Cerca de 42 mil militantes do PSD com direito a votar têm nesta sexta-feira cinco horas, entre as 18h00 e as 23h00, para elegerem o presidente e os delegados das suas concelhias ao 42.º Congresso do partido, que decorre em Braga, a 21 e 22 deste mês. Quanto à permanência de Luís Montenegro, que lidera o partido desde maio de 2022, meses depois de a maioria absoluta do PS terminar o prolongado ciclo de Rui Rio, não há spoilers: ninguém se dispôs medir forças com o incumbente, tal como aconteceu com Marques Mendes e nas várias reeleições de Passos Coelho..Para Luís Montenegro, que irá votar em Espinho, às 18h30, a reeleição garantida ilustra como a realidade se alterou desde 28 de maio de 2022, quando 19 241 militantes do PSD - 72,5% dos que votaram nas diretas, com 7306 a preferirem o ex-ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva - decidiram que o antigo líder parlamentar seria a melhor escolha para o que parecia ser uma travessia do deserto. Meses antes, a 30 de janeiro, António Costa obtivera a segunda maioria absoluta do PS, perfilando-se para superar o recorde de permanência no cargo de primeiro-ministro em democracia, obtido por Cavaco Silva entre 1985 e 1995..Num primeiro mandato marcado pela renovação interna, em que o “braço-direito” Hugo Soares passou a secretário-geral, e as vice-presidências dividiram-se entre os jovens (António Leitão Amaro, Inês Palma Ramalho e Margarida Balseiro Lopes) e os veteranos Miguel Pinto Luz, Paulo Cunha e Paulo Rangel), Montenegro deu-se a conhecer ao país, visitando os 308 concelhos na iniciativa “Sentir Portugal”. Mas sem poder imaginar que terminaria o périplo, na ilha do Corvo, após a primeira tentativa ser travada pelo mau tempo, em clima pré-eleitoral, semanas antes das legislativas antecipadas que lhe permitiram tornar-se o primeiro-ministro que muitos correligionários diziam que nunca seria..Desde 7 de novembro de 2023, quando a Operação Influencer provocou a demissão de António Costa e uma nova dissolução da Assembleia da República, Montenegro acelerou para o poder. No 41.º Congresso, agendado só para alterar os estatutos, saiu de Almada, na noite de 25 de novembro, com o aval de Cavaco Silva, que surgiu no final dos trabalhos. Já neste ano, a 7 de janeiro, formalizou o acordo de coligação com CDS, PPM e independentes, e a tentativa de retomar o espírito de 1979 correu bem. Afinal, a 10 de março, em legislativas marcadas pela pulverização do eleitorado, com o Chega a eleger 50 deputados e a Iniciativa Liberal a manter oito, a Aliança Democrática ficou à frente do PS, por pouco menos de um ponto percentual e dois deputados, e foi chamada ao poder. Algo que não acontecia à direita desde 2015, quando caiu o segundo Governo de Passos Coelho..Sobreviver ao Orçamento é o primeiro grande teste.Depois da garantida reeleição para a liderança do PSD, e da renovação de órgãos partidários que deverá ocorrer no 42.º Congresso, o primeiro grande obstáculo de Montenegro é de grau existencial: a aprovação do Orçamento do Estado para 2025, dificultada pela exiguidade das bancadas do PSD e do CDS, só com 80 votos favoráveis garantidos à partida, deixa o seu Governo nas mãos das estratégias da oposição, e sobretudo do PS e do Chega, cujos deputados bastariam para ditar o chumbo e com os quais o Governo forma um triângulo de interdependência patente desde a atribulada eleição do presidente da Assembleia da República. Com o futuro do PSD dependente de um processo, em que as alternativas incluem governar por duodécimos e novas legislativas antecipadas, navegar a viabilização das contas públicas é preciso para prosseguir opções políticas que incluem a descida da carga fiscal e o reforço da saúde e na educação públicas..Conquistar mais câmaras e manter Lisboa (e Belém).Superada a derrota tangencial nas eleições para o Parlamento Europeu, e com as regiões autónomas lideradas por sociais-democratas sem maioria absoluta - com José Manuel Bolieiro mais confortável nos Açores do que Miguel Albuquerque na Madeira -, Montenegro elevou a fasquia para as autárquicas que irão decorrer em setembro ou outubro de 2025. Na sua moção, vê o PSD a liderar a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Associação Nacional de Freguesias. Isso implica, no primeiro caso, anular a desvantagem em relação ao PS cifrada em mais de 30 presidências..Além do número total de autarquias do PSD (com ou sem coligações com o CDS), é prioritário manter as conquistas de 2021, com Lisboa à cabeça, bem como resistir à saída de autarcas emblemáticos em Braga, Cascais, Aveiro e Faro, e em simultâneo encontrar o caminho para a vitória em dois dos maiores municípios nacionais: Porto e Sintra, aproveitando Rui Moreira e Basílio Horta estarem de saída..Sem nunca esquecer a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, com Montenegro a prometer apoio a “militantes do nosso partido com apetência e qualificação pessoal e política para o cargo”. E, havendo mais do que um, o desafio será escolher.