Trump retira de Minneapolis Gregory Bovino, o contestado comandante do ICE
Trump retira de Minneapolis Gregory Bovino, o contestado comandante do ICE DR

Governo Trump afasta Gregory Bovino de Minneapolis e entrega controlo da imigração a "czar da fronteira"

O comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos vai deixar Minneapolis esta terça-feira, no âmbito de uma reorganização das operações federais de imigração no estado do Minnesota. A decisão surge após polémicas relacionadas com a atuação de agentes federais e coincide com a nomeação de Tom Homan, o “czar das fronteiras” do governo Trump, para assumir o comando no terreno.
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Donald Trump decidiu transferir Gregory Bovino, um alto funcionário da Patrulha de Fronteira cujas táticas em grandes cidades americanas geraram controvérsia, para fora de Minneapolis. A notícia é avançada pelo jornal The New York Times, está noite de segunda-feira (26) e a medida é vista como mais um sinal de que a Casa Branca tenta reduzir a intensidade das operações de imigração em Minnesota. 

A morte, no passado sábado, do enfermeiro Alex Pretti, a segunda vítima da polícia federal em Minneapolis este mês, depois de Renee Good, está a gerar manifestações sem fim. Alex, de 37 anos, foi abatido a tiro por agentes federais do ICE e tornou-se já um símbolo da luta contra as políticas repressivas contra a imigração ilegal do Governo Trump, desencadeando fortes reações de contestação.  

Bovino, que liderou ações após protestos em Los Angeles e depois foi deslocado para cidades como Chicago, Charlotte, Nova Orleans e Minneapolis, tornou-se alvo de processos judiciais e manifestações. Além dele, outros agentes da Patrulha de Fronteira também devem deixar a cidade. 

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Troca por troca

A mudança ocorre poucas horas depois de Trump anunciar, nas redes sociais que ia enviar o “czar da fronteira”, Tom Homan, para assumir o comando das operações do ICE no estado. “Estou enviando Tom Homan para Minnesota ainda hoje à noite”, escreveu Trump. “Ele não esteve envolvido naquela área, mas conhece e gosta de muitas das pessoas de lá. Tom é duro, mas justo, e responderá diretamente a mim.” De acordo com autoridades da Casa Branca, Homan passará a liderar diretamente as ações de imigração no estado, indicando uma troca de comando e um maior controle direto do presidente sobre a operação. 

No momento, mais de mil agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e até dois mil agentes do ICE estavam mobilizados em Minneapolis, segundo o jornal. 

A notícia sobre a saída iminente de Bovino foi divulgada poucas horas depois de o presidente Trump enviar seu czar da fronteira, Tom Homan, para assumir o controle das operações do ICE no estado. 

Thomas Douglas Homan, nascido em 28 de novembro de 1961, é um agente veterano das forças de segurança dos Estados Unidos e foi designado por Donald Trump, em novembro de 2024, como “czar da fronteira” durante o segundo mandato do presidente. Homan passa a assumir protagonismo nas operações de imigração federal, substituindo figuras como Gregory Bovino na coordenação das ações em estados como Minnesota. 

Com longa trajetória no governo, Homan atuou tanto durante a administração Obama quanto no primeiro governo Trump. Entre janeiro de 2017 e junho de 2018, foi diretor interino do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Conhecido por sua postura dura, defende deportações em larga escala de imigrantes em situação irregular e se opõe abertamente às políticas de “cidades-santuário”. 

Dentro do governo Trump, Homan foi um dos mais enfáticos defensores da política de separação de famílias na fronteira, adotada como estratégia de dissuasão à imigração ilegal. Após deixar o cargo em 2018, tornou-se comentarista da Fox News e, em 2022, passou a integrar a Heritage Foundation, contribuindo também para o Projeto 2025, iniciativa conservadora voltada à reorganização do governo federal. 

Em setembro de 2024, Homan chegou a ser citado em uma investigação do FBI após ter sido gravado recebendo uma bolsa com 50 mil dólares em dinheiro de agentes disfarçados, no contexto de suspeitas de suborno envolvendo empresas de segurança de fronteira. A investigação buscava esclarecer se haveria promessa de contratos governamentais em caso de vitória de Trump nas eleições. Em setembro de 2025, no entanto, o Departamento de Justiça encerrou o inquérito por falta de provas. 

A nomeação de Homan para liderar as operações de imigração em Minnesota indica uma mudança de comando, mantendo a linha dura do governo Trump, mas com controle mais direto da Casa Branca sobre a atuação das agências federais. 

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