Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Lisboa teve subida galopante nas rendas.Foto: Orlando Almeida/global Imagens

Rendas em Lisboa subiram 103% em dez anos e comissário europeu pede contenção no Alojamento Local

Capital portuguesa é apresentada como um dos casos mais preocupantes. Carlos Moedas aprovou áreas de contenção absoluta nos 10%. Atual proposta europeia não baixava dos 20%.
Publicado a
Atualizado a

O comissário europeu para a Habitação, Dan Jørgensen, deu esta quarta-feira, 9 de setembro, Lisboa como um dos exemplos de maior pressão sobre o mercado habitacional. “Estamos perante uma crise habitacional. Temos, de facto, de agir", referiu em conferência de Imprensa. Para este responsável, o problema tem objeto de intervenção premente: o alojamento para arrendamento de curta duração -- o Alojamento Local (AL) -- "é parte do problema em muitas cidades".

Apesar de a Comissão Europeia identificar a necessidade de construção de novas habitações, entende que, primordialmente, as subidas das rendas se devem à oferta turística. Jørgensen destaca que as rendas aumentaram "59% em Berlim e 75% em Madrid na última década". "Em Lisboa, a subida foi de 103%", disse.

"Se olharmos para o que aconteceu com os preços, é bastante preocupante. Os números contam-nos uma história clara", afirmou o comissário europeu para a Habitação.

A Comissão apresentou neste dia a nova proposta para a Lei da Habitação Acessível e nela está previsto que os Estados-membros e as autoridades locais possam limitar o alojamento local em zonas onde exista pressão habitacional, dando assim aos Estados-membros (e concretamente ao poder local) um quadro regulatório único comunitário.

As restrições terão de ser justificadas com dados objetivos, que comprovem como a expansão de AL ou equivalente (como o Airbnb) tem afetado a oferta de habitação nos últimos três anos. Em caso de aprovação, as restrições podem vigorar durante cinco anos.

A vice-presidente Executiva da Comissão Europeia responsável pela Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, fez contas à preocupação por ver que "em alguns destinos, os alojamentos para arrendamento de curta duração podem representar até 20% das habitações."

A proposta terá ainda de ser negociada pelo Conselho da União Europeia, que reúne os ministros dos 27 Estados-membros, e pelo Parlamento Europeu, o órgão da UE eleito diretamente pelos cidadãos europeus.

A visão dos partidos em Lisboa

Em Portugal, a competência de reapreciação de registos foi retirada aos municípios no final de 2024. No caso concreto de Lisboa, o presidente da Câmara, Carlos Moedas, aplicou duas vezes medidas suspensivas para o contornar. Sem ter fechado o regulamento em setembro de 2025, a oposição acusou a ilegalidade da medida e o fim das moratórias, enquanto o presidente da capital advogou que, face ao hiato para tomar posse, ganhava três semanas mais sem que o Alojamento Local ficasse desregulado, ou seja, sem que qualquer proprietário se pudesse candidatar a licenças. 

A Câmara Municipal garantiu ao DN, há cerca de um ano, que face à suspensão de novas licenças, não houve novos registos, como tal o problema não se agravara.

A 27 de novembro de 2025, foi então aplicado o novo regulamento do Alojamento Local. Na altura, os dois vereadores do Chega (Ana Simões Silva passou a independente e é vereadora da coligação PSD-CDS-PP-IL) votaram favoravelmente, colocando-se ao lado dos oito mandatos da coligação PSD-CDS-PP-IL.

Moedas propôs que em áreas de contenção absoluta o novo regulamento para o Alojamento Local seja reduzido de 20% para 10% e em contenção relativa passe de 10% para 5%. Esses 20% que são referidos pela Comissão Europeia foram, portanto, já minimizados pelo edil de Lisboa. O que não significa que não exista uma regulamentação europeia mais apertada no futuro.

A proposta do PS, que previa rácios de 2,5 e 5% em Lisboa foi rejeitada pela direita, apesar dos votos favoráveis de Livre, Bloco e PCP, numa matéria em que toda a esquerda pedia maiores restrições ao Alojamento Local.

Essa mesma minoria na Câmara Municipal criticou a ação de Moedas por precisar que os números do novo regulamento duplicarem os que estavam em consulta pública e que eram públicos e subscritos pela anterior liderança PSD-CDS-PP, ainda sem a Iniciativa Liberal na coligação.

Em 2014, existiam menos de 500 Alojamentos Locais. Em 2019, segundo dados recolhidos pelo DN, passaram para 18.500.

O Chega tinha uma visão diametralmente oposta, não vendo, à época, necessidade de regulação. "O problema da falta de habitação não se prende com o Alojamento Local, mas sim com a sobrelotação resultante da imigração", disse Bruno Mascarenhas ao DN em novembro do ano passado.

Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Lisboa. PS quer obrigar promotores a ceder espaço para habitação pública
Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Bruxelas propõe limites ao alojamento local para promover habitação acessível
Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Lisboa. Novas regras do Alojamento Local serão aprovadas apesar da recusa da esquerda
Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Alojamento Local. Chega viabiliza proposta de Carlos Moedas e rácios em Lisboa passam a estar nos 5% e 10%
Lisboa teve subida galopante nas rendas.
Alexandra Leitão acusa Moedas sobre o fim de moratórias no Alojamento Local: "Fê-lo com dolo ou negligência"
Diário de Notícias
www.dn.pt