Acampada pela habitação. PSP afinal admite drones no Rossio "devidamente autorizados"
Foto: Paulo Spranger

Acampada pela habitação. PSP afinal admite drones no Rossio "devidamente autorizados"

A própria polícia assume que vai utilizar drones durante a realização de nova manifestação pelo direito à habitação, agendada para este sábado, em Lisboa.
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Na véspera de mais uma manifestação pela habitação, agendada para este sábado, em Lisboa, a PSP afirmou esta sexta-feira, 30 de outubro, que os drones "devidamente autorizados, nomeadamente os solicitados pelos órgãos de comunicação social" serão permitidos para acompanhamento do protesto.

Fonte oficial da PSP explicou ao Observador que os meios de comunicação social poderão, afinal, utilizar drones durante o período em que decorrer a manifestação, em articulação e coordenação com as entidades competentes, com a autorização concedida pela Autoridade Aeronáutica Nacional, "de forma a garantir a segurança de todos os intervenientes".

O esclarecimento desta polícia surge depois de ter sido noticiado que a Autoridade da Aeronáutica Nacional tinha decidido proibir drones na zona do Rossio, em Lisboa, invocando "razões de segurança".

Mas afinal, os meios de comunicação social poderão recorrer a drones para registar os protestos deste sábado.

A PSP confirmou posteriormente que ela própria pediu à entidade competente para limitar o uso de drones no Rossio. A polícia justifica que o "pedido apresentado pela PSP à Autoridade Aeronáutica Nacional se enquadra exclusivamente nas necessidades de segurança associadas à operação policial, tendo como principal objetivo assegurar a coordenação dos voos de aeronaves não tripuladas (drones) na área em causa, prevenindo eventuais incidentes resultantes da sua utilização simultânea e não coordenada”.

"Nunca foi intenção da PSP limitar ou impedir o exercício da atividade dos órgãos de comunicação social, designadamente no que respeita à utilização de drones para efeitos de cobertura jornalística do evento”, esclarece a PSP, em comunicado.

É ainda referido na nota que a polícia “já procedeu aos esclarecimentos necessários junto da Autoridade Aeronáutica Nacional, reforçando que a finalidade desta medida é assegurar uma utilização coordenada e controlada do espaço aéreo, evitando a utilização indiscriminada destes equipamentos por outros operadores”.

Segundo a polícia, “esta medida visa exclusivamente salvaguardar as condições de segurança da operação policial, não colocando em causa o direito à informação nem o normal exercício da atividade dos órgãos de comunicação social”.

Está previsto que a manifestação pela habitação levada a cabo pela acampada de Lisboa sob o mote "Não temos casas, ficam as tendas". tenha início às 16h00 no Largo de Camões, seguindo depois em direção ao Rossio, onde será feita uma concentração e onde deverão ser novamente montadas tendas.

"Este sábado, voltamos a marchar pelas ruas de Lisboa. À chegada ao Rossio, voltamos a montar as tendas e a passar a noite na praça. Não nos tiram das ruas. Não nos tiram a vontade de lutar. Traz a tua tenda, traz quem está ao teu lado. Se não tens tenda, vem na mesma!", afirma a organização, em comunicado divulgado nas redes sociais.

Luís Neves espera que protestos de sábado decorram com "normalidade e legalidade"

O ministro da Administração Interna apelou esta sexta-feira (30 de outubro) à tranquilidade dos manifestantes pelo direito à habitação, esperando que os protestos de sábado decorram "dentro da normalidade e legalidade”.

“Espero que tudo decorra dentro da normalidade e da legalidade”, disse Luís Neves aos jornalistas após ter sido ouvido no parlamento no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2027.

O ministro foi questionado sobre os protestos previstos para sábado e respondeu esperar que “haja toda a tranquilidade e respeito pela manifestação e por todos os direitos e motivos subjacentes à manifestação”.

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De recordar que na madrugada do passado domingo (25 de outubro), a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.

Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um processo na sequência das intervenções policiais em Lisboa e no Porto. Também a provedora de Justiça pediu à PSP, com caráter de urgência, informações sobre a carga policial na madrugada de domingo sobre os manifestantes.

Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça de D. Pedro IV, Rossio, tendo existido tensão com a polícia que não permite que as tendas permaneçam durante a noite nestas praças.

A primeira carga policial aconteceu no Porto a 15 de outubro.

Com Lusa

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