Fenprof diz que ministro "perdeu o controlo da situação" ao admitir que "há riscos" de as notas não serem divulgadas na sexta-feira
Foto: Tiago Petinga / Lusa

Fenprof diz que ministro "perdeu o controlo da situação" ao admitir que "há riscos" de as notas não serem divulgadas na sexta-feira

José Feliciano Costa, da Fenprof, afirmou que o ministro da Educação "não tem condições políticas para o exercício do cargo". Os professores "não criaram esta crise, pelo contrário, evitaram que ela assumisse proporções ainda mais graves", assegurou.
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Após o responsável pela pasta da Educação, Fernando Alexandre, admitir que existem "sempre riscos" de as notas dos exames nacionais do secundário não serem divulgadas esta sexta-feira, como estava previsto, a Fenprof afirmou esta quinta-feira, 16 de julho, que estas declarações refletem o "reconhecimento inequívoco que o ministro perdeu, de facto o controlo da situação".

"A realidade comprova o que a Fenprof afirmou em Viseu, no dia 8 de julho: Fernando Alexandre não tem condições políticas para o exercício deste cargo", disse José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof.

Lamentou que, "em vez de assumir as responsabilidades que lhe cabem, o ministro voltou a procurar culpabilizar os professores". Uma "tentativa inaceitável de desviar as atenções do verdadeiro problema, e isto é um ataque injusto e indigno, à semelhança do que já tinha sido feito pelo próprio primeiro-ministro, ao lançar suspeições sobre os professores, insinuando que estes estariam a bloquear o processo" acusou o dirigente sindical, em conferência de imprensa.

Para José Feliciano Costa, "os factos demonstram que quem Governa é que falhou". "Quem tinha a responsabilidade de planear, organizar o funcionamento deste sistema" de avaliação "era o Governo".

José Feliciano Costa assegura que os docentes "não criaram esta crise, pelo contrário, evitaram que ela assumisse proporções ainda mais graves".

Referiu que a plataforma informática "falhou" porque antes "falhou uma decisão política", referindo-se a um "desmantelamento das estruturas técnicas e operacionais do Ministério da Educação" feitas pelo Governo. "Este caos não caiu do céu, foi criado", sublinhou o secretário-geral da Fenprof.

Indicou ainda que "o Governo extinguiu um conjunto de organismos dentro do Ministério, reduziu e dispensou técnicos com larga experiência na condução destes processos". "Destruiu a experiência e a capacidade de resposta que durante décadas garantiram que os exames funcionavam", afirmou.

Lamentou que o Governo ignorasse "todos os alertas", referindo-se a um processo "pautado pelo amadorismo, experimentalismo".

José Feliciano Costa disse que foram "milhares os docentes que receberam provas durante a noite, durante o fim de semana, trabalhando horas consecutivas" e acusou o Governo de "falta de respeito" para com os professores.

"Os exames nacionais exigem rigor, transparência e confiança e essa confiança foi profundamente abalada. Os alertas foram sucessivamente ignorados e as fragilidades que o sistema tinha demonstrado foram totalmente desvalorizados", lamentou.

Ministro diz que 99,3% das respostas estão corrigidas

As declarações do dirigente sindical surgem depois de o ministro da Educação admitir que as notas dos exames nacionais do ensino secundário poderão não ser afixadas esta sexta-feira, como estava previsto, caso ainda existam provas por classificar.

“Há sempre riscos, claro. Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas, claro que há riscos”, reconheceu Fernando Alexandre, à margem do Encontro Ciência e Inovação 2026, quando questionado pelos jornalistas.

O responsável pela pasta assegurou que "99,3% das respostas" aos exames nacionais deste ano letivo estão corrigidas. Fernando Alexandre admitiu, no entanto, que há "dificuldades para conseguir com que haja professores classificadores" para algumas provas.

"Estamos mesmo quase lá. Tínhamos 98% corrigidas na terça-feira", disse, frisando que "será muito difícil de explicar, estando tão perto", o facto de não se conseguir publicar notas na sexta-feira.

Questionado ainda sobre de quem era a responsabilidade desta falta de classificadores, o governante afirmou que "será apurada no fim". "Agora estamos concentrados em resolver o problema", defendeu.

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