O Tribunal de Contas (TdC) identificou várias irregularidades na gestão financeira da Polícia Judiciária (PJ) durante 2023, quando a instituição era dirigida por Luís Neves, atual ministro da Administração Interna, mas oprtou por não aplicar sanções. A informação consta da auditoria às contas da PJ relativa a esse ano, concluída em dezembro de 2025 e divulgada pelo site Observador.O parecer às contas da PJ nesse ano foi classificado como "favorável com reservas". Entre as situações apontadas pelo TdC estão contratos celebrados com a Petrogal, para o fornecimento de combustível, e com a agência de viagens Clube Viajar que, segundo o relatório, não respeitaram as regras da contratação pública. A auditoria identifica ainda irregularidades na utilização de cartões de crédito para aquisição de bens e serviços, a inexistência de um fundo de viagens e alojamento, problemas na atribuição de telemóveis e falhas no registo contabilístico de intervenções realizadas em imóveis da PJ.O relatório dedica também várias críticas ao recurso frequente pela PJ ao mecanismo de contratação excluída - que afasta a obrigatoriedade de concurso público ou ajuste direto formal - para adjudicar contratos sem os procedimentos habituais da contratação pública. Segundo o Tribunal de Contas, a instituição invocou "motivos de defesa de interesses essenciais do Estado, especiais medidas de segurança, reserva, confidencialidade, identificação minuciosa dos trabalhadores [e] deveres de sigilo", mas conclui que, "nalguns desses processos, a fundamentação não se encontra suficientemente clara e densificada de modo a justificar o recurso à contratação excluída".Entre os contratos analisados encontra-se uma empreitada adjudicada à Construbarcelos – empresa do empresário João Santos Carvalho, o mesmo que efetuou trabalhos numa propriedade privada de Luís Neves no Alentejo - para obras nas instalações da PJ na Guarda. O contrato, inicialmente celebrado por cerca de 334 mil euros, acabou por atingir aproximadamente 448 mil euros. Apesar do aumento do custo, o Tribunal de Contas validou a legalidade do procedimento, centrando as críticas na fundamentação do recurso ao regime de contratação excluída. Segundo o Observador, entre 2019 e 2025 a PJ celebrou 17 contratos com a empresa, no valor global de 2,2 milhões de euros, dos quais apenas cinco foram publicados no Portal Base.A auditoria identificou ainda deficiências no controlo do património, fragilidades na gestão da frota automóvel, do armamento e munições e a inexistência de um sistema de controlo interno suficientemente robusto, além de falhas na articulação entre serviços e nos sistemas de informação. No total, o TdC formulou cerca de duas dezenas de recomendações, algumas dirigidas a Luís Neves, defendendo a revisão e uniformização dos procedimentos internos para reforçar os mecanismos de controlo e a gestão financeira..Rogério Alves: Investigação da procuradoria europeia “não tem de significar que haja elementos novos” .Procuradoria Europeia investiga adjudicações de obras da PJ com Construbarcelos.Construbarcelos recebeu 973 mil euros do PRR para obras na sede da PJ na Guarda