João Cotrim de Figueiredo calcorreou a Lisboa que bem conhece e onde foi criado. Passou pelo Príncipe Real, a metros da Calçada da Glória, sem grandes romarias populacionais. Ainda não chegou esse tempo, o estilo, pode dizer-se, também é outro. A ideia estava pensada, não há muito. Visitou a Liga dos Combatentes, na conexão com o Chiado. “É o primeiro candidato que pede para cá vir, mas recebemos todos”, conta ao DN o presidente da Liga, o Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, que nos precisa como ainda hoje se lutam pelos direitos remuneratórios justos para quem combateu por Portugal no Ultramar, mas também que atualmente ainda se procuram resquícios históricos, para acervo, e se procedem a exumação de ossadas de antigos soldados lusos, que pereceram em combate.Gouveia e Melo é militar na reserva, André Ventura tem vincado o passado colonial e a grandeza da nação ultramarina, defendendo o investimento nas forças de segurança, Cotrim fez uma seleção de campanha. A colocação dos combatentes e da Defesa na agenda em Lisboa. Porém, não a considerou estratégica face a outras. “Sempre fiz questão de contactar com as várias instituições para me inteirar dos problemas. É preciso fazer-se o reconhecimento pecuniário do trabalho e da missão que os combatentes fizeram. É vital o reconhecimento do papel da Liga dos Combatentes e o Presidente da República tem papel nisso. E depois, uma área que desconhecia, de intervenção cultural e preservação museológica. Posso garantir-vos que a minha agenda de campanha não é determinada pelo que os outros fazem ou ainda não fizeram. Foi, sim, pela minha vontade de honrar a memória de todos aqueles que já nos deixaram e que serviram o país, mas também de criar condições para que todos aqueles que vierem a seguir”, respondeu à Imprensa após 1h15 de reunião com a equipa da Liga dos Combatentes, que disse ter sido “curta e muito rica.” Desse encontro saiu com uma leitura da realidade, mas diz não ter entrado neste diálogo com o objetivo de que os militares estejam consigo, preferindo-o, por exemplo, a Gouveia e Melo. “Não vim aqui pedir apoio, era o que mais faltava”, ripostou, garantindo que “não foi assunto” o balanço de dez anos de Marcelo Rebelo de Sousa junto aos antigos combatentes. Desviou-se, portanto, de tecer críticas.Cá fora, antes de Cotrim chegar, Chito Rodrigues antecipava com “preocupação” a escalada bélica no mundo, vê uma “curva, que ninguém bem sabe onde vai dar”, alertando para o “imperialismo russo e norte-americano”, pedindo, portanto, uma Europa “empenhada, coletivamente, em garantir a dissuasão da guerra.” Já lá dentro, houve partilha nesse sentido. Cotrim tinha nos apoiantes Liliana Reis, ex-deputada do PSD e doutorada em Relações Internacionais, e Henrique de Freitas, antigo social-democrata, que foi secretário de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes de 2002 a 2004 e depois secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de 2004 até 2005, conselheiros. “Tem feito uma excelente campanha nesse sentido, por isso estou aqui. Tem dito que a Europa tem falhado no seu papel e concordo”, explica ao DN Freitas, um dos apoiantes que o mune de argumentos para a Defesa e que na biblioteca daquele edifício diz ter assinado na presença de Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Paulo Portas a primeira pensão de antigos combatentes em 2004. Nesse tema, apesar de se ter dito sempre convicto europeísta, Cotrim de Figueiredo já fora mais defensor dos Estados Unidos da América e da sua importância na defesa. “Já há bastantes meses [que mudei de opinião]. E para ser totalmente franco, já mesmo antes da tomada de posse desta nova administração de Trump. Porque existe um afastamento gradual e evidente dos interesses estratégicos dos Estados Unidos e da Europa. Portanto, quando reclamo da inação na Europa, da falta de coragem política dos líderes europeus para a tornarem mais autónoma, estou indiretamente a dizer que não podemos depender de interesses terceiros, incluindo daqueles que até agora foram os nossos aliados mais frequentes”, explanou após pergunta do DN, concordando que André Ventura é o defensor maior da administração Trump nesta fase. “É por motivos, se calhar, táticos. Não sei se Trump tiver em relação aos Açores o mesmo discurso que tem em