Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), afastou o envolvimento de Portugal no conflito com o Irão. “Portugal não teve, nem teria, qualquer intervenção neste conflito”, afirmou, esta noite, em entrevista à CNN Portugal. “Portugal não teve, nem nunca teria, qualquer intervenção, porque Portugal não vai estar neste conflito; portanto, não vai intervir (...) não houve nenhuma intervenção nos ataques que tiveram lugar nesse dia”, respondeu.O Governo tem sido pressionado a explicar exatamente qual foi o papel da Base das Lajes, nos Açores, neste conflito no Médio Oriente. “Os Estados Unidos não estão a pôr e dispor de nada. Os Estados Unidos têm um tratado que existe há imenso tempo, que está perfeitamente regulado, e cumprem-no com rigor”, explicou Rangel.O país é um dos mais de 50 que possuem uma “autorização permanente” para o uso da base. “Como não havia nenhum pedido relativo a qualquer intervenção militar, foi ao abrigo dessas autorizações que, durante as semanas em que houve mais tráfego do que o habitual, elas foram concedidas”, detalhou. “Nós cumprimos o acordo até ao limite”, acrescentou..Carneiro exige que Montenegro esclareça uso da base das Lajes em ataque ao Irão.Ao mesmo tempo, vincou que se trata também de uma questão de “estratégia” com os Estados Unidos. “Estamos a falar de uma relação com um aliado que é estratégico para nós e que o será sempre. Portugal sempre precisou de um aliado atlântico, não é de agora. É algo que vem do século XIV. As pessoas, às vezes, nem têm noção de que estamos a falar de interesses estratégicos muito permanentes”, afirmou Rangel.Questionado sobre a posição de Espanha, o ministro afastou totalmente a comparação. “A posição portuguesa, quanto ao seu aliado Estados Unidos, foi sempre diferente da posição espanhola. Isso é histórico. Sabe que Espanha só se juntou à NATO em 1982. Portanto, temos uma posição diferente, o que é normal, porque a nossa independência foi sempre garantida por um parceiro atlântico”, referiu.Portugal como alvo?Paulo Rangel não respondeu diretamente quando questionado se o Irão pode ver Portugal como um alvo. "O Governo português reconhece que há uma ameaça, mas qualquer pessoa reconhece que há (...) que há ameaça do Irão, que é uma ameaça gravíssima. Veja, o Irão foi um dos maiores apoiantes da Rússia na guerra da Ucrânia", destacou.O ministro citou que o regime iraniano já atacou países com relações "funcionais" e que a ameaça não pode ser menosprezada. No entanto, sobre a posição de Portugal, ressaltou que é "de grande equilíbrio, que tem doutrina sobre política externa muito clara".O futuroQuanto ao “futuro” do uso da base, o Governo deu uma “autorização condicional”, com condicionantes. Vincou que as condicionantes são as seguintes: “A primeira é que [só pode ser] em resposta e, portanto, apenas como retaliação ou defesa”, disse.A segunda está relacionada com a necessidade. “Tem de ser necessária. Isto tem de obedecer aos princípios da necessidade e da proporcionalidade”, afirmou. A terceira é que sejam “apenas para alvos de natureza militar”.Indagado sobre se o Governo entende que Portugal cumpriu estas condições, Rangel evitou uma resposta direta. “A questão não é essa. Isto agora é para o futuro, não é para o que já passou".amanda.lima@dn.pt.Irão. EUA atingem mais de 1.250 alvos em 48 horas. Rangel diz que Portugal "não vai estar neste conflito".Irão: “Não se esperam cortes de abastecimento de energia, mas Portugal vai apanhar por tabela com o aumento dos preços”