André Ventura, líder do Chega.
André Ventura, líder do Chega.FOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Ventura pede "transparência" ao Governo sobre compra de participação na REN perante dúvidas sobre "comissões"

Líder do Chega, este domingo, disse ser essencial que Joaquim Miranda Sarmento esclareça “se houve ou não comissões pagas no negócio da REN” e se alguém “direta ou indiretamente lucrou com a operação”.
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Este domingo, 20 de setembro, um dia depois de admitir na Madeira que o Chega iria avançar para a audição parlamentar do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sobre a aquisição de ações da REN, André Ventura reforçou as suspeitas em torno da operação e apelou ao Governo para que “esclareça tudo, sem ambiguidades”. O líder do Chega insistiu que, perante dúvidas sobre comissões, eventuais "luvas" e possíveis participações acionistas de membros do Governo ou familiares, “a transparência é sempre a melhor solução”.

Ventura afirmou que não vê “nenhuma questão de reserva da vida privada” em saber se governantes ou familiares “têm ou não ações da REN”, sublinhando que se trata de um negócio em que “o próprio Governo decidiu intervir”. Por isso, considerou essencial que o ministro esclareça “se houve ou não comissões pagas no negócio da REN” e se alguém “direta ou indiretamente lucrou com a operação”.

O presidente do Chega admitiu também “suspeitas de luvas [subornos] no negócio da REN”, classificando-as como “graves” e como sinal de que “podemos ter aqui coisas mal explicadas e até eventualmente corrupção”. Ventura disse querer uma resposta clara do Governo "sobre há ou não membros do Chega, da sua família direta, com participações da REN”, corrigindo de imediato um lapsus linguae, dizendo que se referia ao Governo.

As declarações surgem no seguimento da decisão já anunciada pelo partido de requerer a presença do ministro das Finanças na Assembleia da República para explicar o processo de aquisição de 13% da REN, uma operação que Ventura tem descrito como “mal explicada” e envolta em “nebulosidade”.

Ontem o Ministério da Finanças, na sequência de uma notícia do Correio da Manhã, de que terão sido pagas "comissões" no processo de compra pela Parpública da participação na REN, enviou um comunicado às redações, em que apelida de manchete do CM de "falsa e caluniosa". O ministério tutelado por Joaquim Miranda Sarmento revela que os serviços de assessoria jurídica e financeira inerentes à operação custaram 100 mil euros, e identifica as entidades contratadas para acompanhar o negócio: o Caixa Banco de Investimento e o escritório de advogados Sérvulo e Associados.

O Ministério explica ainda que a diferença entre o financiamento disponibilizado à Parpública, de cerca de 393 milhões de euros, e os 389,8 milhões efetivamente pagos resulta da previsão de um montante máximo para a operação, e que valor não utilizado, de cerca de quatro milhões de euros, permanece na Parpública.

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