Seguro evoca relatório PISA e afirma que Portugal tem "muito caminho a recuperar"
O Presidente da República, António José Seguro, deixou esta segunda‑feira, 21 de setembro, na inauguração da Escola Secundária de Cascais, um aviso sobre os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment, um relatório sobre o desempenho dos alunos de cada país relativamente aos padrões estabelecidos pela OCDE) e sobre a forma como o país deve encarar a leitura e o conhecimento, tendo em conta que os resultado "mostram que Portugal tem muito caminho a percorrer. Infelizmente, a expressão correta é muito caminho a recuperar", afirmou, defendendo que estes dados devem ser lidos "com serenidade, mas também com ambição".
António José Seguro já tinha assumido uma posição de preocupação face aos resultados do relatório PISA, durante uma intervenção no encontro Book 2.0, no Centro Cultural de Belém, onde lembrara que, "quarenta anos depois da criação da Rede de Leitura Pública, é necessário um novo impulso nas políticas de educação para a leitura e para o enriquecimento cultural. Isso fará de nós uma nação que lê. É um trabalho que diz respeito à escola, em primeiro lugar, mas também à família e a cada um de nós, portugueses".
O chefe de Estado considerou que a escola tem de garantir que "as circunstâncias económicas e sociais de uma criança não podem determinar o seu futuro", sublinhando que o chamado elevador social "está muito aquém da velocidade desejável". Para o Presidente da República, a resposta passa por reforçar a literacia, a capacidade crítica e o papel central da leitura. "Leiam, leiam, leiam", apelou, lembrando que ler é “compreender”, "distinguir um facto de uma opinião" e "ganhar liberdade". A este propósito, António José Seguro alertou também para os riscos do imediatismo das redes sociais. "É necessário incentivar o espírito crítico, duvidar, colocar em causa axiomas que nos são oferecidos nos vários ecrãs", disse, defendendo que a escola não pode afastar‑se deste debate.
Seguro pediu que se evite "o impulso de cair numa leitura polarizada" e que se aposte na "literacia e capacidade de análise crítica".
Na sua intervenção, reforçou ainda que a educação é "uma promessa de liberdade" e que a escola deve ser o lugar onde cada jovem descobre que "pode saber mais do que aquilo que já sabe" e que o seu caminho "não tem de ser determinado pelo lugar onde nasceu".
Deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao professores, afirmando que "ensinar é uma das formas mais exigentes e mais nobres de servir o bem comum".
A Escola Secundária de Cascais foi esta segunda-feira inaugurada, depois de ter estado alojada durante cinco décadas em instalações provisórias. Por este motivo, o Presidente da República lembrou que, "desde 1975, gerações de alunos cresceram entre estas paredes".
Numa evocação emocionada sobre a "Poli" – como a escola é conhecida – António José Seguro lembrou as gerações de alunos que, à margem daquelas paredes novas, construídas com um investimento de 32 milhões de euros – 24 dos quais ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) –, "fizeram aqui amigos, descobriram vocações e começaram a desenhar o seu futuro. Um pouco no que com ironia chamamos à portuguesa", lançou.
"A escola nasceu como uma solução provisória e acabou por acompanhar mais de meio século da história de Cascais. Hoje, essa história abre uma nova página", considerou.
