Lisboa. PS questiona preparação para tempestades, BE quer explicações sobre presença do Chega em empresas municipais
Na reunião desta quarta-feira (4) da Câmara Municipal, a 13.ª do atual Executivo, o Partido Socialista vai questionar Carlos Moedas sobre "o grau de preparação de Lisboa em matéria de prevenção e resposta a tempestades", lembrando, no documento a que o DN teve acesso, que se prevê a "aproximação da depressão Leonardo, que trará chuva forte e vento intenso com rajadas até cerca de 100 km/h." Os socialistas liderados por Alexandra Leitão querem esclarecimentos sobre as medidas adotadas na Proteção Civil e a drenagem urbana.
Nessa mesma reunião, e face a ter mais tempo de intervenção do que outros partidos de oposição, o PS vai também incidir sobre o crescimento do consumo de drogas em Lisboa, lamentando a "falta de estruturas adequadas e consumo vigiado." O DN noticiou isso mesmo no final de 2025, com registos de sobrelotação nos espaços consignados, o que origina uma proliferação de consumo a céu aberto, com especial incidência em Alcântara, Campolide e Campo de Ourique (ler mais aqui).
Os vereadores do PS, segundo o documento a que o DN teve acesso, apontarão a "falta de uma estratégia clara que trate a toxicodependência como um problema de saúde pública com efeitos diretos na coesão urbana e na segurança da cidade."
Os socialistas e o Bloco de Esquerda coincidem no pedido de esclarecimentos sobre o abandono do projeto da residência universitária na antiga sede do Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro, que estava destinado a alojamento estudantil. O PS perguntará se o município foi consultado sobre a alteração do destino do imóvel e qual a sua posição perante o Governo. O Bloco foi mais longe e enviou ao Governo um pedido para saber qual o "fundamento técnico e jurídico detalhado que levou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação a considerar insustentável" uma proposta de residência universitária que não exigia investimento financeiro direto por parte do Estado", criticando a falta de respostas formais "à proposta apresentada por três instituições de ensino superior (UNL, ISCTE e IPL).
Além desse ponto, os bloquistas apontam a falta de transparência nas nomeações para cargos municipais com antigos elementos de listas do Chega, no caso a nomeação de Mafalda Livermore para vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa. No final da semana passada, o DN noticiou o comunicado enviado pela vereadora do Bloco de Esquerda Carolina Serrão, no qual considerou que a nomeação “levantava questões de transparência, de critérios de competência e de potenciais conflitos de interesse”.
O Bloco de Esquerda avançará ainda com perguntas sobre o reboque de bicicletas por parte da Polícia Municipal. O PCP, por João Ferreira, também adiantará questões nesse sentido.
No entanto, o ponto mais quente da intervenção de João Ferreira terá de ver com a "situação sobre respostas quanto às consequências do acidente do Elevador da Glória", lembrando os cinco meses da tragédia. "O apoio às vítimas" e "o retomar do funcionamento dos elevadores na cidade" estarão na agenda.
Câmara Municipal avança com requalificação da Rua Ferreira Borges
Carlos Moedas levará à reunião a obra de requalificação da Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique. "O projeto foi elaborado pelos serviços municipais, estando a sua execução a cargo da Lisboa SRU, empresa municipal de obras de Lisboa, pelo valor total de 5,5 milhões de euros", realça o município, destacando a importância da requalificação em domínios como a "segurança e a circulação automóvel" e a intervenção em "redes infraestruturais prioritárias, como é o caso do saneamento e iluminação pública." A Câmara Municipal prevê a divisão da obra "em três fases, com uma duração total de 19 meses", advogando que há "constante articulação com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique", atualmente tutelada por uma social-democrata. "
A requalificação da Rua Ferreira Borges integra-se numa visão integrada do Executivo Municipal para a freguesia de Campo de Ourique, que se cruza com as obras de extensão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa", detalha em nota enviada ao DN. Também vai a reunião "a isenção das taxas de ocupação do espaço público e publicidade para os comerciantes afetados pela realização da obra de requalificação da Rua Ferreira Borges."

