Ómicron destrói recordes com negacionismo à espreita

Na semana em que Portugal chegou aos dois milhões de casos de covid-19, os negacionistas mostraram o seu rosto político na televisão e, para não variar, no seu território preferido: as redes sociais.

Pedro Sequeira

Ver debates é bom. Mas votar é melhor

O frente a frente Rui Rio e Inês Sousa Real, sábado, na RTP, encerrou o ciclo de debates a dois entre os líderes de partidos parlamentares. O formato escolhido (apenas 25 minutos) mereceu algumas críticas pois tendia a favorecer o candidato capaz de produzir um bom sound bite, que depois continuaria a ter eco na comunicação social até ser substituído por outra frase qualquer que ficasse no ouvido. A verdade é que tiveram mais audiência: oito dos frente a frente tiveram um resultado superior ao do debate mais visto em 2019. Sem surpresa, o mais visto em 2022 foi entre os pesos pesados António Costa e Rui Rio (média 3,2 milhões de telespetadores), que passou em simultâneo na RTP, SIC e TVI e foi o único em que houve realmente tempo para se discutir ideias: 75 minutos. Este aparente maior interesse dos portugueses pelo debate político é um bom sinal para a democracia? Sem dúvida. No entanto, importante mesmo é ser confirmado através do voto, baixando a abstenção. Isso sim seria uma vitória.

Debate entre Costa e Rio teve em média 3,2 milhões de telespectadores.© Pedro Pina/Lusa

Djokovic. Perder sem sequer entrar em campo

A confirmação da ordem para deportar Novak Djokovic da Austrália pôs fim a uma novela em que ninguém fez boa figura, pois as hesitações da federação de ténis daquele país e da justiça em nada ajudaram a controlar os danos. Mas a maior mancha cai sobre a ação o tenista, um dos melhores de sempre e, nos últimos meses, também um mediático rosto antivacinação, estimulando teorias negacionistas de quem não quer ver o óbvio - a vacina salva vidas. Todo este processo permitiu saber, por exemplo, que o sérvio decidiu ser entrevistado e fazer uma sessão fotográfica para o L'Équipe sabendo que estava infetado e que prestou informações falsas no visto para entrar na Austrália. Djokovic até reconheceu estes erros, mas o caso marca, pela negativa, a brilhante carreira nos courts. No final, vingou a posição do governo australiano e que França (casa de Roland Garros): as regras no combate à pandemia têm de ser iguais para todos. Tenham ou não 20 títulos de Grand Slam no palmarés.

Djokovic ficou mesmo de fora do Open da Austrália, que já venceu por nove vezes.© Dave Hunt/EPA

Mais cinco anos de CR7? Vamos a isso, diz Ronaldo

Pela segunda vez, Lewandowski recebeu o troféu The Best, que premeia o melhor jogador do Mundo para a FIFA. O atacante polaco do Bayern, que na época passada bateu o recorde de golos na Liga alemã (41) e ganhou a Bota de Ouro (melhor marcador da Europa), entrou, aos 33 anos, num restrito lote de seis jogadores que conseguiram por, pelo menos, duas vezes esta distinção da FIFA, juntando-se a Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldo Nazário, Zidane e Ronaldinho. A gala também ficou marcada por um troféu especial e por um anúncio que é uma boa notícia para quem gosta de futebol. Ronaldo recebeu um prémio destinado ao melhor marcador de sempre por Seleções e revelou que espera jogar "mais quatro ou cinco anos". Venham eles! Os adeptos agradecem.

