A menos de 24 horas do fim do prazo de classificação, docentes continua a receber novos itens para classificar. Segundo o DN apurou, os professores estão a ser contactados, ao longo do dia, pelas escolas e pelo Júri Nacional de Exames. Uma professora de Matemática, que não quis identificar-se por temer represálias, recebeu esta manhã mais de 160 itens para corrigir da prova do 12º ano. “Não consigo entender. Reportei, várias vezes, por escrito e por telefone que não conseguia aceder aos exames na plataforma e hoje recebo uma chamada do Júri Nacional de Exames a pedir para voltar a tentar entrar na plataforma e a informar que tinha itens para corrigir”, conta. A docente diz sentir-se “em pânico”, com medo de não conseguir cumprir o prazo, afirmando que “não será possível fazer uma correção rigorosa dos itens em tão pouco tempo”. O DN falou com dezenas de professores que continuam a relatar problemas no processo de classificação e a receber mais perguntas para classificar. Contudo, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) garantiu, em comunicado” não haver risco de falta de rigor nas notas que serão publicadas na sexta-feira, dia 17. “O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) assegura todo o rigor e transparência do processo de classificação das Provas Finais e dos Exames Finais Nacionais”, pode ler-se. No mesmo documento, o Governo explica que “está a decorrer, desde a semana passada, um processo normal de verificação de qualidade e validação do sistema de classificação eletrónica das Provas Finais do Ensino Básico (Matemática) e dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, por forma a garantir que os itens entregues aos professores para classificação estão completos e correspondem às respostas dadas pelos alunos nos exames em papel”. Para o MECI, trata-se de um processo “normal e necessário devido ao facto de se ter identificado a existência de folhas de resposta mal digitalizadas (por exemplo, a folha tinha dobras), de folhas de enunciado ou de continuação de item que não foram digitalizadas ou até de provas que não foram inicialmente entregues às forças de segurança para o transporte para a Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM), tendo sido remetidas posteriormente”.Todas estas situações, refere o comunicado, “obrigam a um rigoroso processo de verificação das provas e dos exames guardados na INCM e, caso sejam necessários, a contactos com as escolas”. “Este controlo de qualidade levou a que em alguns casos os professores classificadores tivessem de repetir a correção já efetuada. Apesar do transtorno que este procedimento tem causado aos professores, o mesmo demonstra a importância do processo de validação em curso, para garantir a correção de todas as falhas identificadas e, assim, o rigor da avaliação externa”, sustenta. O MECI recorda que a correção digital aplicada a todos os exames e provas, feita pela primeira vez, “requer a alocação de um elevado número de recursos humanos, inclusivamente durante o fim de semana”.Sobre as alegadas falhas na confidencialidade, o Executivo nega essa possibilidade porque “todas as provas depositadas e guardadas na INCM estão anonimizadas, não podendo, por isso, ser quebrado o anonimato, o que só poderá ser feito nas escolas”. “No mesmo local não decorre qualquer processo de classificação, pelo que a credibilidade do processo não poderia ser afetada por estas atividades de verificação”, explica.O MECI reafirma ainda o seu agradecimento “pelo empenho, dedicação, disponibilidade e sentido de responsabilidade de todos os professores e técnicos envolvidos neste processo”. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, pediu desculpa aos professores pelos constrangimentos no processo de correção dos exames nacionais. Professores acusam ministério da Educação de ignorar alertas dos docentes sobre examesO movimento “S.O.S. Escola Pública” acusa o ministro da Educação, Fernando Alexandre, de ter ignorado os alertas dos professores durante o processo de classificação dos exames nacionais e de procurar agora afastar responsabilidades pelas falhas registadas. Em comunicado, o movimento sublinha que o governante se limitou a decidir “sozinho” e considera que apresentou um “pedido de desculpas extremamente tardio”. A organização critica ainda a alegada “desresponsabilização” da equipa ministerial, do Eduqa e do Júri Nacional de Exames. O movimento defende que os professores não pedem horas extraordinárias, mas sim “tempo para classificar com qualidade e rigor”, e refere continuar a receber relatos de docentes chamados a corrigir repetidamente os mesmos itens..Ministro garante que 92% dos exames nacionais estão corrigidos.Prazo para classificar exames termina amanhã e ainda há professores a receber perguntas para corrigir.Exames nacionais. Oposição junta-se à pressão sobre Fernando Alexandre