Um ano depois das legislativas de maio de 2025, as intenções de voto dos portugueses parecem ter sofrido uma alteração bastante significativa, com o desgaste de mais de dois anos de governação (desde março de 2024) a passar fatura à coligação PSD/CDS e a abrir caminho ao PS de José Luís Carneiro. De acordo com o mais recente barómetro da Aximage para o Diário de Notícias, neste mês de maio, o Partido Socialista abriu uma margem de praticamente dez pontos na liderança, recebendo 33,4% das intenções de voto dos inquiridos, já com a distribuição dos indecisos, enquanto a AD cai mesmo para o terceiro lugar, com 23,2%, embora em empate técnico com o Chega, que obteve 23,5%. A liderança do PS ultrapassa inclusive a margem de erro (4,4%).Na comparação com as legislativas antecipadas de há um ano, os socialistas, agora liderados por José Luís Carneiro, crescem mais de dez pontos percentuais face ao resultado obtido pelo PS de Pedro Nuno Santos (22,8%) - um dos piores da história do partido e que resultou na perda de 20 deputados, atirando o PS para terceira força parlamentar. .Barómetro DN/Aximage: Carneiro é o mais confiável para chefiar Governo, mas Ventura reina na oposição.A coligação de Governo, pelo contrário, desce quase dez pontos (8,6), face aos 31,8% então obtidos nas urnas por Luís Montenegro. Dos três partidos que dominam hoje a paisagem parlamentar em Portugal, o Chega parece ser aquele que tem a base de eleitorado mais estável. Ao fim de um ano, as intenções de voto atuais mostram uma ligeira subida de sete décimas face aos resultados obtidos pelo partido de André Ventura em maio passado (22,8%)A comparação com o barómetro do mês anterior (abril) evidencia a trajetória de crescimento do PS, que então registava 30,6% das preferências dos inquiridos, já com alguma margem sobre PSD 24,3% e o Chega 23,6%, mas nessa altura com os social-democratas ainda em segundo lugar. Agora, o PS reforça a liderança (+2,8 pontos), enquanto a AD recua (-1,1 pontos), sendo ultrapassada pelo Chega, que se mantém relativamente estável, descendo apenas uma décima.. A descida da coligação PSD/CDS ocorre num contexto encrespado para o Governo de Luís Montenegro, marcado por vários dossiês politicamente sensíveis e por uma perceção crescente de dificuldade na resposta a temas centrais da governação. Nas últimas semanas, o Executivo viu falhar as negociações na concertação social em torno da reforma da lei laboral, um processo que tem sido alvo de forte contestação sindical e política, incluindo a marcação de uma nova greve geral para 3 de junho.A estes fatores soma-se a aprovação de uma nova lei da nacionalidade que também gerou divisões no espaço político e social, bem como a insatisfação generalizada face à resposta do Governo ao aumento do custo de vida. A escalada dos preços da energia e de bens essenciais, associada aos efeitos económicos do conflito no Médio Oriente, bem como os efeitos ainda das tempestades do último inverno têm alimentado críticas à capacidade de resposta do Executivo e parece refletir-se na erosão do apoio à AD.Por outro lado, José Luís Carneiro parece ver validado pelos portugueses um estilo de liderança mais moderado, na comparação com o seu antecessor, reposicionando o PS claramente num centro-esquerda e ganhando credibilidade para eventuais funções governativas.Os três principais partidos concentram mais de 80% das intenções de voto dos 505 inquiridos neste barómetro, reforçando o tripartidarismo instalado com a ascensão do Chega no sistema político português. A Iniciativa Liberal surge aqui com 6,3%, seguida do Livre com 4,7% - ambos com descidas ligeiras face a abril - enquanto os restantes partidos permanecem abaixo dos 3%. País dividido em três blocos A análise regional confirma um país altamente fragmentado. Se o PS lidera no Centro (40,7%) e no Sul e Ilhas (41,8%), mostrando também força na Área Metropolitana do Porto (34,6%), já a AD conserva a sua principal base na região Norte (38,9%) e revela especial fragilidade na Área Metropolitana de Lisboa (15,1%), onde é o Chega quem lidera destacado as intenções de voto (31,2%).Em termos sociais, o Chega destaca-se como a principal força nas classes mais baixas, atingindo 44,3% das intenções de voto entre a classe D e 32,7% na classe C2. O PS mostra maior equilíbrio entre estratos sociais, liderando nas classes mais elevadas: C1 (39%) e A/B (35%).A coligação AD revela grande fragilidade entre as classes populares, descendo para 11,3% na classe D, e mantém algum peso nas classes mais altas (28,1% na A/B). Do ponto de vista etário, o PS domina entre os maiores de 65 anos (44,2%), enquanto o Chega lidera entre os 35-49 anos (30%). Nos mais jovens (18-35 anos), reina o equilíbrio: 23,1% PS, 22,1% PSD/CDS e 20% Chega.Relembre em baixo como foram os resultados do barómetro de abril:.Barómetro DN/Aximage: PS abre margem sobre PSD e Chega nas intenções de voto