Presidente da AIMA, Pedro Portugal Gaspar
Presidente da AIMA, Pedro Portugal GasparFoto: Paulo Spranger

AIMA questiona tribunal administrativo sobre a expressão “pânico total” e conselho aponta origem na própria agência

Conselho diretivo da agência enviou uma carta em que reage às declarações do juiz conselheiro Jorge Aragão Seia, presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), em entrevista à Rádio Renascença.
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A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) perguntou ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) quais os "factos que fundamentam a expressão “pânico total” relativamente à AIMA". O pedido de esclarecimento foi enviado por ofício, ao qual o DN / DN Brasil teve acesso.

Em causa estão as declarações do juiz conselheiro Jorge Aragão Seia, presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), em entrevista à Rádio Renascença. O magistrado afirmou que está o "pânico total" na AIMA após o envio de 12 mil despachos do tribunal para a agência.

De acordo com o conteúdo da carta, a expressão utilizada pelo juiz conselheiro pode "pode suscitar interpretações desajustadas" sobre a AIMA. "Sem prejuízo do respeito integral devido à independência dos Tribunais e ao CSTAF, entendemos que a utilização e divulgação pública desta expressão — pela sua carga valorativa — pode suscitar interpretações desajustadas quanto ao funcionamento dos serviços da AIMA e quanto ao esforço de cooperação institucional em curso", lê-se.

No mesmo documento, assinado por Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo, a agência recorda a colaboração entre as duas entidades. "Relembramos que a AIMA tem colaborado ativamente com os tribunais administrativos, fornecendo informação e dados que visam permitir uma apreciação mais célere e objetiva dos processos, contribuindo para acelerar decisões e reduzir incidentes", destaca.

CSTAF já respondeu

Horas depois do envio do ofício, o CSTAF respondeu à AIMA por carta. Igualmente, o DN / DN Brasil teve acesso ao documento, no qual explicam a origem da expressão "pânico total". Segundo a carta, a declaração surgiu após uma troca de informações, a 22 de abril deste ano, com um dos vogais da AIMA. O conselho assinala que responde a este pedido de informação "com a serenidade que a matéria reclama".

"A caracterização criticada por V. Ex.ª resulta, portanto, da leitura objetiva de uma manifestação emanada de um dos titulares do próprio órgão dirigente da AIMA", detalham. A carta é assinada pela juíza-secretária do CSTAF, Eliana de Almeida Pinto.

No mesmo documento, respondem sobre a colaboração entre o tribunal e a agência. Afirmam que, durante o ano de 2025, solicitaram e aguardaram informações da AIMA sobre os processos extintos. "Tais solicitações, formuladas no exato quadro do princípio da boa colaboração que a AIMA hoje invoca em seu favor, nunca obtiveram, à data, resposta útil", vincam.

Ao mesmo tempo, defende que, só em 2026, quando a task force dos juízes começou, a colaboração com a AIMA foi objeto de "intensificação" entre as entidades. "A coincidência cronológica entre a criação dessa equipa e o adensamento da colaboração da AIMA permite, pelo menos, inferir uma correlação que dificilmente se poderá atribuir ao acaso, sendo igualmente legítimo perguntar se a referida cooperação foi animada pela boa colaboração em si ou pela superveniência da medida de gestão poder causar dificuldades acrescidas no serviço que V. Excia dirige", argumenta a juíza-secretária. Em entrevistas a este jornal, Eliana de Almeida Pinto já havia chamado a atenção para a falta de respostas da agência sobre esta matéria.

Ministro da Presidência defende trabalhadores

Em resposta sobre este tema ao DN / DN Brasil durante conferência de imprensa na sexta-feira, o ministro António Leitão Amaro defendeu os profissionais da agência. "Do lado da AIMA, o que eu posso dizer é que deve e há boas razões para os trabalhadores da AIMA se sentirem muito orgulhosos, muito orgulhosos, por aquilo que fizeram nos últimos dois anos", começou por dizer.

"Aquilo que eu creio que existe e deve existir da parte dos trabalhadores da AIMA, quem diz que é em tutela à entidade, com muito orgulho nesses trabalhadores, é um sentimento de um dever que está a ser cumprido", complementou. Ao mesmo tempo, ressaltou que "ainda há casos para resolver", mas que é preciso "focar" no trabalho.

"Agora, as pendências estão a cair muito, os processos que estão a ser fechados são muitos e a AIMA já tem, daqueles quase um milhão de casos que teve que tratar, já há um número muito pequeno", defendeu.

As declarações

Na origem da troca de respostas entre a AIMA e o CSTAF estão as declarações do juiz conselheiro Jorge Aragão Seia, presidente do Supremo Tribunal Administrativo (STA), em entrevista à Rádio Renascença.

Segundo o magistrado, o resultado deste trabalho, com o envio dos despachos à agência, está a criar um “pânico total” na AIMA. Na visão de Jorge Aragão Seia, a agência “precisa de se acomodar” e resolver os processos, reconhecendo que se trata de uma “coisa tão avassaladora”.

Ainda assim, o passivo ultrapassa os 133 mil processos. Por isso, numa iniciativa do CSTAF, ao verificar-se o aumento diário do número de processos contra a AIMA, foi criada esta task force. No total, são 28 juízes e juízas em regime de acumulação de funções durante três meses, sendo possível prorrogar esse período por igual duração.

Além disso, o DN sabe que existe um grupo de trabalho entre o CSTAF e a AIMA. O objetivo é agilizar a comunicação para identificar quais os casos já resolvidos pela agência, para que possam ser considerados extintos.

amanda.lima@dn.pt

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