“Quero começar por saudar os portugueses que "serviram na mesa de voto o cumprimento da democracia”, começou Luís Montenegro por dizer esta noite, na reação às primeiras projeções eleitorais que dão uma vitória confortável a António José Seguro.“Nesta palavra de reconhecimento e gratidão quero também deixar uma menção a todos os autarcas tanto das Câmaras Municipais como das Juntas de Freguesia que possibilitaram também que tudo tivesse corrido dentro da normalidade”, referiu ainda, numa referência sobretudo aos territórios mais afetados pelas tempestades dos últimos dias, e à elevada adesão ao ato eleitoral que hoje colocou a abstenção em mínimos de 20 anos.“Quero deixar uma palavra de felicitação ao António José Seguro, Presidente da República eleito”, afirmou publicamente, adiantando que já tinha falado com o novo presidente eleito, bem como com o candidato vencido, André Ventura. “Ao Dr. António José Seguro garanti em nome do Governo toda a disponibilidade para trabalharmos em prol do bem de Portugal para salvaguardarmos o interesse de todos os portugueses, com toda a cooperação, com todo o sentido de servirmos Portugal e o povo português de forma construtiva e positiva, na qualidade que a Constituição atribui a cada um. Cooperação e contribuição serão nota dominante que garantirá a estabilidade política em Portugal, juntamente com estabilidade económica e social neste período que agora abrimos de três anos e meio sem eleições”, continuou ainda, num apelo claro àquilo que espera que sejam os próximos tempos.Depois de três atos eleitorais em menos de dois anos, Luís Montenegro ficou o seu discurso, essencialmente, na estabilidade, numa espécie de apelo aos maiores partidos da oposição desde o Porto, onde reagiu aos resultados destas Presidenciais.Assim, disse ainda que acredita que agora vai ser possível dar continuidade “ao programa do Governo, com ele trazendo resolução de muitos problemas que afligem a vida dos portugueses, em particular nos serviços públicos de saúde, no acesso a todos à educação, esse bem essencial para garantir igualde de oportunidades…” E aproveitou a ocasião para reafirmar “também o propósito de continuar a reformar o Estado, naquilo que é a necessidade de entender de forma mais rápida a necessidades das pessoas e das empresas, tornar o Estado mais eficiente e deixar às gerações futuras um território futuro”, que considerou o nosso “bem mais essencial”.Insistindo na estabilidade, acrescentou que “este período de três anos e meio sem eleições nacionais que se abre agora é, pois altura de todos poderem estar com o sentido de cumprirem aquelas que foram as garantias que deram ao povo português. Todos os órgãos de soberania estão legitimados. O Governo foi a votos duas vezes no espaço de 14 meses. O Presidente da República foi eleito hoje mesmo. E a Assembleia da República. Nestas três dimensões, o povo português encontra a representação política e a esperança para ver os seus problemas ultrapassados”, garantiu.“O Governo encontra na Assembleia da República e no Presidente da República eleito os parceiros para tratar daquilo que é de todos, com ambição e sentido de convergência e responsabilidade, para cumprir o seu programa e cumprir também, por essa via, a democracia”.Questionado sobre a possibilidade de um próximo Orçamento do Estado não passar na Assembleia da República – o que poderia causar nova queda do Governo – Luís Montenegro afirmou que “o governo tentará que nenhum dos dois maiores partidos da oposição votem contra o OE” e que tem noção de que a minoria com que governa obriga ao diálogo e obrigará a encontrar consensos. No mesmo sentido, afastou ainda que estas eleições tenham sido uma qualquer espécie de rejeição à sua governação, lembrando que não era o Executivo que estava em causa nesta ida às urnas.“O governo é de todos os portugueses, e a liderança do governo é do primeiro-ministro e da Aliança Democrática, que venceu nas ultimas eleições. Nada disso esteve em causa nestas eleições presidenciais. O que compete ao Governo é executar o seu programa de forma firme e com a humildade democrática de quem sabe que não tem uma maioria”, atirou.