O Bloco de Esquerda (BE) pediu respostas ao Governo sobre a “urgência de uma nova política de integração e o combate à desinformação sobre imigração”. O DN teve acesso ao documento, destinado ao Ministério da Presidência, no qual são colocadas cinco perguntas relacionadas com o tema.O partido quer saber o ponto de situação do plano de integração de imigrantes que está a ser preparado pelo Governo. Outro objetivo é perceber se o executivo seguirá as recomendações do Observatório das Migrações nesta matéria.O requerimento surge na sequência da divulgação, no DN, deste relatório, no qual constam recomendações sobre as políticas de integração. “Que medidas concretas e imediatas vai o Governo adotar para operacionalizar a recomendação de ‘diferenciação territorial das políticas’, especificamente para os territórios de agricultura intensiva e turísticos, onde o risco de precarização laboral e habitacional é crítico?”, questiona o BE.A segunda pergunta é sobre “como e quando pretende o Governo rever os mecanismos de financiamento local ou criar dotações específicas” para os municípios mencionados no relatório como “territórios-laboratório”. Alguns exemplos de municípios incluídos nesta classificação são Odemira e Vila do Bispo..BE recomenda ao Governo que siga proposta da PJ para divulgação de Plano de prevenção da radicalização.A terceira diz respeito à recomendação de ser “indispensável” a interoperabilidade de dados em tempo real entre a AIMA, a Saúde, a Educação e a Segurança Social. O partido quer saber “o ponto de situação destes sistemas de partilha de dados e qual a data prevista para a sua plena operacionalização”.O BE questiona ainda a data de “apresentação e implementação efetiva” do plano para a integração. Por fim, o deputado único Fabian Figueiredo pergunta ao Ministério da Presidência sobre o combate à desinformação sobre imigração.No relatório, o observatório salienta que “a distância entre os dados reais e as perceções alimenta o estigma” e que é "prioritário" combater a desinformação. Nesse sentido, a questão colocada é se o Governo “reconhece que a insistência do seu discurso político em ‘perceções de segurança’, muitas vezes desacompanhadas de evidência estatística sobre a criminalidade ou o impacto social da imigração, tem contrariado esta recomendação técnica, contribuindo para reforçar as ideias erradas que o Observatório das Migrações urge combater?”.Risco de "tensões sociais"Tal como o DN avança na edição desta sexta-feira, 16 de janeiro, há um alerta por parte dos investigadores do observatório a respeito das consequências da falta de políticas públicas. “A inexistência de respostas estruturadas nestes contextos comporta riscos elevados de degradação das condições de vida, erosão da confiança nas instituições locais e emergência de tensões sociais difíceis de reverter”, alerta o documento.É referido que a “tensão social” pode surgir quando a integração falha. “A ausência de uma articulação robusta entre políticas migratórias, políticas de desenvolvimento territorial, políticas de habitação, saúde, educação e emprego tende a gerar respostas fragmentadas e insuficientes, aumentando os riscos de precarização laboral, segregação residencial e tensões sociais.”É deixado um alerta final: caso estas políticas públicas não sejam eficazes, o cenário será preocupante. “Sem esta articulação consistente entre níveis de governação, setores de política pública e parceiros internacionais, os riscos sociais, económicos e políticos tenderão a intensificar-se nos próximos anos. Entre estes riscos destacam-se o agravamento das desigualdades territoriais, a precarização estrutural de segmentos significativos do mercado de trabalho, o aumento das tensões sociais em contextos de segregação residencial e a crescente instrumentalização política da imigração enquanto tema de conflito e polarização.”amanda.lima@dn.pt.António Vitorino. "É mais fácil culpar os imigrantes disto tudo do que assumir que são os problemas nossos".Burocracia, xenofobia e mudanças nas leis motivam saída de estrangeiros do país