Com ex-diretor do SNS ao lado, Seguro recusa dar "recado" ao Governo. Gouveia e Melo chora com mulher iraniana

Acompanhe aqui as últimas horas da campanha eleitoral, com os candidatos a tentarem convencer o eleitorado nas várias ações previstas para este dia. As eleições realizam-se no domingo (18 de janeiro).
António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.
António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

Ex-diretor do SNS aparece na campanha, mas Seguro recusa "recado" ao Governo

António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.
António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

O ex-diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) Fernando Araújo apareceu hoje na campanha presidencial de António José Seguro, mas o candidato manteve que não envia recados ao Governo sobre políticas nesse ou noutros setores.

"Eu não dou recados nenhuns. Vão-se habituar que eu falo e isso tem de ter consequências. Chega de palavras, é preciso ações. Quando tenho de falar, eu falo diretamente. Se houver algum problema com algum setor, com algum ministro, o primeiro a saber vai ser o primeiro-ministro", disse hoje António José Seguro durante um café com Fernando Araújo, Manuel Sobrinho Simões, Álvaro Beleza e Isabel Pedroto, no Porto.

Fernando Araújo tinha aparecido na campanha no Mercado do Bolhão, percorrido pela caravana de Seguro antes do café, tendo Seguro classificado o apoio do ex-diretor do SNS como "um apoio importante porque é uma referência na área da saúde e tem demonstrado como é possível organizar e fazer uma gestão diferente dos recursos públicos, e isso dá resultados".

Já no café, Fernando Araújo, que foi cabeça de lista do PS nas eleições legislativas de maio de 2025, reiterou que "o principal problema das pessoas continua a ser a saúde", defendendo que "o Presidente da República pode ter um papel fundamental em trazer este tema para cima da mesa e exigir soluções".

Porém, para António José Seguro, "não é uma mudança que se faça de um dia para o outro", pois as "mudanças estruturais exigem tempo, correção, ponderação".

"Naturalmente fico muito feliz com a presença do Fernando Araújo aqui", manifestou Seguro, que elegeu a Saúde somo principal prioridade de um eventual mandato presidencial, sobre o médico.

Em plena confusão no Mercado do Bolhão, e questionado sobre se foi um erro a saída de Fernando Araújo de diretor-executivo do SNS, Seguro respondeu imediatamente: "Na minha opinião...", interrompendo a frase.

Fez uma pausa, sorriu, e completou a frase afirmando que "Fernando Araújo é muito, muito competente" e disse esperar "que ainda dê muitos contributos ao país, não contributos regionais, mas contributos nacionais".

Já sobre se daria um bom ministro da Saúde, Seguro respondeu que não é candidato a primeiro-ministro, delegando essa responsabilidade em "quem forma Governos", mas salientou, sobre Fernando Araújo, "que a sua qualidade, o seu talento, as suas capacidades de trabalho e a sua ponderação fazem dele um dos portugueses que ainda vai dar muito ao país".

"Nós temos muito talento no nosso país e temos resultados que decorrem da competência de muita gente. Essas pessoas têm de estar na linha da frente na resposta às questões de saúde", frisou, recordando que é um setor onde "já há muita gente que provou que se pode, com os mesmos recursos, fazer melhor".

Ainda no Mercado do Bolhão, Seguro tinha recordado uma reunião com o ex-diretor da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, Alexandre Lourenço, "uma pessoa excecional, fez um trabalho enorme, e de um momento para o outro, porque terminou o seu mandato, foi substituído".

"Quando as pessoas com talento são substituídas e essa substituição não resulta de uma avaliação dos resultados, então não se está a premiar a qualidade e a competência, e as pessoas vão fazer outras coisas", afirmou.

Tal como tinha referido no Mercado do Bolhão, no café o médico e investigador Sobrinho Simões referiu que a saúde é um "exemplo típico de uma coisa que tem que ser resolvida com urgência"

"Esta tentativa que nós fizemos de ter as Unidades Locais de Saúde (ULS) é a única solução que nós temos em Portugal. Vamos ver se as conseguimos pôr a funcionar", defendeu o também médico.

Lusa

Jorge Pinto aponta Gouveia e Melo como exemplo de candidato à 2.ª volta que defende Constituição

Jorge Pinto apontou hoje Henrique Gouveia e Melo como exemplo de um dos “vários candidatos” a Belém com hipóteses de ir à segunda volta que defende a Constituição.

Em declarações aos jornalistas na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa, Jorge Pinto insistiu que percebe os eleitores que, por medo de uma segunda volta entre André Ventura e João Cotrim Figueiredo, votarão noutra candidatura que não a sua, acrescentando que “não é ninguém para julgar” os eleitores.

