O presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida, entregou ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) dessa comarca uma denúncia criminal a requerer ao Ministério Público que a vereadora socialista Ana Mendes Godinho responda pelos crimes de injúria, difamação aos membros do executivo municipal e ofensa à própria autarquia, enquanto organismo, serviço ou pessoa coletiva.Na participação, enviada ao DIAP de Sintra a 13 de maio, está em causa a intervenção de Ana Mendes Godinho na segunda reunião de Câmara do mandato - em que a coligação PSD-Iniciativa Liberal-PAN derrotou a do PS e do Livre -, quando a socialista criticava o que disse ser a falta de acompanhamento dos serviços da autarquia à família de uma grávida guineense que faleceu no Hospital Amadora-Sintra, tendo o seu bebé morrido no dia seguinte. Segundo a ata da reunião de 18 de novembro de 2025, incluída na denúncia criminal, Mendes Godinho terá dito esperar que “não tenha havido nenhumas orientações no sentido de não visitação nem acompanhemento da família, só porque a senhora não nasceu em Portugal”. E rematou com o comentário que levou à queixa-crime: “Espero que isto não resulte já de orientações que possam vir, nomeadamente, do acordo que existe com o Chega na vereação”.Referia-se à atribuição de pelouros a dois dos três vereadores eleitos pelo Chega (Anabela Macedo e Ricardo Aragão Pinto), ficando apenas a cabeça de lista Rita Matias fora do executivo. Foi a solução encontrada por Marco Almeida, que só elegeu mais três elementos da sua coligação, para garantir governabilidade, numa brecha à recusa de entendimentos com o partido de André Ventura, que desde então se alargou a Cascais e Aveiro.Logo após a intervenção da socialista, Marco Almeida anunciou que iria fazer uma participação judicial sobre o que ouvira na reunião pública, que estava a ser transmitida online. “Não aceito, no arranque do mandato, que alguém possa insinuar que dentro da Câmara alguém tenha sugerido, sequer, que o acompanhamento da grávida não tenha sido feito, ou que a família não tenha sido acompanhada, pela cor da pele”, disse o autarca, para quem os seus vereadores foram “enxovalhados com insinuações”.Essa argumentação também consta da denúncia formalizada por Marco Almeida a 13 de maio, requerendo tomada de declarações e apresentando como testemunhas seis vereadores, o seu chefe de gabinete e um diretor municipal. Considera que a socialista “quis denegrir, difamar, caluniar e insultar, publicamente (com difusão através de meios de comunicação social), e de forma clara e inequívoca, o presidente e a maioria política que governam a Câmara de Sintra”, com “afirmações que não podem ser interpretadas como meras palavras proferidas no âmbito do ‘combate’ político”..Visada soube pelo DN.Ana Mendes Godinho ainda não foi notificada pelo DIAP de Sintra, tendo tomado conhecimento da denúncia pelo DN. Ausente de Portugal, deixou a garantia de que “não me intimidam com queixas-crime”. “Farei sempre a missão de escrutínio e de questionar o exercício da função política e opções políticas”, reforçou. Defendendo que, “numa democracia, questionar não pode ser um problema”, a antiga ministra argumentou que o seu comentário “não teve nada a ver” com Marco Almeida. E, depois de saber, através do DN, que a denúncia lhe imputa ilícitos criminais, disse que o único objetivo da sua intervenção foi “defender que uma tragédia humana desta dimensão deve ser plenamente esclarecida, com respeito pela família, pelas entidades competentes e pela dignidade das vítimas”..De costas voltadas no 25 de Abril.A má relação de Marco Almeida e Ana Mendes Godinho, que encabeçaram as coligações mais votadas pelos sintrenses nas autárquicas de 2025, ficou patente na cerimónia oficial do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, realizada em Massamá.A vereadora socialista foi acusada de desrespeitar o rival, ao manter-se voltada de costas para o palanque, com vídeos partilhados nas redes sociais a mostrá-la a consultar o telemóvel enquanto o presidente da Câmara de Sintra discursava.Ao DN, a antiga ministra reduziu esse incidente a “um fait-divers estúpido, e sem razão nenhuma, vindo de quem quer entrar nas notícias nacionais”. E garantiu ter estado “na posição em que era suposto, virada para as forças de segurança e para a população”, acusando os eleitos da maioria de terem “furado” o protocolo..Sintra. Marco Almeida nomeia para chefe de divisão de polícia municipal candidato autárquico do Chega.IL retira confiança política a vereadora em Sintra. Marco Almeida diz-se "satisfeito" com acordo