"Deixei o compromisso de que tudo farei, dentro da razoabilidade política, para garantir a estabilidade. Temos condições políticas para trabalhar em prol do país.” A declaração é de André Ventura, presidente do Chega e adversário derrotado por António José Seguro na segunda volta das presidenciais, feita logo após o novo Presidente da República ter tomado posse. Uma garantia que o líder da segunda maior força política no Parlamento admitiu não ser incondicional. Questionado sobre a promessa de estabilidade de Seguro para evitar mais eleições antecipadas, Ventura lembrou que esse desejo “tem um limite”. “O princípio é bom, mas esbarra na realidade parlamentar muitas vezes”, sublinhou, expressando o desejo de “trabalhar em conjunto para assegurar um mínimo de estabilidade que for possível, com o objetivo de fazer as reformas que o país precisa”, mas recordando, ao mesmo tempo, que discorda de “quase tudo” em relação às ideias do novo chefe de Estado.Visão contrária manifestaram PS e PSD, que viram no discurso de posse de Seguro ideias convergentes com as políticas que defendem. “Desde julho do ano passado, que o PS tem apresentado um conjunto vasto de propostas que estão precisamente de acordo com as preocupações do senhor Presidente da República. (...) O PS teve sempre um diálogo construtivo em função do interesse do país e, naturalmente, a abordagem apresentada pelo Presidente da República representa uma matriz que tem muito em comum com a sua própria abordagem”, afirmou José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, partido que apoiou Seguro na corrida a Belém. .“Expectativa positiva”. Seguro só não convence os eleitores do Chega.Por sua vez, Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, salientou que a mensagem do chefe de Estado foi “muito alinhada” com a do seu partido e a do Governo que apoia, ao considerar a estabilidade um meio para “transformar a vida das pessoas”. “O Governo tem repetidamente dito que esta legislatura deve chegar até ao fim, que não temos eleições no horizonte e que a estabilidade política é fundamental para que seja possível haver as transformações de que o país precisa, e precisa de muitas. Muitas delas estão a ser feitas, mas precisam de tempo”, afirmou, antes de deixar uma mensagem dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa, antigo líder do PSD que ontem se despediu de Belém após dois mandatos como Presidente da República: “Em nome do PSD e, sem abusar, julgo que em nome de todos os portugueses, a palavra é de gratidão e de reconhecimento pelo exercício do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Honrou e dignificou as instituições, mas prestigiou também a Presidência da República e, por essa via, os portugueses.”Quanto aos restantes partidos, Mariana Leitão (IL) concorda que “há todas as condições para que haja estabilidade”, tendo Paulo Raimundo (CDU) dito que “a estabilidade política pode ter muita importância no discurso, mas só vale se tiver consequências na vida das pessoas”. Rui Tavares (Livre) prometeu tudo fazer para “ser a base de apoio a essa estabilidade, desde que defenda democracia e a Constituição”, Inês de Sousa Real (PAN) falou no arranque de “um novo ciclo de estabilidade” e José Manuel Pureza (BE) pediu a Seguro “uma posição firme e clara contra o pacote laboral” e que “cumpra e faça cumprir a Constituição”..Exigente, próximo e moderado. O que os alunos do professor Seguro esperam dele em Belém