsável remeteu para um vídeo que está a circular nas redes sociais - que mostra vários homens com a cara tapada e com a inscrição "Police" na roupa a derrubar um homem, antes de disparar várias vezes -, acrescentando: "O vídeo fala por si".

O vídeo em causa é este:

O'Hara disse que, ao que se sabe até agora, o único contacto anterior da vítima com a polícia havia sido motivado por multas de trânsito.

“Acreditamos que é um proprietário de arma legal, com porte de arma”, acrescentou.

Detenções de crianças aumentaram as ondas de choque 

O episódio fatal deste sábado surge num clima de protesto contra a atuação dos agentes do ICE no Minnesota. Esta semana foram notícia várias detenções de crianças s, incluindo um menino de cinco anos e uma menina de apenas dois anos, segundo relatos de testemunhas publicados nos media.

Na quinta-feira, uma criança de dois anos e o pai - equatoriano com pedido de asilo pendente, sem qualquer ordem final de deportação - foram abordados por agentes do ICE ao regressarem do supermercado, já dentro da propriedade onde residiam, acabando detidos e transferidos ilegalmente para um centro no Texas (de onde já regressaram, entretanto, por ordem judicial) .

De acordo com responsáveis escolares, pelo menos quatro menores foram detidos esta semana: dois jovens de 17 anos, uma criança de 10 anos e o menino de cinco anos. A superintendente do distrito escolar denunciou uma “presença constante” de agentes armados e mascarados junto a escolas e bairros residenciais.

Veja as imagens dos protestos em Minneapolis

Democratas do Minnesota acusam agência anti-imigração de estar "completamente fora de controlo"

A senadora do Minnesota Tina Smith reagiu ao tiroteio de um homem durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e apelou à retirada imediata da agência, defendendo que a polícia local isole a área e faça o seu trabalho, reporta a AP.

Segundo a agência, também a congressista Angie Craig denunciou o episódio como “repugnante” e afirmou ter visto “com os meus próprios olhos” o vídeo de “mais um assassinato horrível” cometido por agentes do ICE.

Craig acusou a agência de estar “completamente fora de controlo” e questionou quantas mais provas são necessárias para que os colegas republicanos do Minnesota se manifestem.

Multidão em protesto nas ruas contra agentes do ICE

Segundo relata a Associated Press, uma multidão reuniu-se em protesto contra os agentes federais do ICE após o tiroteio fatal deste sábado.

O local onde ocorreu o tiroteio foi isolado por agentes de patrulha da fronteira.

Este novo incidente fatal ocorre um dia depois de milhares de manifestantes terem saído às ruas da cidade de Minneapolis, exigindo a retirada das forças de segurança federais.

"Retirem os milhares de agentes violentos e sem formação do Minnesota. Agora", exige governador do Minnesota

O governador do Minnesota, Tim Walz, denunciou este sábado “mais um tiroteio horrível por agentes federais”, apelando ao Presidente Donald Trump para acabar com a operação anti-imigração e retirar “milhares de agentes violentos” daquele estado norte-americano.

“Acabei de falar com a Casa Branca após mais um tiroteio horrível por agentes federais esta manhã. O Minnesota está farto. Isto é repugnante”, escreveu o governador democrata na rede social X.

O Presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, “tem de acabar com esta operação”, defendeu, apelando: “Retirem os milhares de agentes violentos e sem formação do Minnesota. Agora”.

Agentes anti-imigração matam um homem em Minneapolis

Agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) dispararam este sábado contra um homem na cidade de Minneapolis, provocando a sua morte, confirmou o chefe da polícia local, Brian O’Hara.

Momentos antes, o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, tinha denunciado “mais um tiroteio horrível por agentes federais”, pedindo ao Presidente Donald Trump para acabar com a operação anti-imigração e retirar “milhares de agentes violentos” daquele estado norte-americano.

Segundo o relatório hospitalar, a que a agência Associated Press (AP) teve acesso, a vítima mortal tinha 51 anos (idade posteriormente corrigida para 37, pela polícia local).

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse à AP, através de mensagens de texto, que a pessoa em questão tinha uma arma de fogo com dois carregadores e que a situação estava "em evolução".

Um vídeo não confirmado que circula nas redes sociais mostra vários agentes com coletes estampados com o acrónimo "Police" a lutar para derrubar uma pessoa antes de disparar contra ela várias vezes.

Esta morte ocorre duas semanas depois de um agente do ICE ter matado a cidadã norte-americana Renee Nicole Good, que se encontrava no interior de uma viatura.

A administração Trump lançou a operação anti-imigração 'Metro Surge' em dezembro passado, no Minnesota, que o republicano Donald Trump justificou sob a alegação de um aumento da criminalidade naquele estado, liderado pelo democrata Tim Walz.

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