Questionado sobre em quem devem votar esses eleitores com medo, o candidato presidencial Jorge Pinto argumentou que “depende da sondagem que acreditarem mais”, porque também isso está em jogo na decisão das pessoas, mas frisou antes que o “único apelo que faz na primeira volta” é ao voto na sua candidatura.

O candidato a Belém apoiado pelo Livre pediu às pessoas que “oiçam quem quer defender a Constituição” nestas eleições e percebam como o farão, tendo apontado Henrique Gouveia e Melo como exemplo, após ser questionado sobre que nomes com hipóteses de segunda volta dão garantias de respeitar a lei fundamental.

“No debate comigo, o próprio Henrique Gouveia e Melo disse que iria defender a Constituição de uma maneira até mais aguerrida do que outros candidatos disseram. Há vários candidatos, eu não me arrogo no único defensor da Constituição, mal seria e mal estaria o país”, afirmou.

Esta semana, Jorge Pinto já tinha frisado que outras candidaturas, em particular a de António José Seguro, estava a “ficar desperta” do risco de revisão constitucional, afirmando que essa posição “já mostra bem a validade” da candidatura a Belém.

Jorge Pinto fez também um balanço da sua campanha, dizendo-se feliz com um sentimento de “missão cumprida e de consciência tranquila” por ter “conseguido cumprir o que disse no primeiro dia” em que anunciou a candidatura.

O candidato sublinhou que o próximo chefe de Estado enfrentará muitas dificuldades e disse que “não desiste do país, nem tem medo de falar de amor, de empatia, de entreajuda”.

“Dizer que este Portugal do ódio que nos querem aí vender não é o Portugal ao qual nós estamos condenados. E assim sendo, esta candidatura valeu muito a pena e é apenas o início. Porque dia 19, cá continuaremos para fazer esta política otimista, mas também para fazer barreira e lutar em defesa do nosso país, desde logo, como tenho dito imensas vezes, para defender a nossa Constituição e a nossa República”, resumiu.

Lusa

Mulher iraniana deixa Goveia e Melo a chorar

Henrique Gouveia e Melo numa ação de campanha no Mercado de Benfica.
Henrique Gouveia e Melo numa ação de campanha no Mercado de Benfica.FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Gouveia e Melo comoveu-se, hoje, em campanha no Mercado de Benfica, em Lisboa, após uma senhora iraniana ter chorado convulsivamente nos seus braços, temendo estarem a acontecer assassinatos no seu país. O candidato presidencial precisou mesmo de afastar-se para um canto do mercado, onde ficou zoinho durante alguns minutos.

Segundo relata a Lusa, a senhora aproximou-se do ex-chefe do Estado-Maior da Armada e disse-lhe em inglês que é iraniana e que a sua filha é portuguesa, “de um país que sabe o que é a liberdade”.

“O Irão está em risco com um regime terrorista. Há mortes todos os dias. Há cinco mil iranianos em Portugal. Temos pelo menos 60 mil pessoas em risco e não conseguimos fazer nada, nem saber nada”, afirmou.

Já a chorar, com a cabeça nos braços do almirante, manifestou-se apreensiva por o regime de Teerão ter fechado as comunicações com o exterior.

“Fecharam a internet, fecharam os telefones e todas as comunicações. Não temos notícias do Irão”, declarou, antes de deixar um pedido (no mínimo difícil) ao candidato presidencial.

“Por favor, deporte este embaixador iraniano [em Portugal] que representa um regime terrorista. Sei que o senhor não é político, sei que o senhor ajuda as pessoas. Por favor, ajude-nos”, implorou.

Foi depois deste apelo que Gouveia e Melo, com lágrimas no rosto, se refugiou num canto do mercado e, segundo a Lusa, quando regressou estava sem grande vontade de conversar com clientes ou vendedores do mercado.

“Estamos num mundo muito conturbado. Está por dias uma ação no Irão. Aquela senhora deixou-me emocionado. Diz que não consegue sequer saber o que se passa no Irão, porque cortaram a internet. Há suspeitas de execuções em massa e prisões em massa”, disse mais tarde, já no fim da ação de campanha e já reestabelecido.

“O mundo está mesmo muito confuso e precisamos de alguém com capacidade de decisão, alguém com capacidade para acrescentar valor ao Estado Português, valor nas cadeias de decisão. Face à minha experiência anterior, posso constituir esse elemento”, acrescentou.

