António José Seguro promete exigência no exercício da Presidência da República.
António José Seguro promete exigência no exercício da Presidência da República.FOTO: Gerardo Santos

Seguro defende legislatura até 2029, mas vai fiscalizar Governo e com um estilo diferente de Marcelo

Vincando a estabilidade e cooperação, socialista afirma que supervisionará se os 2,5 mil milhões de euros chegam às populações afetadas pelas intempéries. Não fala de uma bolha de oxigénio para o PS.
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António José Seguro discursou durante 20 minutos. Como notas principais, prometeu um estilo diferente de Presidente da República e garantiu, tal como Luís Montenegro pedira, estabilidade política. "Sublinho o trabalho de Marcelo em prol do nosso país, tal como o de todos os outros Presidentes, mas servirei Portugal com o mesmo dever e com o meu próprio estilo. Sou livre, vivo sem amarras. Afirmei-o em junho na apresentação, repeti-o largos meses. Assim agirei. A minha liberdade é a garantia da minha independência. A minha lealdade à Constituição, reafirmo a independência tratando da mesma forma todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais", começou por dizer, prometendo que o "adversário" deixou de o ser e que agora tentará "com todos um compromisso para uma legislatura duradoura.

Foi nesse ponto que precisou a importância da estabilidade. "Prometi lealdade e cooperação com o Governo e cumprirei a minha palavra. Vou ser exigente com soluções e resultados, não serei oposição. A estabilidade que defendo é para garantir governabilidade e mudanças, não para manter tudo na mesma. Terminado um ciclo de nove meses com quatro eleições, existem três anos sem eleições. É uma oportunidade única para resolver os problemas que enfrentamos: no acesso à habitação, ao emprego para os jovens, na Saúde, Justiça e melhores condições para os portugueses. É preciso planear eficácia do Estado para a reação às tempestades. Serei o impulsionador dessa mudança, no compromisso rumo às soluções", destacou. Quando instigado a comentar a continuidade da legislatura até 2029, asseverou: "Não será por mim que será interrompida."

Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas Caldas da Rainha.
Subiu ao palanque e e surpreendeu todos: a festa de Seguro nas Caldas da Rainha.Gerardo Santos

Apesar de vincar a cooperação, Seguro deixa avisos ao Governo. E a situação de calamidade que Portugal viveu terá supervisão a partir de 9 de março. "A solidariedade dos portugueses foi heroica, mas não chega. Não aceitarei a demora dos apoios, os 2,5 mil milhões têm de chegar já. Não esquecerei, não os abandonarei. Esses apoios têm de chegar já. A resposta à dor não é o grito, é o trabalho. Precisamos de um país preparado, não de um país ao improviso face aos fenómenos atmosféricos que serão mais frequentes", alarmou, prosseguindo: "Junto do Governo e partidos vou procurar compromissos para políticas públicas duradouras. Que se concentrem em encontrar soluções. A política tem de servir para resolver os problemas das pessoas ou então não serve para nada. E vou ser exigente."

Prometendo respeitar as funções de Marcelo Rebelo de Sousa até à tomada de posse, Seguro acrescenta que "dentro do quadro de transição, tudo o que puder ajudar no sentido de os apoios chegarem rapidamente" assim fará. Quanto ao futuro, anunciou que a primeira reunião do Conselho de Estado será "de Defesa e Segurança, o que inclui criminalidade e de pessoas e bens." "O Estado tem de responder mais rapidamente a catástrofes e prevenir as consequências. Todos podemos minorar esta situação. O Estado não pode aligeirar as suas responsabilidades", voltou a alertar.

Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na eleição a 9 de fevereiro de 2026.
Aclamado pelo povo, Seguro teve um auditório a abarrotar na eleição a 9 de fevereiro de 2026.Gerardo Santos

Naturalmente, não deu grande impacto a uma pergunta que o desafiava a declarar se só faria um mandato na Presidência, repetiu querer "elevar a fasquia do debate público" e reconheceu que pediu confiança, mas que "não esperava atingir uma vitória desta grandeza."

Foi desafiado a pronunciar-se sobre Margarida, a esposa. "Espero não a perder durante o mandato [risos]. Respeitarei as suas decisões. Sei que contarei com a Margarida sempre que as exigências do Estado assim a exigir. Agora, é empresária e tem vida própria e eu respeito-o", declarou, desvalorizando que tenha, a sua esposa, de ter função de primeira-dama. A seguir, a plateia reagiu e começou a entoar o nome de Margarida.

Foi questionado sobre a política de Defesa, vincando ser "europeísta convicto", garantindo que tudo fará que Portugal se possa "integrar na autonomia estratégica europeia."

Quanto à possível galvanização que o PS possa ter com a vitória, Seguro desvalorizou. "A vida do PS é com o líder do PS. Tenho orgulho no passado e nas raízes, nunca o escondi. Mas não tenho atividade partidária há 11 anos. Quanto à entrega do cartão de militante, é um gesto simbólico que outros fizeram. Penso que mesmo quando tinha atividade partidária assumi essa independência, é isso que eu farei. Estou acima dos partidos", concretizou.

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