O Chega admite avançar com uma moção de censura ao Governo, se ficar demonstrado que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, incumpriu a lei no caso do atrelado com amoníaco apreendido numa investigação a uma alegada rede de tráfico de droga, quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ). Porém, o presidente do partido, André Ventura, garantiu ao DN que o Chega “não deseja” uma moção de censura e que só avançará com a mesma se outras instâncias não atuarem.“Sim, o Chega está disposto a isso, caso as instituições de controlo e as instâncias fiquem paralisadas. Sim. Mas não é o que desejamos”, disse André Ventura ao DN, quando questionado se admite avançar com uma moção de censura ao Executivo, se ficar patente que o atual ministro violou a lei, quando era diretor nacional da Judiciária.Esta quinta-feira, Luís Neves disse aos jornalistas que se sente “totalmente legitimado” para continuar o seu trabalho e que aguarda o desfecho da investigação em curso. Também Luís Montenegro recusou fazer comentários sobre o caso, afirmando que está a aguardar a conclusão do inquérito do Ministério Público. O primeiro-ministro tenciona “segurar” Luís Neves enquanto puder, tal como outro ministro que está debaixo de fogo, Fernando Alexandre, devido aos problemas com os exames nacionais.O facto de o próprio Montenegro ter afirmado, durante a averiguação à Spinumviva, que permaneceria em funções mesmo que fosse constituído arguido, cria um precedente que ajuda a “segurar” Luís Neves. Porém, Luís Montenegro estará consciente dos riscos. Ao que o DN apurou, o primeiro-ministro cancelou as férias deste ano por várias razões, entre as quais a necessidade de estar presente caso a situação no MAI se agravar.No Parlamento, a pressão sobre o ministro deverá aumentar. Para já, o cenário de uma Comissão Parlamentar de Inquérito apenas é admitido abertamente pelo Chega. “Ainda estamos em ponderação sobre isso, mas há essa probabilidade”, disse Ventura ao DN.Por sua vez, a Iniciativa Liberal pretende chamar o ministro da Administração Interna à Comissão Permanente no Parlamento, para prestar esclarecimento (ver notícia na página 36). Já o PS – cujo governo indicou Luís Neves para a liderança da PJ, em 2018 e novamente em 2021 – tem defendido que o assunto está a ser investigado pelas autoridades competentes e que não há razão para abrir uma crise política, nem para avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito, considerando que a mesma seria instrumentalizada politicamente pelo Chega.A possibilidade de uma comissão de inquérito potestativa já fora admitida pelo líder do Chega na quarta-feira. Na altura, segundo a Lusa, Ventura deu a entender que, se o ministro se afastar – ou for afastado –, esse mecanismo deixará de ter razão de ser, de modo a evitar a exposição pública de factos da vida interna da PJ. “Acho que temos que ter todos, aqui, o sentido de responsabilidade, de compreender que há coisas que podem ser evitadas se se tomarem as decisões certas a um determinado momento e evitar que as instituições colidam umas com as outras”, disse Ventura.