A Polícia Judiciária não encontrou qualquer documento, ordem ou despacho que comprovasse a retirada do atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga de um parque da Autoridade Marítima, e a sua entrega à Construbarcelos, empresa de João Carvalho, empreiteiro amigo do então diretor nacional da PJ, Luís Neves, avança o Expresso.A PJ esteve três dias, entre 14 e 17 de julho, a tentar perceber como é que o atrelado foi parar às instalações da firma, mas não teve sucesso.Segundo uma fonte judicial, não existe qualquer comprovativo oficial da movimentação e entrega da galera entre os dados transmitidos pela PJ ao Ministério Público.O atrelado estava carregado com milhares de litros de um produto químico usado para fabricar droga e acabou apreendido pela PJ depois de os inspetores terem recebido uma denúncia anónima de que esse material estava nas instalações da Construbarcelos.O veículo havia sido apreendido inicialmente em 2024, no âmbito da Operação Pacoba, que desmantelou uma fábrica de produção de droga sintética na região Oeste. Neste processo, que já foi distribuído a um juiz do Tribunal Central Criminal de Lisboa, não há qualquer registo da deslocação do atrelado.João Leitão, o advogado que representa o principal arguido do processo e proprietário da galera, Armando Caixeirinho, que está fugido à justiça, não foi notificado da deslocação.Refira-se que é obrigatório haver, nos autos do processo-crime no âmbito do qual um bem é apreendido, um registo de localização, que deve constar de uma plataforma informática que é partilhada pelo Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA), que faz parte da Polícia Judiciária, e pelo Gabinete de Administração de Bens (GAB), sob tutela do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ). A PJ pode mudar a localização, mas o procurador titular do processo terá de ser informado através de um despacho, que por sua vezes deve constar dos autos.Entretanto, a Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito relacionado com o caso do atrelado, estando em causa os crimes de abuso de poder e descaminho, sendo o suspeito o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves. O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, não escolheu uma polícia para o auxiliar na investigação..PGR investiga caso que envolve Luís Neves sem recorrer à PSP, GNR ou Judiciária.Barómetro DN/Aximage: Maioria considera que as explicações dadas por Luís Neves são insuficientes .Caso Luís Neves. Montenegro diz que espera pelo fim do inquérito do Ministério Público.IL quer debate com ministro da Administração Interna na Comissão Permanente do Parlamento