Coro das Caldas foi para a porta de Seguro pedir-lhe para mostrar a cara
Não se tratou de uma serenata, nem tão pouco das janeiras, mas um grupo coral das Caldas da Rainha, cidade onde vive o Presidente da República, instalou-se à porta de António José Seguro na noite de segunda-feira, 26 de outubro, a pedir-lhe, através da música, para mostrar a cara.
O Jornal das Caldas conta que cerca de 30 elementos do Social do Bairro chegaram à porta da casa do Presidente da República pelas 22h00 e interpretaram temas a apelar a pronunciar-se acerca das intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e Porto pela habitação.
Num deles cantava-se "Mostra a cara/Abra a boca Senhor Presidente/Quebra o silêncio que nos morre/Que nos mata/Mostra a cara/Sai de casa, vem ‘pras ruas/Nossas ruas, nossas praças/Acampadas” - versos que terão feito parte de uma declaração lida por manifestantes no Rossio.
Eu Vi Este Povo a Lutar (Confederação), de José Mário Branco, e Acordai, de Fernando Lopes-Graça, foram outros temas interpretados pelo coro, dirigido pelo maestro Tiago da Neta, segundo o Jornal das Caldas, que refere que a permanência à porta de António José Seguro demorou alguns minutos e não registou qualquer incidente.
Na sequência das intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e Porto pela habitação, várias personalidades, entre elas elementos da Comissão de Honra de Seguro e os partidos à esquerda, têm criticado o silêncio do Presidente da República relativamente a esta matéria.
Esta terça-feira, os 55 manifestantes pelo direito à habitação detidos há uma semana no Rossio vão comparecer perante o Ministério Público para ficar a saber que rumo será dado ao processo. Segundo a Procuradoria-Geral da República, poderão ter o processo suspenso provisoriamente, se assim concordarem, ou serem remetidos para julgamento em processo especial sumário.
Está prevista, a partir das 10h00, uma vigília no Campus da Justiça para apoiar estas pessoas.
Num dia em que começa a votação na generalidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027, a partir das 18h30, haverá uma concentração em frente à Assembleia da República, convocada pela plataforma Casa para Viver. A Acampada de Lisboa associou-se à iniciativa, apelando a que depois seja montada, junto ao parlamento, a sua habitual assembleia popular: “É Acampada no parlamento! Poder popular do Rossio a São Bento!”.

