André Ventura e António José Seguro devem ser os protagonistas da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, e que até hoje só se realizou em 1986, quando o socialista Mário Soares derrotou o centrista Freitas do Amaral. Segundo a sondagem da Aximage feita para o DN, o líder do Chega vencerá a primeira volta, tendo 24,7% de intenções de voto, contra 23% do antigo secretário-geral do PS, ficando mais de oito pontos percentuais à frente dos adversários mais próximos: João Cotrim de Figueiredo (14,9%), Marques Mendes (14,9%) e Gouveia e Melo (13,6%).. Apesar de os resultados decorrerem da distribuição dos 14,1% de indecisos entre os inquiridos pela Aximage, em 606 entrevistas realizadas entre 9 e 12 de janeiro, a margem de erro de 4% indica que Ventura e Seguro alcançaram uma vantagem em relação aos restantes candidatos que transforma o ato eleitoral que decidirá a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa numa corrida a dois. Entre os inquiridos, 22,1% responderam que irão votar neste domingo no líder partidário que passou de deputado único a líder da oposição em seis anos e quatro eleições, enquanto 19,9% o farão no antigo eurodeputado, ministro e secretário-geral socialista que lançou a candidatura à revelia do seu partido, que demorou meses a declarar-lhe apoio. Muito atrás vêm o eurodeputado liberal (13,5%), o antigo presidente social-democrata (11,9%) e o almirante que coordenou a taskforce da vacinação contra a covid-19 (11,3%).Comparando estes resultados com a sondagem relativa às eleições presidenciais que a Aximage realizou em dezembro, Seguro duplicou as intenções de voto, Mendes e Gouveia e Melo perderam quase metade dos apoiantes, e Ventura e Cotrim de Figueiredo progrediram três pontos percentuais. Isso levou o presidente do Chega a aumentar a sua liderança, mas não será suficiente para o eurodeputado liberal disputar a segunda volta, ao contrário do que tem sido admitido por outros estudos de opinião, como o da Universidade Católica, revelado na terça-feira pela RTP. Isso poderá estar relacionado com o facto de a sondagem da Aximage incluir entrevistas realizadas nesta segunda-feira, que ficou marcada pelas ondas de choque provocadas pela declaração em que Cotrim de Figueiredo não excluiu apoiar Ventura na segunda volta. E também por alegações de assédio sexual, feitas através de uma publicação na rede social Instagram por uma antiga assessora da Iniciativa Liberal - e prontamente desmentidas pelo candidato..Ventura lidera em quase tudo.A vantagem de André Ventura na sondagem da Aximage é transversal à quase totalidade dos segmentos do eleitorado, vendo-se ultrapassado por Seguro apenas entre os mais velhos, os mais ricos, os residentes na Área Metropolitana do Porto e aqueles que votaram no PS nas legislativas de 18 de maio de 2025.Ao contrário do que era tradicional no Chega, Ventura reúne maior percentagem de apoio entre as mulheres (25,3%) do que nos homens (24,1%), e António José Seguro tem uma diferença menor (23,1% no eleitorado masculino e 22,9% no feminino), sendo o impacto de género mais vincado noutras candidaturas: Cotrim de Figueiredo tem consigo 17,7% dos homens e somente 12,1% das mulheres, revertendo-se essa proporção para Marques Mendes, que conta com 12,2% dos homens e 17,7% das mulheres. E se Gouveia e Melo apresenta mais apoio masculino (15,9%) do que feminino (11,3%), a menos mal posicionada de entre os candidatos mais à esquerda, Catarina Martins, só atinge 2,4% de intenções de voto - à frente do ex-deputado do PCP António Filipe (2%) e de Jorge Pinto (1,5%), atual deputado do Livre - graças aos 4,4% que consegue entre as mulheres, contrastando com os irrisórios 0,5% de homens que querem ver a antiga coordenadora do Bloco de Esquerda trocar o Parlamento Europeu pelo Palácio de Belém.No que toca a escalões etários, André Ventura lidera em todos os “sub-65”. Mas enfrenta uma forte concorrência de João Cotrim de Figueiredo nos mais jovens (dos 18 aos 34 anos), ultrapassando-o por apenas dois pontos (32,5%-30,5%), enquanto supera Seguro de forma folgada no eleitorado entre os 35 e os 49 anos (30,6%-19,2%) e faz o mesmo a Marques Mendes naqueles que têm entre 50 e 64 anos (28,2%-19,6%). Cabe aos inquiridos com 65 anos ou mais limitar a vantagem do líder do Chega, relegando-o para a quarta posição (12,6%), muito atrás de António José Seguro, cujos 35,8% refletem a habitual vantagem do PS entre os pensionistas, e igualmente aquém de Marques Mendes (18,9%) e Henrique Gouveia e Melo (17,2%).Também nos escalões socio-económicos se verifica um claro contraste entre os dois candidatos que devem disputar a segunda volta. Ventura lidera nos mais pobres, da classe D, com 26% de intenções de voto, superando Gouveia e Melo (22,5%) e Marques Mendes (21%) - e também claramente acima de António José Seguro (14,1%). A vantagem do líder do Chega, que promete ser um Presidente da República mais interventivo, sobre o socialista adepto do diálogo, que fez uma travessia