Ensaio clínico vai testar medicamento em pessoas sem sintomas para apurar se é possível prevenir Alzheimer
Pessoas sem perda de memória vão receber um medicamento experimental para o Alzheimer que pode impedir o desenvolvimento da doença antes do aparecimento dos sintomas de demência, noticia este sábado, 5 de setembro, o The Guardian.
Pessoas saudáveis de meia-idade consideradas de alto risco para desenvolver a doença serão elegíveis para participar no ensaio clínico, conduzido por um fundo do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido no âmbito de um estudo clínico internacional com o objetivo de prevenir a demência.
Os primeiros participantes europeus do ensaio, que está a recrutar cerca de 1600 pessoas entre os 55 e os 80 anos de todo o mundo, vão ser rastreados na segunda-feira pelo Surrey and Borders Partnership NHS Foundation Trust.
De acordo com o órgão de comunicação social britânico, os participantes em todo o Reino Unido serão testados para verificar se não apresentam problemas de memória antes lhes ser oferecido um teste sanguíneo para avaliar a presença de p-tau217, um biomarcador que pode prever o declínio cognitivo e o desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Investigações anteriores concluíram que as pessoas com os níveis mais elevados de p-tau217 tinham uma probabilidade estimada de 78% de desenvolver défice cognitivo em dez anos e também que os exames de sangue que medem o p-tau217 podem identificar a doença de Alzheimer com até 95% de precisão.
O ensaio clínico de fase III, denominado estudo PrevenTRON, irá verificar se a prescrição de um novo medicamento, o Trontinemab, a participantes com níveis elevados de p-tau217 e que cumpram os critérios do estudo, pode impedir o desenvolvimento de demência.
O medicamento desenvolvido pela farmacêutica suíça Roche, ataca as placas amiloides, uma proteína tóxica que se acumula no cérebro acabando por matar as células cerebrais.
O Trontinemab foi aclamado como um medicamento inovador após investigações iniciais terem demonstrado que eliminou as placas amiloides em nove em cada dez pessoas com Alzheimer em fase inicial ou défice cognitivo ligeiro em 28 semanas, ou seja, removeu uma das principais características da doença.
O professor Ramin Nilforooshan, psiquiatra consultor e investigador principal do ensaio clínico PrevenTRON, disse ao Telegraph que o estudo demonstra como os investigadores estão a mudar o seu foco da cura para a prevenção, acreditando que existe potencial para ajudar milhões de pessoas afetadas pela doença.
O ensaio clínico deverá durar entre quatro a seis anos. Durante esse período, os participantes aleatoriamente designados para receber Trontinemab ou um placebo serão monitorizados para verificar a rapidez com que desenvolvem quaisquer sinais de demência.
Estima-se que a doença de Alzheimer se desenvolve no cérebro até dez anos antes de as pessoas procurarem tratamento para problemas de memória, que afetam cerca de uma em cada 14 pessoas com mais de 65 anos e uma em cada seis pessoas com mais de 80 anos.

