Sem referir uma data, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, voltou esta sexta-feira, 24 de julho, a garantir que, no "momento próprio" irá prestar todos os esclarecimentos sobre as polémicas que envolvem a sua propriedade em Odemira e o atrelado, apreendido durante uma operação de combate ao tráfico de droga, encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, do amigo empreiteiro João Carvalho. "O meu respeito pelo escrutínio e pelo vosso trabalho é total, mas também já disse que, no meu tempo, irei esclarecer, ponto por ponto, todas as questões que têm vindo a ser noticiadas, com toda a transparência, em todos os locais em que seja necessário. Fá-lo-ei convosco, no momento próprio, onde colocarão todas as questões", assegurou Luís Neves, quando questionado pelos jornalistas em Pedrógão Grande.Luís Neves pediu "respeito" pelo trabalho que está a realizar à frente do Ministério da Administração Interna, afirmando estar "muito focado", nomeadamente no que diz respeito ao combate aos incêndios florestais. “O meu trabalho, neste momento, o foco é na esfera da segurança interna, sobretudo no apoio e suporte a todas as estruturas que combatem os incêndios, que tenho acompanhado diariamente com os autarcas. Por isso peço o vosso respeito pelo meu trabalho, pela ação governativa na administração interna, estou muito focado em que possamos fazer este trabalho", disse. .Comissão de inquérito? "Ainda bem", reage Luís Neves à iniciativa do Chega . Realçou que, este ano, "desta vez" foi Portugal a ajudar outros países no combate a incêndios florestais, mais concretamente França, que recebeu dois aviões portugueses, ao abrigo do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.Perante a insistência sobre quando irá esclarecer as polémicas recentes que o envolvem, repetiu: "Não prestarei mais nenhuma declaração. Peço-vos que, da mesma forma que vos respeitamos, e eu respeito há muito anos, também respeitem o meu trabalho".Questionado sobre a decisão do Chega em avançar com uma Comissão de Inquérito potestativa, a partir da próxima sessão legislativa, aos mandatos em que esteve à frente da Polícia Judiciária, Luís Neves manifestou-se satisfeito pela iniciativa do partido liderado por André Ventura. "Ainda bem. Conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia Judiciária", reagiu. "Conforme já disse, no meu tempo próprio, prestarei os esclarecimentos que os portugueses merecem", repetiu o governante. Sobre a continuidade no cargo de responsável pela pasta da Administração Interna, garantiu: "Se sentisse que não tinha condições para estar neste lugar, não estava aqui a desempenhar o meu trabalho" .Chega vai avançar com Comissão de Inquérito a Luís Neves.Chega admite moção de censura mas “não a deseja”, diz Ventura. De acordo com o Expresso, a Polícia Judiciária não encontrou qualquer documento, ordem ou despacho que comprovasse a retirada do atrelado apreendido na Operação Pacoba, de combate ao tráfico de droga, de um parque da Autoridade Marítima, e a sua entrega à Construbarcelos, empresa de João Carvalho, empreiteiro amigo do então diretor nacional da PJ, Luís Neves, a mesma que efetuou obras numa propriedade do ministro da Administração Interna. A PJ esteve três dias, entre 14 e 17 de julho, a tentar perceber como é que o atrelado foi parar às instalações da firma, mas não teve sucesso, segundo o semanário. A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou a abertura de um inquérito relacionado com o caso do atrelado, não tendo atribuído a investigação à Polícia Judiciária.De referir que a polícia de investigação criminal anunciou, na semana passada, que abriu um inquérito sobre o atrelado que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos..PJ não encontrou ordem para deslocar atrelado que foi parar às instalações de empresa de amigo de Luís Neves.Caso Luís Neves. Montenegro diz que espera pelo fim do inquérito do Ministério Público