Alex Pretti tinha 37 anos. A mesma idade de Renee Nicole Good. Apenas 17 dias separam as mortes destas duas vítimas de agentes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis, uma das mais importantes do estado do Minnesota, no norte do centroeste americano. Alex Pretti foi morto no sábado, dia 24, durante um protesto que pedia a retirada do ICE da cidade, mas também clamava por justiça por Renee. Ela, por sua vez, foi morta no passado dia 7. São duas mortes às mãos do ICE que marcam pontos-chave no que tem sido o desenrolar da operação Metro Surge no Minnesota, que dá origem ao tenso cenário de confrontos naquele estado.Tudo começou em dezembro, quando cerca de dois mil agentes federais do Departamento de Segurança Interna (DHS), incluindo elementos do ICE, foram destacados para as cidades de Minneapolis e Saint Paul com o objetivo de desmontar um alegado esquema de fraude fiscal contra a segurança social envolvendo imigrantes da Somália no Minnesota, estado governado pelo democrata Tim Walz, que concorreu nas últimas eleições presidenciais como vice de Kamala Harris.Naquela altura, Donald Trump acusou os somalis de terem “roubado milhares de milhões de dólares” e fez insultos desumanizadores àquelas pessoas. “Alguém vai dizer que não é politicamente correcto, mas não me importo. Não os quero no nosso país. O país deles fede e não os queremos no nosso país”, disse o presidente norte-americano após uma reunião. Números da imprensa americana dão conta de cerca de 80 mil somalis a viver nos Estados Unidos, legalmente, a maior parte nas ‘cidadas-gémeas’, como são conhecidas os alvos do DHS, que descreveu esta ofensiva como sendo “a maior operação de sempre” realizada por este departamento..Pais de Alex Pretti, morto pelo ICE, exigem "a verdade" e condenam "mentiras nojentas" sobre o caso.A chegada dos agentes federais às duas cidades desencadeou as cenas de perseguição e abordagens violentas que estão a ser registadas em vários pontos dos Estados Unidos. Até que, no dia 7, culminou com a morte a tiro de Renne Nicole Good. Segundo a administração Trump, uma “terrorista doméstica” morta por um agente que agiu em legítima defesa. Após a morte de Renee, o estado do Minnesota entrou com uma ação federal contra o DHS exigindo a saída imediata dos agentes, e uma juíza distrital deferiu o pedido de limitação ao uso de meios agressivos por parte dos elementos do ICE, como gás lacrimogénio.No entanto, na quinta-feira, dia 22, esta decisão foi suspensa a pedido do governo federal, enquanto as manifestações pelas ruas ganhavam força.No sábado, a morte de Alex Pretti deu ainda mais gás ao cenário de confrontos. O DHS afirmou que a vítima estava armada e reagiu contra os agentes do ICE. Num comunicado, os pais de Alex, Michael e Susan Pretti, disseram estar “de coração partido, mas também muito zangados” com a situação, e que “as mentiras repugnantes” contadas sobre o filho pela administração [de Trump] são “repreensíveis e nojentas”. O casal ainda descreveu o momento em que Alex foi agarrado pelos agentes, que foi captado em vídeos. “Alex claramente não estava a segurar uma arma quando foi atacado pelos capangas assassinos e cobardes de Trump. Ele segura o seu telemóvel na mão direita e eleva a mão esquerda, vazia, sobre a sua cabeça, enquanto tenta proteger a mulher que o ICE tinha acabado de empurrar ao chão, tudo isso enquanto levava com spray de pimenta”, lê-se no texto dos pais da vítima..Segunda morte de um civil por agentes federais em menos de um mês agrava tensão no Minnesota .Numa publicação nas suas redes sociais, Donald Trump acusou o autarca de Minneapolis e o governador Tim Waltz de “incitarem uma insurreição” e confirmou que, até agora, “12 mil ‘aliens’ criminosos ilegais” foram detidos pelas agentes federais no Minnesota no âmbito da operação para recuperar o dinheiro “roubado” por “criminosos ilegais que tiveram entrada permitida no estado pela política democrata de fronteiras abertas”.A morte de Pretti desencadeou novos protestos imediatos na cidade, com manifestantes a confrontarem agentes federais e a exigirem a retirada do ICE. Enquanto isso, Trump já estendeu a operação Metro Surge ao Maine, estado no nordeste do país governado pela democrata Janet Mills..Quem era Alex Pretti, o enfermeiro morto por agentes federais em Minneapolis.‘Insurrection Act’. Trump ameaça invocar lei de 1807 para travar protestos anti-ICE em Minneapolis