O deputado social-democrata Bruno Vitorino anunciou que não votará nem em António José Seguro nem em André Ventura na segunda volta das eleições presidenciais, que irá decorrer a 8 de fevereiro. "Não votarei num socialista" e "não votarei num populista", explicou o eleito pelo círculo de Setúbal, em textos partilhados na sua conta de Facebook, e que tiverem apoio de centenas de utilizadores, incluindo o secretário de Estado-Adjunto e da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, que é líder distrital do PSD. Bruno Vitorino começou por dedicar uma publicação a António José Seguro, que tem somado apoios entre os sociais-democratas, mesmo após o presidente do partido (e primeiro-ministro), Luís Montenegro, ter dito, logo na noite da primeira volta, que o PSD se excluíria da campanha, por não estar representado por qualquer um dos candidatos mais votados no domingo passado. Desde então, figuras destacadas, como o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, o antigo ministro Miguel Poiares Maduro, e o candidato presidencial derrotado Marques Mendes, declararam apoio ao antigo secretário-geral do PS. E o mesmo foi admitido ao DN como sendo natural pelo antigo Presidente da República Cavaco Silva..Destoando dessa vaga de apoios, Bruno Vitorino enunciou motivos para não poder contribuir para a eleição de António José Seguro enquanto sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. "Não posso perdoar o que o PS fez ao meu país: deixou-nos uma crise social e uma crise de valores. Caos na saúde. Caos nos serviços públicos. Caos na imigração. Caos na segurança interna. Caos na nossa defesa nacional. Tudo com o silêncio conivente deste candidato. Não sou socialista. Não votarei num socialista", escreveu o deputado social-democrata.Para André Ventura, Bruno Vitorino, que ainda não decidiu se votará branco ou nulo, dedicou críticas igualmente contundentes, noutra publicação no Facebook. "Não alimentarei aqueles que têm como objetivo assumido destruir o PSD. Tenho memória dos cartazes de Montenegro ao lado de Sócrates, com a frase 50 anos de corrupção. Nada podia ser mais baixo e mais ofensivo para quem é do PSD", escreveu, recordando o incidente em que foi acusado de ter proferido ameaças a uma deputada do Chega, no decorrer de um debate parlamentar, acusando o grupo parlamentar do partido de Ventura de, "com táticas típicas típicas da esquerda totalitária", ter manipulado a opinião pública contra si..No entanto, apesar de criticar o "populismo puro" que o impede de votar "naqueles que prometem tudo a todos sem nunca explicares de que árvores das patacas vem o dinheiro", Bruno Vitorino ressalva que se recusa a "alimentar o discurso" de que quem votar em André Ventura "é fascista ou xenófobo, como se só a esquerda tivesse legítimos candidatos, puros e donos da liberdade".Atual coordenador do seu grupo parlamentar na Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República, o social-democrata, que ao longo dos anos enfrentou dificuldades para cimentar a posição do PSD no Barreiro, escreveu mesmo que aqueles que agora atacam os eleitores de André Ventura "foram os mesmos que durante anos me chamaram a mim a fascista"..Não-socialistas rejeitam "falta de sentido de Estado" e "divisionismo" de Ventura. Vão votar Seguro.Dilema à direita nas presidenciais: se “perder” Ventura pega, se “vencer” Ventura come