Ficou provado no julgamento que Odair não portava uma faca.
Ficou provado no julgamento que Odair não portava uma faca. Direitos reservados

Caso Odair Moniz. Movimento convoca para sábado protesto contra “sentença injusta”

A convocação é do movimento Vida Justa. Concentração será no Largo de São Domingos, às 17h:00.
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"Não aceitamos uma sentença injusta". Este é o mote de um protesto marcado para sábado, 20 de junho, em Lisboa, após a sentença no caso Odair Moniz. A convocatória é do movimento Vida Justa e a concentração está marcada para as 17h00, no Largo de São Domingos.

"O Tribunal de Sintra deixou em liberdade o polícia que matou Odair Moniz e considera que ele pode continuar a exercer funções policiais. Um homem desarmado é morto com dois tiros e o Tribunal considera que houve 'legítima defesa', sanciona apenas o 'excesso de meios' e deixa o autor dos disparos em liberdade. O crime da vítima foi não ter respeitado uma regra de trânsito", lê-se na convocatória, partilhada nas redes sociais.

O movimento chama a atenção para o facto de não ter sido comprovada a existência de uma faca, considerando esse aspeto um "detalhe" na decisão. "A inversão de papéis, que transforma vítimas de racismo e violência policial em culpados, é um fenómeno sistémico e recorrente. O facto de se ter provado que a faca que Odair supostamente trazia consigo nunca existiu parece ser apenas um detalhe que em nada pesou na decisão final", destaca.

O Vida Justa interpreta a sentença do tribunal como um caso de "racismo estrutural" e denuncia a violência policial. "A lista de absurdos no julgamento evidencia que a Justiça não escapa ao racismo estrutural. Não é a primeira vez que a justiça é parcial e considera que a violência policial é apenas um excesso compreensível. Isto é mais um disparo sobre Odair", lamenta o movimento.

O agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) Bruno Pinto recebeu uma pena suspensa de três anos e seis meses. O tribunal também decidiu que poderá continuar a exercer atividades na Polícia de Segurança Pública (PSP). O Ministério Público (MP) confirmou que vai recorrer da decisão.

Como o DN revelou na edição desta quinta-feira, o tribunal ignorou lei que regula uso de arma de fogo por polícias. Só o perigo iminente de morte ou de ofensa grave à integridade física, do polícia ou de terceiros, justifica, nos termos da lei específica, o uso de arma de fogo contra pessoas. O tribunal que julgou agente da PSP que matou Odair Moniz não teve em conta essa lei nem, tão-pouco, a jurisprudência europeia.

amanda.lima@dn.pt

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