Francisco César pertence ao Conselho Superior de Defesa Nacional e ao DN explicou detalhadamente o posicionamento do Partido Socialista quanto à intervenção militar dos Estados Unidos da América no Irão, diferenciando-se, em alguns pontos do Governo. "Vemos com preocupação e criticamos o abandono do direito internacional, do multilateralismo e a ordem internacional que deu, durante tantos anos, para apaziguar conflitos", começou por dizer um dos políticos que aconselha Marcelo Rebelo de Sousa, avançando a convicção de que "intervenções unilaterais podem afetar a velha ordem internacional" e a "preocupação por poder haver um conflito regional e não apenas bilateral."Depois de acusações de IL, Chega e do líder parlamentar do PSD, César esclarece que, "como partido moderado, o PS repudia um regime teocrático", mas que "não concordando com o Irão existem relações históricas" e que até os "EUA têm relacionamentos com ditaduras, algumas delas autocracias." Vinca, por várias vezes, que os "Estados Unidos da América não deixaram de ser aliados", mas considera que o PS "já se manifestou contra ataques à margem do direito internacional" e que "o Governo deveria ser mais vocal" a contestar estas iniciativas.Francisco César, economista, deixa também a garantia de que possíveis boicotes a Espanha afetarão Portugal, por isso discordando da tentativa de neutralidade de Luís Montenegro. "Estamos solidários com qualquer país da Europa que seja atacado pelo Irão ou que seja afetado do ponto de vista comercial pelos EUA. Os acordos europeus são claros. Não é possível fazer bloqueios comerciais a Espanha sem Portugal ser afetado. O que for aplicado a Espanha será aplicado a Portugal", disse, avançando ao DN que o PS conversa com parceiros europeus para uma posição conjunta de união entre estados-membros.O socialista antevê ainda "crises económicas imediatas", já que o "bloqueio do Estreito de Ormuz encarece a logística e pode derivar em inflação", potenciando, por exemplo, subida das taxas de juro do Banco Central Europeu. Entende que o Governo "reagiu bem no desconto do imposto sobre os combustíveis", mas pediu mais apoios, "semelhantes aos aplicados após a invasão da Rússia à Ucrânia.Base das Lajes tem acordo bem feitoVincando que "Portugal é aliado dos EUA, independentemente de poder não concordar com tudo o que os EUA fazem", o deputado e também presidente do PS Açores relembra o acordo celebrado na Base das Lajes, que no debate quinzenal Luís Montenegro atribuiu aos tempos do PS numa resposta às dúvidas sobre a legalidade da utilização da pista. "Há uma enorme confusão, o problema não é o acordo, o acordo protege o Estado português. Não há nenhuma intervenção com uso militar nas Lajes sem autorização do Estado português. Não me parece que deva ser alterado, revisto, apenas considero é que se deveriam rever as contrapartidas para a Região Autónoma dos Açores", diz, explicando que a última tomada de posição é enquanto presidente do PS Açores. Concorda que os "esclarecimentos de Montenegro foram claros", mas advoga que a "autorização foi tardia". "Embora a intervenção tenha sido no sábado, começou muito antes. Basta viver na Terceira para saber que os meios estavam acionados", elucida. Duas semanas antes da intervenção militar já se reportavam um movimento anormal de aviões. Há 14 dias estavam estacionados na Base das Lajes 11 reabastecedores KC-46 Pegasus, 12 caças F-16 Viper e um cargueiro militar C-17 Globemaster III, segundo a informação local."O Governo precisa de garantir que a utilização das Lajes é feita com base numa situação de Defesa ou retaliação e sempre com a premissa de não atingir alvos civis. É preciso é garantir essa supervisão", termina Francisco César uma das vozes presentes na reunião de quarta-feira que o PS levou a cabo, acumulando opiniões de aconselhamento a José Luís Carneiro antes do debate quinzenal.."Os norte-americanos usam a Base das Lajes como entendem e quando entendem".Montenegro foi "bombardeado" e defendeu legalidade do uso das Lajes.Base das Lajes. Chega mais próximo de Montenegro, esquerda a pedir explicações no debate quinzenal.Presidenciais 2026. Francisco César vai apoiar António José Seguro