O secretário-geral do PS defendeu que o primeiro-ministro deve informar o país sobre os termos em que foi autorizada a utilização, pelos Estados Unidos da América, da base das Lajes, nos Açores, para o ataque ao Irão. Em declarações aos jornalistas em Braga esta segunda-feira, 02 de março, à margem de uma reunião com militantes para apresentar a sua recandidatura a secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, desafiou também o Governo a explicitar de que modo os portugueses estão a ser protegidos e serão repatriados caso o conflito atinja proporções mais graves.“Eu entendo que o primeiro-ministro deve informar o país sobre os termos em que foi autorizada a utilização da base das Lajes, como, aliás, certamente ouviram também o primeiro-ministro inglês a explicitar os termos em que a Inglaterra se colocava numa solução de apoio aos Estados Unidos, aos países aliados dos Estados Unidos da América, para salvaguardar os termos em que a intervenção é feita”, referiu.Para o líder socialista, Luís Montenegro deve informar particularmente o parlamento. “Na quarta-feira, há um debate com o primeiro-ministro, um debate quinzenal, eu próprio pretendo colocar-lhe as questões adequadas, de forma a que possa informar o povo português dos termos em que foi autorizada a utilização da base das Lajes. A informação que nos foi dada é que a autorização foi concedida ao abrigo do acordo que temos com os Estados Unidos”, acrescentou.O líder socialista considerou que o parlamento deve fazer o “devido escrutínio” do Governo, que por sua vez deve prestar “a informação pública necessária à garantia de que os termos da sua utilização ocorrem no âmbito desse mesmo acordo”..EUA quer "eliminar mísseis balísticos" do Irão. Paulo Rangel diz que Portugal "não vai estar neste conflito".Para José Luís Carneiro, as forças e as capacidades do Irão para “intervir e desestabilizar toda a região existem, o que significa que a intervenção dos Estados Unidos visa efetivamente limitar as possibilidades de desestabilização”.“Mas aquilo que nós dizemos é que qualquer intervenção deve ser feita ao abrigo do mandato das Nações Unidas. Não está em causa a natureza do regime iraniano, que é um regime que tem contribuído para a instabilização da região. O importante é que se evite a escalada [do conflito], defendeu, vincando a necessidade de exigir às partes que procurem retomar a via diplomática.Em relação aos portugueses que se encontram na zona do conflito, o secretário-geral do PS disse que é “muito importante” que o Governo explicite o modo como estão a ser protegidos e como serão repatriados, em caso de escalada. “Essa é uma das áreas em que o Governo deve dar explicações à Assembleia da República, os termos em que o apoio ao regresso desses portugueses está a ser garantido e acautelado, esse é um dever de proteção dos portugueses”, referiu.Aludiu, concretamente, a vários portugueses que estavam sobretudo no Dubai, que não tinham voos garantidos e que estavam a observar uma progressiva instabilização política e militar da região. “O Governo deve explicar à Assembleia da República o que é que está a fazer para proteger esses cidadãos nacionais”, instou.