Na primeira reunião entre José Manuel Pureza, como coordenador do Bloco de Esquerda, e Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, a luta pela rejeição ao pacote laboral concentra as atenções. "Não só está rejeitado, como está derrotado e não vale a pena o Governo vir insistir neste pacote laboral, que é do Governo, mas diga-se de passagem, é também do Chega e da Iniciativa Liberal e ao serviço do patronato. Está rejeitado, acabou, retire-o”, defendeu Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas, na sede nacional do PCP, em Lisboa, após um encontro com uma delegação do BE, a pedido dos bloquistas.“O Governo pode bem insistir numa tática de autoritarismo, de imposição, mas será, uma vez mais, a unidade dos trabalhadores, será, uma vez mais, a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral que vai determinar a sua sorte”, avisou José Manuel Pureza, que salientou a "convergência assinalável" entre partidos, expressando convicção de que "esta luta vai ter uma vitória que será muito importante para a democracia portuguesa." Acrescentou ainda que "o Governo está isolado desde a greve geral" e que "este é o culminar de um caminho que já vinha sendo feito", disse em relação ao fim da discussão na concertação social..Um dia depois de as negociações acerca do anteprojeto do executivo terem falhado em sede de concertação social, Paulo Raimundo reiterou: "Nem era preciso ter tido o desfecho que teve ontem [segunda-feira] na concentração social para chegar a esta conclusão, mas ontem então foi o fim, acabou. O Governo tem de assumir a derrota, a força e a unidade dos trabalhadores derrotaram o pacote laboral. Ponto final, parágrafo. Não vale a pena estarmos a perder mais tempo com isso”, considerou, lançando uma provocação quanto ao Chega: "É preciso confrontar o Chega com as suas contradições diárias. Se o Governo quiser insistir e se tentar impor, com a ajuda ou a não ajuda de alguma demagogia e de ‘troca-tintismo’ do Chega, se quiser ir por aí, vai. Mas vai ter que assumir as consequências de procurar impor um pacote laboral que está rejeitado”, avisou.Já sobre se espera que o Presidente da República, António José Seguro, rejeite este projeto caso ele chegue até Belém, depois de ter assegurado que não promulgaria alterações à lei laboral sem acordo na concertação social, Raimundo considerou que “não há nenhuma necessidade” de o chefe de Estado “ser confrontado com uma legislação que está derrotada e rejeitada à partida”.Pontos de aproximação no custo de vida, políticas públicas e SaúdeO Bloco já reunira com sindicatos, designadamente as centrais sindicais UGT e CGTP. O PCP reunira com a CGTP e sindicatos setoriais, como educação e agricultura, bem como se associara na luta política coletiva para travar o pacote laboral. Os dois partidos estiveram de acordo na proposta para o lay-off a 100% quanto aos afetados pelo mau tempo em Portugal e estão, sabe o DN, em linha consonante em várias matérias nacionais, como o impacto do custo de vida e da inflação, as políticas públicas de habitação e, naturalmente, com uma atenção redobrada à Lei Laboral que pretende ser mudada pelo Governo.O Bloco tencionará reunir com vários partidos, desde PCP ao PAN, Livre e PS e nesta proximidade procurará pontos de contacto. José Manuel Pureza realçou que o pedido de reunião surgiu numa conjuntura de “ataque” do Governo e da direita.O bloquista disse ter identificado um conjunto alargado de “pontos de convergência” com os comunistas, nomeadamente na “luta contra a revisão do Código do Trabalho” mas também em matérias relacionadas com o aumento do custo de vida ou a saúde. Pureza também se insurgiu contra conflitos mundiais feitos à margem do direito internacional, matéria na qual os dois partidos convergem.“Foi esse o sentido desta reunião e saímos daqui com a convicção de que fizemos bem em vir conversar com o PCP”, afirmou, reiterando a notícia que o DN antecipada na segunda-feira.Pureza foi ainda interrogado sobre se esta reunião era uma consequência de ter rejeitado sectarismos quando foi eleito coordenador nacional do BE, com o bloquista a responder “evidentemente que sim” e a sublinhar que fez questão que a primeira reunião interpartidária da nova direção fosse com o PCP.O pacto para a Saúde pedido por António José Seguro também teve resposta de Pureza. Novamente de mira apontada à direita, pedindo combate único à esquerda. "Há longos anos que há um pacto para a Saúde, que é o pacto que destrói o Serviço Nacional de Saúde, que o desqualifica e esse é o pacto que tem prevalecido. O BE estará sempre, mas sempre, numa perspetiva que foi aquela que, aliás, uniu António Arnaut e João Semedo: na perspetiva de salvar o Serviço Nacional de Saúde e de o tornar um lugar qualificado no âmbito da democracia portuguesa, o lugar maior da democracia portuguesa”, afirmou..Bloco quer acomodar proposta do lay-off a 100% na despesa do Orçamento do Estado de 2027.Bloco de Esquerda quer demissão de Paulo Rangel e lança petição contra envolvimento de Portugal na guerra.PCP exige explicações urgentes do Governo sobre a utilização da Base das Lajes por parte dos EUA.Lei laboral e estratégias de luta. PCP recebe BE esta terça-feira para falarem de pontes comuns