João Cotrim de Figueiredo em Castelo Branco
João Cotrim de Figueiredo em Castelo BrancoMIGUEL PEREIRA DA SILVA/LUSA

Cotrim escreve a Montenegro a pedir apoio do PSD. É "óbvio" que Marques Mendes "não vai conseguir lá chegar"

"Se não quer o candidato do Chega ou o do PS como Presidente da República, apelo a que recomende o voto do PSD na minha candidatura", diz Cotrim de Figueiredo.
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João Cotrim de Figueiredo escreveu uma carta a Luís Montenegro em que lhe pede o apoio do PSD nas eleições presidenciais de domingo (18 de janeiro). O candidato refere os resultados das sondagens mais recentes para dizer que "estamos agora numa corrida a três para a segunda volta do sufrágio" e para instar o líder do PSD a deixar cair Luís Marques Mendes.

"O que estou a tentar fazer e consciencializar o primeiro-ministro é que, como ele disse há umas semanas, isto não é uma brincadeira, se não quer esse risco, nomeadamente de ter António José Seguro na Presidência da República ou ter essa escolha [na segunda volta] entre Seguro e Ventura deve ele próprio recomendar o voto na minha candidatura", esclareceu, mais tarde, o candidato apoiado pela IL, durante uma ação de campanha.

Considerou que este pedido a Montenegro para que concentre os votos na sua candidatura não menospreza o "trabalho" e o "mérito" de Marques Mendes. "Mas é óbvio que não vai conseguir lá chegar", afirmou Cotrim Figueiredo.

"Cada vez mais portugueses já perceberam que só há três candidaturas com possibilidades de chegar à segunda volta", referindo-se a Seguro, Ventura e à sua candidatura.

Reforçou que "o primeiro-ministro deverá fazer um apelo para a concentração de votos porque isto não é uma brincadeira". "Os portugueses não podem ficar confrontados com uma escolha entre António José Seguro e Ventura na segunda volta", disse aos jornalistas.

Questionado sobre se, com este apelo ao presidente do PSD, pretende pressionar uma desistência de Marques Mendes, Cotrim afirmou: "pressionar um apelo" ao presidente do PSD "para que o voto se concentre na minha candidatura".

No fundo, prosseguiu, trata-se de "transformar esta parte final da primeira volta como se já fosse a segunda volta". "Porque nós sabemos que nessa segunda volta, com a presença de André Ventura e com a taxa de rejeição que tem, a probabilidade de eleger António José Seguro é brutal. Creio que o senhor presidente do PSD não quer isso. Também não quer, certamente, uma eleição de André Ventura, nenhum de nós quer", declarou.

"O presidente do PSD faria um serviço à nação se recomendasse um voto à minha candidatura", enfatizou o candidato presidencial, argumentando que este apelo surge como forma de se adaptar ao evoluir da campanha e das sondagens.

"Sei que mudar o sentido de uma decisão destas exige coragem, mas, como nos ensinou Francisco Sá Carneiro, 'Primeiro o país, depois o partido e, por fim, a circunstância pessoal de cada um'”, diz a carta citada pelo Observador e publicada nas redes sociais do candidato numa versão mais curta.

"Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por V. Exa., assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República", começa Cotrim de Figueiredo, justificando este apelo com o facto de considerar que Montenegro, tal como ele próprio, "não deseja ver o candidato do Partido Socialista [António José Seguro] nem o candidato do Partido Chega [André Ventura] no Palácio de Belém". Na opinião de Cotrim de Figueiredo, a sua candidatura é "a única capaz de impedir esse cenário".

O candidato recorda que, no passado, já apoiou candidatos do PSD, como Pedro Duarte e Carlos Moedas na corrida às Câmaras do Porto e de Lisboa, respetivamente. "Confiei no PSD", diz. "Estou consciente de que grande parte dos eleitores e dirigentes do PSD já confiam em mim. Peço-lhe que se junte a eles", apela, dizendo que o país "precisa de um Presidente exigente, que colabore com o Governo na implementação das reformas urgentes de que o país precisa para ter um futuro melhor".

"Conte comigo. Eu conto consigo. Os portugueses contam connosco", declara.

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