Ambulâncias fizeram fila nas urgências dos hospitais

A situação foi complicada durante a madrugada em Torres Vedras e no hospital de Santa Maria, mas de acordo com presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses a situação é semelhante noutas unidades do país.

Fotografias partilhadas nas redes sociais mostraram a fila de espera de cerca de 10 ambulâncias para a urgência covid-19 de Torres Vedras e a administradora do hospital reconheceu este sábado que a última noite "foi muito complicada". Também no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, se verificaram filas à porta da urgência, de acordo com fotos publicadas igualmente nas redes sociais.

Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, denunciou à Lusa que há doentes transportados para os hospitais a passar "horas nas macas das ambulâncias", tendo sido já registada a morte de um paciente dentro da ambulância sem entrar na unidade hospitalar. "Recebi uma informação de um doente que morreu dentro de uma ambulância. Isso é garantido", afirmou Marta Soares, assumindo que os bombeiros estão a viver "momentos muito difíceis e muito complicados", porque estão a ser eles a fazer "quase de hospitais".

No entanto, ao que o DN apurou, a vítima a que Marta Soares se refere faleceu a 13 de janeiro, o que inclusive motivou um comunicado do Centro Hospitalar Oeste, no qual diz "não corresponder à realidade" o facto do utente ter falecido na ambulância.

Segundo Marta Soares, as ambulâncias dos bombeiros estão a ficar retidas com doentes em muitos dos hospitais deste país, durante horas. "Chegamos aos hospitais, não há macas, e muitas vezes eles estão horas nas nossas macas, alguns dentro das próprias ambulâncias, a ponto de já terem morrido cidadãos dentro das próprias ambulâncias, e muitas vezes as nossas macas ficam lá retidas, nos corredores, nas urgências, onde efetivamente esses hospitais se servem do nosso equipamento para garantir o resguardo dos doentes, já que não têm capacidade com camas, nem com macas" para fazer a receção, descreveu.

De acordo com Elsa Baião, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), a que pertence a unidade de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, "a situação esteve muito complicada, porque não havia lotação" e, como tal, foi preciso "criar mais uma enfermaria com 21 camas", revelou à agência Lusa.

A capacidade do internamento para a covid-19 aumentou de 45 para 66 camas. Segundo a administradora, hoje, "pelas 8.00 horas a situação já estava mais calma, apesar de a urgência continuar lotada".

Em Torres Vedras, admitiu, "a situação é mais preocupante por causa do surto ativo [com um total de 157 casos confirmados] dentro da unidade, motivo pelo qual as equipas estão mais reduzidas, e por ser uma região com um número elevado de camas de lar".

Elsa Baião alertou que, nos últimos dias, "tem sido complicado transferir doentes para outros hospitais", assim como contratar mais profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros.

Ainda assim, na sexta-feira, o CHO conseguiu transferir tanto doentes não covid, como doentes covid para outras unidades, destacando a responsável os cinco doentes covid que foram transferidos de Torres Vedras para a CUF Tejo, em Lisboa, ao abrigo do acordo que o Ministério da Saúde estabeleceu com hospitais privados.

O CHO possui uma capacidade de 102 camas de internamento para doentes covid, em Torres Vedras (66) e Caldas da Rainha (36), cuja lotação "está perto do limite", pelo que voltar a aumentar essa capacidade "é uma hipótese que não está posta de parte", disse a administradora.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, tendo uma área de influência constituída pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã, e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra. Estes concelhos dividem-se entre os distritos de Lisboa e Leiria.

Surto no hospital de Torres Vedras com um total de 157 casos

O surto de covid-19 no hospital de Torres Vedras registou, nos últimos dois dias, 15 novas infeções, aumentando para 157 o total de casos confirmados, segundo o último boletim epidemiológico deste município.

O surto contabiliza um total de 157 casos confirmados, dos quais 134 estão ativos, 12 recuperaram e 11 morreram, de acordo com o boletim diário.

Baseando-se nos dados reportados pelo delegado de saúde e divulgados no boletim epidemiológico do concelho, fonte oficial do município esclareceu que o total de casos de infeção engloba utentes que foram contagiados quando estiveram internados na unidade por outras doenças, mas que estão a recuperar em casa.

Os primeiros casos surgiram na semana do Natal, acrescentou.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, tendo uma área de influência constituída pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã, e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra. Estes concelhos dividem-se entre os distritos de Lisboa e Leiria.

Notícia atualizada às 13.25 horas

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