O homem de 39 anos que foi detido pela PSP após atirar um cocktail Molotov contra participantes na Marcha pela Vida, que juntou na tarde de sábado centenas de manifestantes contra o aborto e a eutanásia, pode vir a ser acusado do crime de terrorismo. Essa é a convicção de José Manuel Anes, fundador do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), perante o que aconteceu junto às escadarias da Assembleia da República, em Lisboa.“Desde que atinja civis não-combatentes, é terrorismo”, defende José Manuel Anes, acerca do arremesso do engenho improvisado inflamável na direção de manifestantes. E o criminalista salienta o “muito cuidado que as forças de segurança precisam de ter no final das manifestações”, pois é nessa altura “que aparecem os radicais”. Como aconteceu no final da tarde de sábado, quando testemunhos recolhidos pelo DN apontam para a presença de um grupo de homens, notoriamente desligados dos ativistas pró-vida, que começaram por se acercar do palco da Marcha pela Paz, numa fase em que se estava a ouvir discursos. Cerca de uma hora mais tarde, um deles atirou o cocktail Molotov, a que terá tentado acender o pavio, para uma zona onde estavam concentrados manifestantes, incluindo casais que tinham crianças e bebés consigo.Segundo um comunicado da PSP, divulgado neste domingo, além do homem de 39 anos que foi detido junto à Assembleia da República, depois de arremessar o cocktail Molotov, às 17h50 deste sábado, foram identificados outros três, que fugiram do local, todos com ligações a um “grupo alegadamente de conotação anarquista”.“O engenho acabou por embater no solo, junto de um grupo de manifestantes, não tendo deflagrado no momento do impacto, circunstância que evitou consequências potencialmente mais gravosas, embora tenha gerado um clima de alarme e perturbação no local”, lê-se no comunicado da PSP, realçando que algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável, ficando com a roupa “impregnada com uma substância que apresentava forte odor a gasolina”.. Testemunhos partilhados nas redes sociais por alguns dos participantes na Marcha pela Vida indicam que o líquido atingiu adultos, crianças e mesmo um carrinho de bebé. E há referências à tentativa de acendimento do “pavio” na garrafa atirada pelo homem, que foi imediatamente imobilizado e detido por agentes da PSP presentes no local.No seu comunicado, a PSP descreve a Marcha pela Vida como “uma concentração de caráter intergeracional, onde se encontravam diversos menores, incluindo crianças e bebés”, num total de 500 pessoas. E reafirma “o seu compromisso na defesa da ordem pública, na garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos, designadamente o direito à reunião e manifestação, não tolerando comportamentos violentos que coloquem em risco a segurança e integridade de terceiros, com o objetivo estratégico de prevenir e combater todas as formas de extremismo e intolerância em conjunto com as demais autoridades com competências nesta matéria”..Luís Neves contra "qualquer forma de extremismo violento".Na tarde deste sábado, como foi avançado pelo site do DN, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, reagiu ao “ataque falhado”, garantindo que “não toleramos qualquer forma de extremismo violento e continuaremos a agir com firmeza para o prevenir e combater, garantindo a segurança e a defesa dos valores democráticos”. Luís Neves destacou a “pronta intervenção da PSP”, que deteve o responsável pelo ataque e identificou outros três elementos, dizendo que “merece claro reconhecimento, evidenciando a eficácia e profissionalismo na proteção dos cidadãos”.O suspeito da autoria do ataque será apresentado a juiz nesta segunda-feira, para aplicação de medidas de coação, tendo sido levado para instalações policiais. A PSP recolheu a garrafa de vidro com líquido inflamável e material têxtil que serviu de engenho incendiário improvisado..Luís Neves reage a ataque contra Marcha pela Vida: "Não toleramos qualquer forma de extremismo violento"