Um dia depois de Luís Marques Mendes afirmar que é candidato a Belém por “sentir” que pode “ser útil ao país", o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que esta candidatura "preenche os requisitos" para reunir o apoio do PSD. "O doutor Luís Marques Mendes preenche em absoluto os requisitos que nós estabelecemos para poder estar ao lado de uma candidatura ganhadora, que dê ao país um horizonte nos próximos anos da magistratura presidencial, que traga reforço da estabilidade política, reforço da cooperação institucional estratégica e serviços aos portugueses", disse Montenegro, em Bruxelas, à margem do primeiro retiro de líderes da União Europeia (UE). .Marques Mendes confirma que é candidato a Belém: “Tenho esta obrigação de retribuir o que o país me deu”.Marques Mendes pressiona PS a avançar com candidato a Belém? Socialistas querem nome fechado até dia 8.Questionado sobre as sondagens, que antecipam uma derrota de Marques Mendes, que vai oficializar nesta quinta-feira a sua candidatura, Montenegro disse que "está tudo em aberto". "Não há nenhuma candidatura, daquelas que se perfila, que esteja perto de obter metade dos votos mais um, ou seja que haja um desfecho na primeira volta. Só isso mantém tudo em aberto até ao fim", Na despedida do seu espaço de comentário na SIC, no domingo, ao fim de 12 anos, Marques Mendes disse ter a “obrigação de retribuir ao país o muito" que Portugal "lhe deu”. No que se refere aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, de que vai impor taxas aduaneiras sobre produtos europeus "muito em breve", o primeiro-ministro português defende o diálogo como solução. "A minha convicção é de que o aumento das tarifas que a administração vem anunciando não favorecem a economia dos EUA. É importante que a Europa veja este enquadramento numa perspetiva de diálogo", considerou."Não é preciso ser um Prémio Nobel da Economia para perceber que o aumento das tarifas sobre produtos que colaboram para a formação do preço do lado das indústrias americanas vai impactar um aumento de preços", declarou Luís Montenegro. O primeiro-ministro português assinalou que isso "já aconteceu quando a primeira administração Trump esteve em funções", altura na qual "as tarifas que foram impostas, por exemplo, aos produtos chineses, acabaram por redundar num aumento dos preços das próprias produções americanas".Ainda assim, Luís Montenegro vincou que "tudo aquilo que demana dos responsáveis políticos que representam a vontade popular dos respetivos países é sempre de levar a sério", pelo que Donald Trump "tem toda a legitimidade" de avançar com tais medidas, a seu ver."O presidente Trump foi eleito na base do voto popular dos americanos e, portanto, é preciso respeitar aquelas que são as suas posições, mas isto é um processo evolutivo e a minha convicção é que o diálogo político deve ser a chave para podermos ter condições económicas para ter boas taxas de crescimento, quer nos Estados Unidos, quer na Europa", adiantou Luís Montenegro."Agora, é preciso olhar para as questões com realismo. A Europa, nos últimos anos, teve excesso de regulamentação, teve objetivos talvez demasiado ambiciosos, naquilo que diz respeito, a ter regras similares aos outros blocos comerciais", disse ainda.*Com Lusa