do deserto ao longo de quase uma década, após perder a liderança do PS para António Costa, repete-se na classe média-baixa (C2), com 27,1%-21,6%, e na classe média-alta (C1), com 27,7%-24%, mas encontra o seu calcanhar de Aquiles nos mais abastados. Seguro lidera na Classe A/B, com 27,3%, e Cotrim de Figueiredo (20,4%) também tem mais apoio do que Ventura (16,7%). A Área Metropolitana do Porto é a única região em que a sondagem coloca Seguro na primeira posição, com 26,9%, à frente de André Ventura (18%) e de João Cotrim de Figueiredo (17,9%), mas o socialista também fica a duas décimas do líder do Chega no Centro (27%-26,8%). No resto do país, o vencedor incontestado da primeira volta é sempre Ventura, com resultados robustos no Norte (27,6%), na Área Metropolitana de Lisboa (26,7%) e no Sul e Ilhas (25%). Por seu lado, Marques Mendes tem o melhor desempenho no Centro (22,8%) e Gouveia e Melo atinge o seu máximo no Sul e Ilhas (17,2%)..Eleitorado da AD entre Mendes e Cotrim.Um dos motivos para a queda de Marques Mendes em relação à sondagem de dezembro, na qual surgia em segundo lugar, só atrás de Ventura, tem a ver com a incapacidade de reter a maioria dos votos que deram a vitória à AD nas últimas legislativas. Tem consigo somente 36,8% desses eleitores, não muito mais do que os 25,3% que preferem Cotrim de Figueiredo na corrida a Belém, com Gouveia e Melo (15,6%), António José Seguro (12%) e André Ventura (8,8%) a disputarem os votos que elegeram os deputados do PSD e do CDS. Mas também António José Seguro fica longe de fazer o pleno do eleitorado do PS nas últimas legislativas, já de si muito diminuído em relação ao que é habitual. Conta com apenas 59,8%, sendo que a maior concorrência é de Gouveia e Melo, com 22%.Pelo contrário, Ventura tem apoio quase total de quem fez com que o Chega elegesse o segundo maior grupo parlamentar da presente legislatura, com 90,2% dos eleitores do seu partido dispostos a “arriscarem-se” a perder o seu líder para a Presidência da República. Também é quem recolhe uma maior percentagem de intenções de voto daqueles que se abstiveram nas eleições legislativas de 18 de maio de 2025, tendo 24% consigo, à frente de Gouveia e Melo (18,8%) e Marques Mendes (15,7%)..Detalhes.Pontos fortesAndré Ventura e António José Seguro dominam, mais o primeiro do que o segundo, em quase todos os segmentos. Mas alguns dos restantes candidatos também têm pontos fortes, com Cotrim de Figueiredo particularmente apoiado pelos eleitores mais jovens (dos 18 aos 34 anos), com 30,5% do total. Por seu lado, tanto Henrique Gouveia e Melo (22,5%) como Marques Mendes (21%) têm uma parte muito considerável das intenções de voto entre os eleitores que têm rendimentos mais baixos.Indecisos aumentamA sondagem de janeiro, com 606 entrevistas entre 9 e 12 de janeiro, tem 14,1% de indecisos, num claro acréscimo em relação aos valores do estudo de opinião que a Aximage realizou em dezembro do ano passado e que foi então publicado pelo DN. Nessa altura, os Indecisos eram apenas 10,6%.Distribuição dá empateO empate a 14,9% entre João Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes decorre do método de distribuição de indecisos da Aximage, que toma em consideração, entre outros fatores, o voto nas eleições legislativas. Entre os inquiridos, 13,5% disseram que votarão no eurodeputado da Iniciativa Liberal e 11,9% optaram pelo atual conselheiro de Estado e antigo presidente do PSD.Crise mais à esquerdaOs resultados da sondagem da Aximage trazem novos sinais de crise para os candidatos apoiados pelos partidos mais à esquerda, que dividem menos de 6% do eleitorado mesmo após a distribuição de indecisos. Apesar de cair muito em relação a dezembro, a bloquista Catarina Martins (2,4%) fica à frente do comunista António Filipe (2%) e de Jorge Pinto, deputado do Livre (1,5%)..Ficha tecnicaObjetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage – Comunicação e Imagem Lda. para o DN sobre as eleições presidenciais.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em 606 entrevistas efetivas: 565 entrevistas CAWI e 41 entrevistas CATI; 295 homens e 311 mulheres; 128 entre os 18 e os 34 anos, 146 entre os 35 e os 49 anos, 167 entre os 50 e os 64 anos e 165 para os 65 e mais anos; Norte 212, Centro 138, Sul e Ilhas 87, Área Metropolitana de Lisboa 169.Técnica: Aplicação online – CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) – de um questionário estruturado a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas para os indivíduos com 18 ou mais anos; entrevistas telefónicas – metodologia CATI (ComputerAssisted Telephone Interviewing) do mesmo questionário devidamente adaptado ao suporte utilizado, ao sub-universo utilizado pela AXIMAGE nos seus estudos políticos. O trabalho de campo decorreu entre 09 e 12 de janeiro de 2026. Taxa de resposta: 70,69%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,0%.Responsabilidade do estudo: Aximage – Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.