Ronaldo com o prémio de melhor marcador de sempre por seleções.© Harold Cunningham/EPA

Negacionismo. Saltar das redes para o parlamento

O debate que juntou os representantes dos partidos sem assento parlamentar teve de tudo um pouco - um apagão, frases e gestos que davam memes, um moderador à beira de um ataque de nervos a tentar desmontar absurdos que iam sendo ditos em direto, etc, etc. Houve também quem tentasse apresentar e discutir ideias novas para o país, mas com 11 candidatos em estúdio à procura de marcar a sua posição isso foi quase impossível. No final, como notou no DN o jornalista João Pedro Henriques, o debate passou à história como aquele em que os negacionistas da covid-19 mostraram o seu rosto político, através de Bruno Fialho (ADN) e José Pinto Coelho (Ergue-te). No mesmo dia, também no DN, a jornalista Ana Mafalda Inácio contava como as redes sociais foram inundadas de comentários e teses antivacinação após a morte de uma criança, recentemente vacinada, sem que as causas do óbito estivessem sequer esclarecidas e sem qualquer consideração pelo luto daquela família. O negacionismo é perigoso e egoísta. E está a tentar entrar no parlamento.

Debate entre partidos sem assento na AR foi marcado por momentos insólitos.© Pedro Pina/Lusa

Covid-19. 500 mil casos em 15 dias à boleia da Ómicron

Portugal ultrapassou na quarta-feira os dois milhões de infetados com covid-19 desde que registou os primeiros casos da doença, a 2 de março de 2020. O mais impressionante é que um quarto desses dois milhões foram só nos últimos 15 dias, o que mostra bem a facilidade de transmissão da Ómicron. Ainda assim, a gravidade situação pandémia é muito diferente (para melhor) daquela que se viveu há uma ano, quando os portugueses viam formar-se à porta dos hospitais longas filas de ambulâncias à espera que ficassem camas disponíveis para internar doentes. Há um ano, em dois dias diferentes registaram-se 303 mortes por covid-19. Chegaram a estar inter-nados em UCI 904 pacientes. Nesta quarta-feira morreram 33 pessoas e nas UCI estavam 153. A adesão dos portugueses à vacinação (8,7 milhões com esquema vacinal completo e já mais de 4 milhões com dose de reforço) é a melhor explicação para o contraste.

Mais de 4 milhões de pessoas já receberam a dose de reforço em Portugal.© António Cotrim/Lusa

Ameaças sobem de tom no conflito Rússia-Ucrânia

A tensão na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia continua a fervilhar. Joe Biden, há um ano na presidência dos EUA e cada vez mais impopular, diz a Putin que a "Rússia pagará muito caro" se invadir a Ucrânia, prometendo uma "severa e coordenada resposta económica" já discutida com os aliados americanos. A Comissão Europeia não faz por menos e diz ter "tudo pronto" para uma reação "massiva" com "sanções económicas e financeiras". A Ucrânia lembra que "a segurança alargada na Europa é impossível" sem soberania e integridade territorial do país, enquanto a Rússia apregoa que não tem "intenções bélicas" mas mantém milhares de soldados mobilizados em zonas de fronteira e insiste em ter garantias escritas de que Kiev não vai aderir à NATO. Cresce a urgência de o trabalho diplomático produzir resultados para apaziguar a situação, quando o tom crispado nas palavras dos líderes mundiais está a tornar esse caminho cada vez mais estreito.

Imagem de satélite divulgada no dia 19 mostra meios militares russos estacionados em Yelnya, a 260 km da fronteira com a Ucrânia.© EPA/MAXAR TECHNOLOGIES HANDOUT

Moreira vence primeiro 'round' no caso Selminho

Rui Moreira foi absolvido no caso Selminho, em que estava acusado de prevaricação por alegadamente favorecer a imobiliária da família (Selminho), de que era sócio, em detrimento do município portuense num litígio judicial sobre um terreno para construção de apartamentos no Porto. A polémica arrasta-se há anos na justiça e serviu para ataques partidários durante a campanha as eleições autárquicas de 2021, em que Moreira foi reeleito para um terceiro mandato. O Ministério Público (MP) defendia condenação com pena suspensa e perda do mandato, mas, na leitura do acórdão no Tribunal de São João Novo, a presidente do coletivo de juízes disse que o MP foi incapaz de provar que Moreira tenha dado instruções ou agido com o propósito de beneficiar a Selminho. O procurador Luís Carvalho disse "não se conformar" com a decisão e anunciou recurso para a Relação.

Caso Selminho. Rui Moreira foi absolvido por falta de provas.© Fernando Veluso/Lusa

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