Em Junho, o PS de José Luís Carneiro desce para 29,3%, depois dos 33,4% registados no mês anterior.
Em Junho, o PS de José Luís Carneiro desce para 29,3%, depois dos 33,4% registados no mês anterior.Reinaldo Rodrigues

Barómetro DN/Aximage: PS mantém liderança com 29,3%, mas perde parte da vantagem. AD e Chega sobem

PS lidera mas recua face a 33,4% em maio. AD sobe de 23,2% para 25,3%. Chega cresce 0,1 pontos para 23,6%. Tendo em conta a margem de erro, AD e Chega estão em empate técnico.
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O PS mantém a liderança nas intenções de voto, mas perde parte da vantagem que tinha no barómetro DN/Aximage de maio. Segundo o barómetro de junho, realizado a 24 e 25 deste mês, o partido de José Luís Carneiro desce para 29,3%, depois dos 33,4% registados no mês anterior. A AD sobe para 25,3%, reforçando a aproximação iniciada em maio, quando tinha ficado nos 23,2%.

Por sua vez, o Chega permanece praticamente estável, com 23,6%, uma subida de 0,1 pontos percentuais face aos 23,5% do barómetro anterior, apesar de ser identificado por 48% dos inquiridos como o principal responsável pelo chumbo da lei laboral - uma rejeição que a maioria (61%) dos entrevistados classifica como “positiva” ou “muito positiva”.

Porém, tendo em conta a margem de erro do Barómetro, na prática a AD e o Chega estão em empate técnico, disputando o segundo lugar.

Entre os partidos médios, a Iniciativa Liberal cresce ligeiramente, passando de 6,3% para 6,5%, enquanto o Livre sobe de 4,7% para 5,8%. O PAN aumenta de 1,3% para 2,2%, a CDU desce de 2,4% para 1,6%, e o BE mantém-se praticamente inalterado, de 1,3% para 1,5%. O conjunto de “outros” partidos, votos em branco e nulos (OBN) regista 4,1%, muito próximo dos 4,0% de maio.

A taxa de abstenção declarada recua ligeiramente, de 27,7% para 26,2%, e os indecisos diminuem para 3,1%, depois dos 5,9% registados no mês anterior. A redução dos indecisos contribui para uma redistribuição mais clara das preferências, mas não altera o essencial: o PS perde apoio, a AD ganha e o Chega estabiliza.

A análise regional mostra diferenças significativas. O PS mantém vantagem expressiva no Sul e Ilhas (43,1%) e no Centro (29,7%), mas cai na Área Metropolitana de Lisboa (AML), onde fica nos 21,9%, atrás do PSD/CDS (27,0%) e do Chega (24,4%). No Norte, o Chega sobe para 33,8%, tornando-se o partido mais forte na região, enquanto o PSD/CDS se mantém nos 25,8% e o PS cai para 23,8%.

Por grupos etários, o PS lidera entre os mais velhos (40,7%), enquanto o Chega domina entre os eleitores dos 35 aos 49 anos (31,9%). A AD mantém maior equilíbrio entre faixas etárias, com valores entre os 23% e 30%.

Transferências de voto: quem ganha e quem perde

A análise das transferências de voto entre maio e junho confirma a estabilidade estrutural do sistema partidário e clarifica os movimentos internos de cada espaço político. O PS mantém 91% dos eleitores que o escolheram nas legislativas de 2025 e vai buscar eleitores a outras forças: transfere 9,8% da AD, 4,2% do Chega, 22,6% da CDU, 13% do BE, 34,1% do PAN e 24,1% do Livre.

A AD mantém 74,5% dos seus votantes das últimas legislativas, um valor que traduz fidelização elevada mas não total. Conquista 1,1% no PS, 2,6% no Chega, 13,7% no Livre e 19,1% no conjunto de outros pequenos partidos. Capta ainda fluxos provenientes de indecisos e pequenas entradas vindas da IL e do Livre, o que contribui para a consolidação da sua posição no barómetro de junho.

O Chega apresenta a taxa de retenção mais elevada entre os três maiores partidos: 92% dos seus eleitores mantêm a escolha. Contudo, o partido não cresce para além da sua base. Recebe 24,6% dos abstencionistas que agora declaram intenção de votar, 5,3% de antigos eleitores da AD e 3,3% do PS, mas perde 23,9% para o Livre, um fluxo que indica volatilidade entre segmentos politicamente descontentes mas ideologicamente heterogéneos.

A Iniciativa Liberal mantém 58% dos seus votantes e recebe 6,9% da AD, 1,3% do PS, 1,1% do Chega e 6,7% dos pequenos partidos. O Livre capta 77,4% dos seus eleitores, mas recebe também fluxos relevantes vindos do PS (24,1%) e do Chega (23,9%), reforçando a ideia de que o partido funciona como polo de atração para eleitores que procuram alternativas fora dos blocos tradicionais.

O PAN mantém 60,3% dos seus votantes, enquanto a CDU retém 87% e o BE 54,4%. O conjunto OBN absorve 51,3% dos abstencionistas que agora declaram intenção de votar, o que confirma que parte do eleitorado volátil continua fora do sistema partidário estruturado.

O quadro geral mostra que o PS mantém a liderança porque conserva a esmagadora maioria dos seus eleitores, enquanto a AD estabiliza a sua base e o Chega não cresce para além do núcleo duro. Os partidos médios e pequenos continuam a funcionar como canais de redistribuição de voto entre segmentos específicos, sem impacto estrutural na disputa entre os três maiores.

Lei laboral: o Chega é visto como principal responsável pelo chumbo, mas não cresce nas intenções de voto

A rejeição do pacote laboral na Assembleia da República é um dos temas avaliados no barómetro de junho. A maioria dos inquiridos classifica o chumbo da lei como “positivo” (30%) ou “muito positivo” (31%), enquanto 21% o consideram negativo e 6% muito negativo. O Chega é identificado por 48% dos entrevistados como o principal responsável pela rejeição, seguido pelos sindicatos (17%), PS (12%) e Governo (11%).

A perceção pública atribui, assim, ao Chega o papel central na rejeição da reforma laboral. A associação entre o partido e o chumbo da lei não se traduz, porém, em ganhos eleitorais. A intenção de voto do Chega permanece praticamente inalterada, passando de 23,5% em maio para 23,6% em junho. A taxa de fidelização do partido é elevada, mas os fluxos de entrada provenientes de outros partidos são reduzidos, e a visibilidade obtida no processo legislativo não altera o seu posicionamento no barómetro.

Os dados mostram que o Chega é reconhecido como o ator político mais ativo na rejeição da reforma laboral, mas essa identificação não tem impacto mensurável na evolução da intenção de voto.

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FICHA TÉCNICA

Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda., para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.

Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.

Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo

conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 500 entrevistas CAWI; 236 homens e 264 mulheres; 108 entre os 18 e os 34 anos,122 entre os 35 e os 49 anos, 132 entre os 50 e os 64 anos e 138 para os 65 e mais anos; Norte 175, Centro 116, Sul e Ilhas 70, Área Metropolitana de Lisboa 139.

Técnica: Aplicação online – CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) – de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 24 e 25 de junho de 2026. Taxa de resposta: 91,74%.

Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.

Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio

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