"Ódio online mata offline". Este é o nome da mais nova campanha da Polícia Judiciária (PJ), lançada esta terça-feira, 13 de janeiro. A iniciativa é dirigida especialmente aos jovens e crianças, para que não sejam vítimas de grupos extremistas. "Encontro-me profundamente preocupado com o tema", disse Luís Neves, diretor nacional da PJ ao anunciar a campanha.Como o DN havia antecipado, o objetivo é “alertar as crianças e jovens, bem como os pais e educadores, para certas realidades que existem online e os riscos daí decorrentes, também no mundo físico”, nas palavras de Patrícia Silveira, diretora da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ.Na avaliação da PJ, o ódio está na base deste recrutamento, com a exploração de sentimentos de crianças e jovens. "Os conteúdos de ódio online entre jovens não surgem do nada. Eles costumam ser resultado de uma acumulação de fatores sociais, psicológicos, tecnológicos e culturais", explicou o diretor nacional, no discurso de abertura."A juventude é uma fase de formação de identidade. Grupos online que promovem ódio muitas vezes oferecem uma sensação de pertença, uma validação emocional a cada um destes membros, respostas simples para frustrações complexas", alertou. Depois, sublinhou o papel das redes sociais. "Há a influência de algoritmos e redes sociais. As plataformas tendem a promover conteúdos polarizadores, geram maior capacidade de recrutamento, criam bolhas ideológicas e a normalização dos discursos extremos em permanente repetição e reiteração", complementou.Ainda sobre o mundo digital, ressaltou que "o ambiente digital reduz o medo da punição e a empatia com o outro" e que "com o tempo, o ódio parece até normal ou aceitável". "Falamos sempre do outro, dos outros, vistos muitas vezes, demasiadas vezes, como um inimigo ou um alvo a bater. O jovem pode dizer online o que nunca diria cara a cara", ressalta.Falta também literacia digital. "Muitos jovens, e infelizmente não só jovens, mas é deles com os quais falamos aqui, não destinem a opinião de discurso de ódio. Não reconhecem manipulação ou desinformação, esta última sempre alicerçada nas fake news e não compreendem as consequências reais do que publicam", vinca.Por fim, elencou as "frustrações sociais e económicas" como um fator que leva à radicalização. "São assentes na desigualdade, no desemprego, no racismo, no machismo que está de regresso", alertou. Sobre isso, Neves deixou um alerta aos homens. "Nós todos temos que estar muito atentos a isso, sobretudo a nós homens. Não é admissível aceitar ou permitir, por mais leve que seja, dicurso em que a mulher seja vista num momento de inferioridade", afirmou o diretor nacional."Ninguém nasce a odiar"Foi com palavras de Nelson Mandela que a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, começou a intervenção no lançamento da campanha. "Nelson Mandela recordava-nos, 'ninguém nasce a odiar outra pessoa pela cor da sua pele, o seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar'. E o ódio, bem como a radicalização, são caminhos para a violência. Esta aprendizagem, este caminho de amor pelo ódio, acontece na maioria dos casos on-line", começou por dizer.Assim como Luís Neves, a ministra recordou o papel dos algortimos e das redes sociais. "As plataformas online são instrumentos de acesso à informação, mas comandadas por algoritmos que tendencialmente promovem o que é igual, acentuam a polarização e podem também servir de veículo para a normalização do discurso de ódio e para a difusão de conteúdos extremistas, que recrutam, isolam e instrumentalizam os mais vulneráveis", ressaltou. Júdice referiu que "proteger crianças e jovens neste contexto é hoje uma exigência central de qualquer Estado de direito democrático".O vídeo de apresentação da campanha, apresentado por Patrícia Silveira, Diretora Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNTC). Personalidades públicas, como artistas, influenciadores e jogadores de futebol já aderiram à campanha, com a partilha da mensgaem "Faz game over ao ódio e à violência". A diretora afirmou que todos podem unir-se. "Desafio a todos que se juntem à campanha, partilhando e amplificando conteúdos que serão publicados nas redes sociais da PJ e integrando nas suas próprias atividades", afirmou.Assista abaixo o vídeo oficial da campanha da PJ. .amanda.lima@dn.pt.PJ lança campanha inédita contra a radicalização online de jovens.Decisão histórica. Membro da extrema direita que incitava ao ódio fica em prisão preventiva