relação à Gronelândia, o que diria o candidato André Ventura”, atira.Considerando que “os 18% da sondagem mais recente são curtos para o que vale a candidatura”, diz registar “com agrado que agora se fale em cinco candidatos”, atacando “o voto útil”, preferindo, sim, “o voto livre, de pessoas convictas, que não achem apenas que sou um mal menor.” “Quando vejo alguém a fazer questão de apelar ao voto útil, só posso concluir que acha que é necessário fazê-lo porque o candidato, sozinho, não consegue”, atirou a Marques Mendes.A toada foi muito menos de crispação a outros candidatos. Questionado sobre as palavras de Cavaco Silva, que se revelou “chocado” por Cotrim dizer admirar Sá Carneiro, valorizou “a forte carga reformista enquanto primeiro-ministro” do social-democrata, repetiu que o primeiro mandato de Ramalho Eanes é o exemplo de Presidência e disse ter “crescido politicamente com Sá Carneiro e a dor” que teve quando soube da sua morte. “Revejo-me na sua falta de medo, não digo que seja parecido”, explica. “Tenho o direito a poder dizer isso, os portugueses podem admirar quem querem admirar”, concluiu..“Gostava de ter apoio de Passos Coelho”Percebendo a divisão no próprio PSD, Cotrim de Figueiredo não deixou de alimentar a possibilidade de, também, entre os Passistas recolher apoios. Um território que Marques Mendes não tem conseguido cativar e que António José Seguro e Gouveia e Melo, valorizando o centro, tentaram vincar ao longo do tempo. “Passos Coelho governou o país num período muito, muito difícil, com um caderno de encargos que não definiu e demonstrou uma coragem política extraordinária. E mais, no final do seu mandato conseguiu, mesmo assim, ganhar eleições, mostrando que é possível fazer política com frontalidade e não perder o apoio eleitoral”, elogiou o ex-presidente do PSD, reconhecendo que teria gosto em tê-lo ao lado. “Evidente. Perguntaram-me se eu gostaria que ele me apoiasse e eu digo sim. Não disse que me apoiava, perguntaram-me se eu gostava e digo que sim”, garante, taxativamente, ainda que não conte que tal apoio possa ser público, evitando, sequer, elaborar se existiram conversações para o efeito. “Não tenho expectativa de que [Passos Coelho] o faça [declare apoio na sua candidatura]. As conversas informais vou manter privadas”, respondeu perante a insistência, repetindo que diz aquilo em que acredita “sem preocupação com as leituras eleitorais.”Anteriormente, Cotrim de Figueiredo já tinha dito que apoiantes de Marques Mendes teriam interesse que abdicasse da candidatura, usou mesmo a expressão “pressões” e é claro que há uma crispação entre os dois na busca pelo voto à direita.Henrique de Freitas vê-se, nesse sentido, um espelho do que se pode verificar no dia 18. O antigo Secretário de Estado esteve no PSD 40 anos e, ao DN disse ter feito “de tudo para que Luís Filipe Menezes ganhasse a Marques Mendes”. Chama a Mendes “um candidato do sistema, que vem de Montenegro e de Fernando Nogueira, um lado que sempre combati” e garante: “Por aquilo que experiencio, muito voto da AD vai para Cotrim de Figueiredo.” Freitas entrou no Chega em 2023 e saiu em 2024. “Não é um partido, é uma seita, não há pensamento crítico. E do Chega, do que conheço no meu distrito em Portalegre, também muitos votarão em Cotrim”, garante. O deputado europeu sabe onde pode conquistar a ida à segunda volta..Cotrim Figueiredo assume que gostaria de ter apoio de Pedro Passos Coelho.Presidenciais. Revisão constitucional aproxima Ventura e Cotrim, para Mendes não é prioridade. Esquerda contra.Ao terceiro dia de campanha, Sá Carneiro tornou-se tema nas eleições presidenciais.Farpa a Marques Mendes: “Quando vejo alguém a fazer questão de apelar ao voto útil, só posso concluir que acha que é necessário fazê-lo, porque o candidato, sozinho, não consegue.”João Cotrim de Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela IL."Se gostava de ter Passos Coelho comigo? Evidente. Não disse que ele me apoiava, perguntaram-me se eu gostava e eu disse que sim.”João Cotrim de Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela IL.Desafio a Ventura: “Não sei se Trump tiver em relação aos Açores o mesmo discurso que tem em relação à Gronelândia, o que diria o candidato André Ventura.”João Cotrim de Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela IL