Fernando Alexandre pediu desculpa aos professores pelos constrangimentos no processo de correção dos exames nacionais.
Fernando Alexandre pediu desculpa aos professores pelos constrangimentos no processo de correção dos exames nacionais.Foto: António Pedro Santos / Lusa

A horas do fim do prazo, professores continuam a receber novos itens para classificar

O Governo iniciou um procedimento de controlo de qualidade para “consolidação do processo e validação de que cada exame realizado em papel tem correspondência exata ao seu ficheiro digitalizado”.
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A menos de 24 horas do fim do prazo de classificação, docentes continua a receber novos itens para classificar. Segundo o DN apurou, os professores estão a ser contactados, ao longo do dia, pelas escolas e pelo Júri Nacional de Exames.

Uma professora de Matemática, que não quis identificar-se por temer represálias, recebeu esta manhã mais de 160 itens para corrigir da prova do 12º ano. “Não consigo entender. Reportei, várias vezes, por escrito e por telefone que não conseguia aceder aos exames na plataforma e hoje recebo uma chamada do Júri Nacional de Exames a pedir para voltar a tentar entrar na plataforma e a informar que tinha itens para corrigir”, conta.

A docente diz sentir-se “em pânico”, com medo de não conseguir cumprir o prazo, afirmando que “não será possível fazer uma correção rigorosa dos itens em tão pouco tempo”. O DN falou com dezenas de professores que continuam a relatar problemas no processo de classificação e a receber mais perguntas para classificar.

Contudo, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) garantiu, em comunicado” não haver risco de falta de rigor nas notas que serão publicadas na sexta-feira, dia 17. “O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) assegura todo o rigor e transparência do processo de classificação das Provas Finais e dos Exames Finais Nacionais”, pode ler-se.

No mesmo documento, o Governo explica que “está a decorrer, desde a semana passada, um processo normal de verificação de qualidade e validação do sistema de classificação eletrónica das Provas Finais do Ensino Básico (Matemática) e dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, por forma a garantir que os itens entregues aos professores para classificação estão completos e correspondem às respostas dadas pelos alunos nos exames em papel”.

Para o MECI, trata-se de um processo “normal e necessário devido ao facto de se ter identificado a existência de folhas de resposta mal digitalizadas (por exemplo, a folha tinha dobras), de folhas de enunciado ou de continuação de item que não foram digitalizadas ou até de provas que não foram inicialmente entregues às forças de segurança para o transporte para a Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM), tendo sido remetidas posteriormente”.

Todas estas situações, refere o comunicado, “obrigam a um rigoroso processo de verificação das provas e dos exames guardados na INCM e, caso sejam necessários, a contactos com as escolas”. “Este controlo de qualidade levou a que em alguns casos os professores classificadores tivessem de repetir a correção já efetuada.

Apesar do transtorno que este procedimento tem causado aos professores, o mesmo demonstra a importância do processo de validação em curso, para garantir a correção de todas as falhas identificadas e, assim, o rigor da avaliação externa”, sustenta. O MECI recorda que a correção digital aplicada a todos os exames e provas, feita pela primeira vez, “requer a alocação de um elevado número de recursos humanos, inclusivamente durante o fim de semana”.

Sobre as alegadas falhas na confidencialidade, o Executivo nega essa possibilidade porque “todas as provas depositadas e guardadas na INCM estão anonimizadas, não podendo, por isso, ser quebrado o anonimato, o que só poderá ser feito nas escolas”. “No mesmo local não decorre qualquer processo de classificação, pelo que a credibilidade do processo não poderia ser afetada por estas atividades de verificação”, explica.

O MECI reafirma ainda o seu agradecimento “pelo empenho, dedicação, disponibilidade e sentido de responsabilidade de todos os professores e técnicos envolvidos neste processo”. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, pediu desculpa aos professores pelos constrangimentos no processo de correção dos exames nacionais. 

Professores acusam ministério da Educação de ignorar alertas dos docentes sobre exames

O movimento “S.O.S. Escola Pública” acusa o ministro da Educação, Fernando Alexandre, de ter ignorado os alertas dos professores durante o processo de classificação dos exames nacionais e de procurar agora afastar responsabilidades pelas falhas registadas. Em comunicado, o movimento sublinha que o governante se limitou a decidir “sozinho” e considera que apresentou um “pedido de desculpas extremamente tardio”.

A organização critica ainda a alegada “desresponsabilização” da equipa ministerial, do Eduqa e do Júri Nacional de Exames. O movimento defende que os professores não pedem horas extraordinárias, mas sim “tempo para classificar com qualidade e rigor”, e refere continuar a receber relatos de docentes chamados a corrigir repetidamente os mesmos itens.

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