António José Seguro foi acompanhado pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha e Álvaro Guerreiro, presidente da comissão de honra das comemorações dos 150 anos dos bombeiros da cidade.
António José Seguro foi acompanhado pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha e Álvaro Guerreiro, presidente da comissão de honra das comemorações dos 150 anos dos bombeiros da cidade.Foto: Miguel Pereira da Silva / Lusa

Elementos da Comissão de Honra de António José Seguro pedem intervenção do Presidente da República

Numa carta enviada a Belém assinada por personalidades da sociedade civil é solicitado que Seguro condene a ação policial. Cartazes nas ruas já visam o Presidente. Ex-ministras socialistas também.
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Vários elementos da comissão de honra da candidatura de António José Seguro à Presidência escreveram este domingo, 25 de outubro, uma carta, enviada a Belém, pedindo que o Presidente da República comente a carga policial nas manifestações em Lisboa e Porto.

Entre outros, Capicua, Pedro Abrunhosa, Valter Hugo Mãe, Helena Roseta e o advogado Ricardo Sá Fernandes assinam a missiva, solicitando que o Presidente da República apele à moderação e que critique uma "carga policial desnecessária e desproporcional."

No documento, sublinham que a atuação da polícia está a ser justificada com uma lei anterior à Constituição da República. Dizem que a norma não foi invocada para dispersar outras manifestações no passado. Consideram que a situação "gera um alarme justificado junto dos portugueses e coloca em causa direitos fundamentais".

"Num Estado de Direito democrático, nunca pode ser admissível que, numa circunstância em que não há violência nas ruas, seja a polícia a iniciá-la", defendem os assinantes, vincando que se torna "urgente e inadiável ouvir a voz do Presidente da República."

Na conclusão, os subscritores advogam que o "silêncio não acalma a violência" e que "só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos."

Nas manifestações que se reiniciaram pelas 17h00 no Rossio, em Lisboa, os cartazes têm já várias menções ao silêncio de António José Seguro. As manifestações pela habitação digna começaram há 15 dias; no dia 15 de outubro a carga policial, no Porto, levou a uma série de feridos e três dezenas de detidos e o Ministério Público viria a instaurar um inquérito ao procedimento. Os protestos alastraram a Lisboa e durante a semana foi sabido que Seguro, após o Orçamento do Estado, convocaria partidos para discutir a coesão social, guardando para novembro este mesmo tema para o Conselho de Estado.

José Luís Carneiro preferiu não pedir intervenção de António José Seguro. "Há um debate com os partidos sobre coesão social, no qual estará o tema da Habitação. Haverá um Conselho de Estado no mesmo sentido. O PS levará as propostas para responder à emergência na Habitação, tal como algumas de médio e longo prazo", referiu sobre a ação do socialista eleito nas Presidenciais, concluindo que Seguro tem "sede própria para abordar as questões que entender."

Entre socialistas há divisão neste capítulo. Alexandra Leitão, vereadora socialista em Lisboa, disse ao DN que, no seu entender, "o Presidente da República tem de intervir." Ana Catarina Mendes, também ex-ministra no Governo de António Costa, questionou nas redes sociais: "Onde está o Presidente da República?"

A esquerda já tinha pedido ação pública do Chefe de Estado. Este domingo, o Livre instou Seguro a pronunciar-se.

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