José Manuel Pureza
José Manuel Pureza Foto: Leonardo Negrão

Bloco de Esquerda quer demissão de Paulo Rangel e lança petição contra envolvimento de Portugal na guerra

A posição foi tornada pública nas redes sociais pelo coordenador do partido, José Manuel Dureza criticou duramente a atuação do ministro e o que disse ser a falta de transparência do Governo português
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O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, exigiu esta sexta-feira (6) a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, acusando o Governo de ter permitido a utilização da Base das Lajes, nos Açores, por aviões militares dos Estados Unidos em operações relacionadas com os recentes ataques ao Irão.

A posição foi tornada pública através das redes sociais, onde Pureza criticou duramente a atuação do ministro e o que disse ser a falta de transparência do Governo português.

Os EUA fizeram sete voos a partir das Lajes para apoiar os ataques ao Irão. Trump violou o direito internacional e Portugal foi cúmplice. Rangel omitiu tudo e preocupou-se em arranjar desculpas. As desculpas já não colam e o ministro já não tem condições democráticas para o ser”, escreveu o dirigente bloquista na rede social BlueSky.

Para o Bloco de Esquerda, a utilização da Base Aérea das Lajes para apoiar operações militares dos Estados Unidos representa uma violação do direito internacional e compromete Portugal no conflito.

Petição contra a guerra

Em paralelo com o pedido de demissão de Paulo Rangel, o partido anunciou o lançamento de uma petição pública (antiguerra.bloco.org) contra o envolvimento de Portugal no conflito. O documento dirige-se ao Presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e ao ministro dos Negócios Estrangeiros e exige que o Governo português condene a agressão, considerada ilegal, contra o Irão por parte de Israel e dos Estados Unidos da América; e proíba o uso de infraestruturas e do espaço aéreo português para qualquer tipo de apoio a ataques militares.

O texto refere que, a 28 de fevereiro, forças militares dos Estados Unidos e de Israel realizaram bombardeamentos em território iraniano, numa operação que terá envolvido cerca de 200 aviões de combate e centenas de alvos.

A petição lembra que o aumento do movimento de aeronaves militares na base das Lajes já tinha sido registado dias antes da operação e que, confrontado com essa situação, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que os voos tinham sido alvo de “autorização tácita”, posição que o Bloco de Esquerda considera inaceitável.

Para o partido, essa autorização representa uma forma de cumplicidade de Portugal com um ataque que viola o direito internacional. A petição, intitulada “Portugal fora da guerra de Trump e Netanyahu”, defende ainda que apoiar a oposição democrática iraniana “é o oposto de bombardear o seu país e o seu povo”, apelando a que Portugal assuma uma posição clara “pela paz e contra o imperialismo dos Estados Unidos”.

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