Ventura acusa Seguro de “discurso vago e redondo” e pede defesa da polícia
O líder do Chega criticou esta terça-feira, 28 de outubro, o Presidente da República por não ter “deixado uma mensagem clara de apoio” à atuação da polícia nas manifestações pela habitação e considerou que “um discurso vago e redondo” não traz soluções.
“Queria lamentar profundamente que o Presidente da República não tenha deixado uma mensagem clara de apoio, quer à lei, quer aos que estavam a garantir o cumprimento da lei e a garantir o cumprimento da legalidade”, afirmou.
André Ventura considerou que, “enquanto chefe de Estado e representante maior das instituições”, António José Seguro devia ter-se “colocado ao lado daqueles que estavam apenas a cumprir a lei e a ordem e são também vítimas dos custos de habitação e do custo de vida”, e voltou a defender que a ação da polícia foi justificada porque a lei das manifestações não estava a ser cumprida pelos manifestantes.
O líder do Chega falava aos jornalistas na Assembleia da República, numa reação às palavras do Presidente da República na sequência dos protestos pelo direito à habitação e à intervenção da polícia na madrugada de domingo.
António José Seguro apelou ao diálogo sobre a habitação "e nunca a violência", afirmando que não gostou das imagens que viu, mas que aguarda o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial sobre manifestantes.
O presidente do Chega considerou que o chefe de Estado “deve compreender que manter permanentemente um discurso vago e redondo sobre as coisas não ajuda a solução nenhuma”.
“António José Seguro diz que apelou ao diálogo e quer diálogo. Mas que diálogo? Quer que o Chega deixe passar um aumento das rendas sem qualquer controlo? Quer que o Chega deixe passar o aumento de cauções ilimitadamente? Isso é que é o diálogo que o Presidente da República pede ao Chega em relação ao PSD e em relação à lei das rendas? Quer dizer, é preciso concretizar o que é que se está a falar”, defendeu.
O líder do Chega defendeu que as rendas devem estar sujeitas a uma “atualização limitada, como já existe na lei, e não a um descontrolo total”, que “na prática vai gerar aumentos brutais”. Também no que toca às cauções, o Chega quer limites, um dos pontos abrangidos pelo acordo com o PSD.
André Ventura disse que não se percebe “o que é que o Presidente da República está a pedir aos interlocutores políticos” e pediu a António José Seguro que concretize quando diz que não gostou do que viu no fim de semana e também quais as medidas com as quais concorda para solucionar a crise da habitação.
“Um Presidente da República não pode ser sempre em cima da ponte. Tem que tomar decisões, tem que assumir riscos e tem que assumir posições. Penso que esse foi o maior erro que foi hoje cometido”, criticou.
O deputado assinalou também que, além do acordo com o PSD para alterar a lei do arrendamento, o Chega fez outras propostas recentemente, como o aumento das deduções em IRS das despesas com a habitação.
Quanto à lei das rendas, Ventura voltou a dizer que as negociações ainda não arrancaram “porque o PSD ainda não propôs nada na especialidade”.
“Quando acontecer, há de acontecer. O meu diálogo com o PSD é... mais ou menos”, acrescentou, depois de dizer que o Chega tem um “sempre [um diálogo] muito positivo com toda a gente”.
E afirmou que “é o Governo que tem que tomar agora a iniciativa, e o PSD, de colocar a lei na especialidade à discussão”.
