Alegação de assédio na IL. Partido não esclarece se existiu denúncia interna
Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Alegação de assédio na IL. Partido não esclarece se existiu denúncia interna

Ex-assessora da Iniciativa Liberal denunciou, em publicação privada no Instagram, assédio sexual por parte de Cotrim de Figueiredo. O próprio nega e anuncia processo por difamação; partido recusa dizer se a assessora denunciou caso internamente.
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A jurista e advogada cujo nome surgiu esta segunda-feira associado à denúncia de assédio sexual por parte de João Cotrim de Figueiredo enquanto este era o presidente do partido e ela uma jovem assessora do respetivo Grupo Parlamentar (GP) foi exonerada dessas funções, a seu pedido, em outubro de 2023, quando tinha sido contratada no início da legislatura, em 2022.

Face a esse pedido de exoneração e ao facto de o Observador ter noticiado que “as alegações de assédio eram conhecidas na IL há dois anos”, sem que existisse desmentido por parte do partido, o DN contactou a assessoria de Imprensa do GP para tentar confirmar tal informação (ou seja, se efetivamente as alegações eram conhecidas há anos no partido) e obter esclarecimento sobre se existiu alguma denúncia interna relativa às alegações em causa.

O jornal quis igualmente saber se, no caso de ter existido essa denúncia, fora instaurado um inquérito ou averiguação, quando e qual o resultado, e se o partido tem um Código de Conduta que inclua normas sobre assédio no trabalho e assédio sexual, solicitando acesso ao mesmo.

A resposta da assessoria surgiu algumas horas depois, numa simples frase: “A Iniciativa Liberal não vai alimentar uma campanha suja que decorre neste momento por via das eleições presidenciais.” O DN insistiu: recusam esclarecer se as alegações de assédio foram denunciadas internamente? O retorno foi: “Não temos mais nada a acrescentar”.

Esta reação reproduz, quase ipsis verbis, as declarações feitas esta terça-feira pelo candidato presidencial da IL, ao reputar a denúncia em causa de “manobra política do mais suja que há”, pedindo “aos portugueses não se deixem enganar por este tipo de campanhas sujas e que confiem que sou a mesma pessoa que sempre fui na vida pública e que não tenho nada a esconder”.

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“O silêncio de quem conhece a realidade pode ser uma forma de injustiça”

Também no dia anterior, o eurodeputado e candidato presidencial da IL tinha, quando confrontado pelos jornalistas, negado as acusações, que se tornaram públicas a partir de partilhas de uma “story” privada (“só para amigos chegados”) no Instagram da ex-assessora, publicação na qual eram reproduzidas frases que Cotrim lhe teria alegadamente dirigido (como “Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo”; “de que tipo de homens gostas?”; “Mais grossa ou mais comprida?”).

Cotrim, que mencionou o facto de a pessoa que lhe imputa assédio integrar neste momento um gabinete governamental, anunciou desde logo a sua intenção de a processar por difamação, anúncio reiterado esta terça-feira, quando adiantou desejar que a queixa-crime dê entrada na justiça antes do final da campanha (ou seja até à próxima sexta-feira).

Também esta terça-feira foi tornada pública uma carta, assinada por 30 mulheres que trabalharam com Cotrim, na qual asseveram que “nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados” da sua parte. Algumas das signatárias — como a deputadas Joana Cordeiro e a ex-deputada Patrícia Gilvaz, assim como as assessoras Cátia Silva e Amanda Santos — estavam no GP da IL quando a ex-assessora em causa ali trabalhou.

Na missiva, fala-se de uma “ligeireza irresponsável” que coloca em causa “a integridade e a reputação de uma pessoa” e da possibilidade de “o silêncio de quem conhece a realidade poder ser uma forma de injustiça”, assegurando-se todavia que as signatárias creem que “situações desta natureza devem ser analisadas com seriedade, justiça e respeito por todas as partes envolvidas.”

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