Lusa

Pureza admite que resultado de Catarina Martins será importante para futuro do BE

José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, admitiu hoje que o resultado de Catarina Martins será importante para medir o futuro do partido, justificando que a campanha da candidata reflete também o projeto político do BE.

Durante uma visita ao Mercado Municipal de Guimarães, em que acompanhou a candidata às eleições presidenciais de domingo, o líder do BE foi questionado se o resultado de Catarina Martins no domingo será importante para medir o futuro do partido.

“Sempre disse que sim, que o resultado desta candidatura é importante, porque dará força àquilo que é a nossa luta por um país mais justo”, respondeu.

Segundo José Manuel Pureza, a candidatura de Catarina Martins, bem como a campanha que tem desenvolvido ao longo das últimas semanas, reflete o projeto político do BE e dá-lhe força.

“Por isso, é muito importante que esta candidatura tenha força e que essa força seja depois respeitada e assumida por quem quer que seja. O BE seguramente o fará”, acrescentou.

Lusa

Cotrim diz que quem quer um Portugal “mais moderno” tem de começar a renovar o sistema político

Cotrim Figueiredo voltou a abordar hoje, em Guimarães, o apelo ao presidente do PSD, Luís Montenegro, para que recomendasse o voto na sua candidatura, ao qual não obteve resposta.

Eu fiz um apelo ao senhor primeiro-ministro para que recomendasse o voto ao eleitorado do PSD e, na verdade, estava implícito também à globalidade da AD, portanto o CDS-PP incluído, porque não há outro candidato no centro-direita que possa chegar à segunda volta”, apontou.

E, dos outros candidatos que podem chegar à segunda volta, um deles perde “sempre, sempre, sempre”, repetiu, aludindo a André Ventura.

Dirigindo-se diretamente aos eleitores, Cotrim Figueiredo explicou que quem quer um Portugal “mais moderno” tem de começar a renovar o sistema político, que não é só uma questão de renovar partidos ou de renovar ideias, é também de renovar pessoas.

Cotrim Figueiredo disse que quando “se fizer a história” do que foram as eleições presidenciais se vai falar numa nova forma de fazer política e de fazer campanha, referindo-se à sua própria.

“Uma campanha que não dependeu de grandes orçamentos, não dependeu de máquinas partidárias, não dependeu de uma base partidária forte, não dependeu de nada que não fosse ideias claras, otimismo, confiança nas pessoas, vontade de fazer com decência e com exigência aquilo que é preciso fazer em Portugal”, especificou.

Lusa

Mendes diz que Seguro é “um pouco passivo” e próximo PR tem de ser “mais ativo e interventivo”

Luís Marques Mendes considerou hoje que António José Seguro é “um pouco passivo” e defendeu que o próximo Presidente da República deve ser “mais ativo e interventivo”, características que acredita ter.

Falando numa pastelaria em Sintra, no arranque do último dia de campanha para as eleições presidenciais de domingo, o candidato mostrou-se convicto de que representa “a única candidatura que, de uma forma clara, pode vencer ao populismo, pode vencer ao experimentalismo e pode vencer a uma candidatura de centro-esquerda que é muito simpática, mas que é um pouco passiva”.

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse existir “uma diferença essencial” entre si e o candidato apoiado pelo PS: “Ele é mais passivo, eu sou mais ativo”. “O Presidente da República tem que ser mais ativo, mais interventivo”, defendeu.

“Eu gosto da iniciativa, eu gosto de decidir. O Presidente da República tem de ser mais ativo dentro dos poderes presidenciais. Não deve criar crise, mas perante os problemas não pode ser passivo, não pode hesitar. Eu represento um pouco, pela minha maneira de ser, desde o início, um Presidente mais ativo”, salientou.

Luís Marques Mendes manifestou uma “confiança inabalável” de que passará a uma eventual segunda volta das presidenciais, uma vez que “ninguém vai ganhar à primeira, isso parece mais ou menos óbvio", e disse ter marcado presença em Sintra para buscar “inspiração para a vitória no domingo”, nomeadamente no resultado do presidente da Câmara, Marco Almeida (PSD), nas autárquicas.

Lusa

Catarina Martins: “Quando me candidatei não me candidatei a fazer as contas aos outros ou com taticismo"

Catarina Martins no Mercado Municipal de Guimarães.
Catarina Martins no Mercado Municipal de Guimarães.FOTO: ESTELA SILVA/LUSA

Catarina Martins disse hoje ver os outros candidatos presidenciais a fazer contas, sem que da soma entre eles resulte qualquer ideia, e defendeu que quem não tem um projeto para o país nem devia ter-se candidatado.

“Há tantos candidatos a fazer contas, mas todos somados não têm uma ideia para o país”, repetiu a candidata apoiada pelo BE.

No último dia da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, Catarina Martins visitou o Mercado Municipal de Guimarães, onde fez um balanço das últimas duas semanas, comparando a sua campanha à dos adversários.

“Não há dia nenhum em que eu não tenha conjugado o contacto com a população para ouvir o que as pessoas dizem, com um projeto para o país, com mostrar o que eu acho que pode ser uma Presidente da República que responda às pessoas”, recordou a candidata.

Entre as idas a feiras e mercados e os debates temáticos ou visitas a projetos sociais que considera serem bons exemplos, Catarina Martins quis levar para a campanha temas que diz serem estruturantes e que devem ser prioridade do próximo Presidente da República, como a saúde, habitação, ambiente ou a revolução tecnológica.

Olhando para a campanha dos restantes candidatos, diz não ter visto o mesmo compromisso, mas antes um jogo de estratégia político e apelos ao voto útil.

“Quando me candidatei não me candidatei a fazer as contas aos outros ou com taticismo. Candidatei-me porque eu gosto mesmo muito de Portugal”, afirmou a candidata, numa resposta ao facto de o candidato Jorge Pinto ter admitido compreender aqueles que votem em Seguro. A antiga líder do BE acrescentou que “quem não tem um projeto para o país nem sequer se devia ter candidatado”.

“Eu sei de que lado estou. Os grandes interesses económicos têm muita gente para os defender, mas quem vocês aqui veem, que depende do seu salário e conta os tostões para chegar ao fim do mês, quem tem uma pensão baixa depois de uma vida de trabalho, os jovens que desesperam porque não encontram uma casa… Esses sabem que é comigo que contam”, sublinhou.

Por isso, Catarina Martins repetiu o apelo ao voto com convicção, um voto que – defendeu a candidata – representa a crença numa “democracia de iguais” e de que o chefe de Estado “pode ser a voz fundamental” na defesa dos salários, pensões, acesso à saúde, à educação e à habitação.

“Tem sido extraordinário a quantidade de pessoas que vêm falar comigo e que sabem que eu represento essa força de um país que quer viver melhor, em que as pessoas se ajudam, são solidárias, e em que quem trabalha pede que a política responda às suas necessidades”, afirmou.

Num mercado em que recebeu o apoio de várias mulheres, que defenderam que é hora de ter uma mulher na Presidência da República, a única candidata apelou também ao voto dos homens que querem quebrar o ‘tabu’ de que o chefe de Estado deve ser um homem.

“Eu quero um país de homens e mulheres que lutam pela igualdade e sei que há muitos homens neste país que sabem que está na altura de quebrar um tabu de que uma mulher não pode chegar à Presidência da República, porque eu sei que há muitos homens que também sabem que uma democracia em que as mulheres têm voz é uma democracia mais forte”, justificou.

Lusa

Gouveia e Melo avisa que democracia estará em perigo se, na segunda volta, Ventura tiver apoio da IL e liberdade de voto no PSD

Gouveia e Melo afirmou hoje que a democracia estará em risco se André Ventura, numa segunda volta contra António José Seguro, tiver o apoio da IL e beneficiar da liberdade de voto no PSD.

Esta posição foi transmitida pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada em declarações após uma ação de campanha no Mercado de Benfica, em Lisboa.

Tal com fez na véspera, durante um comício da sua candidatura no Porto, Gouveia e Melo voltou a deixar avisos aos cidadãos de esquerda sobre uma possível vitória do líder do Chega numa segunda volta das eleições presidenciais, se tiver como adversário o antigo secretário-geral do PS.

“Se eu passar à segunda volta, nenhum partido de esquerda ou de direita perde”, sustentou, procurando assim colocar-se como o melhor candidato para captar votos, quer na direita democrática, quer na esquerda.

Mas, na sua perspetiva, se Seguro disputar a segunda volta com André Ventura, isso já não acontecerá.

“A esquerda é minoritária neste momento. Se o PSD dá liberdade de voto e com a Iniciativa Liberal (IL) a dizer que apoia o candidato do Chega [numa segunda volta], estamos numa situação verdadeiramente perigosa para o sistema democrático”.

Por isso, para o almirante, nesta primeira volta, “quem vota à esquerda precisa de ter cuidado”. “Tem de pensar nisto porque a eleição presidencial tem duas voltas. Não basta um candidato passar à primeira volta”, argumentou.

Lusa

Marcelo avisa que o seu sucessor terá uma "tarefa mais difícil" que a sua

Marcelo Rebelo de Sousa avisou hoje que o seu sucessor como Presidente da República vai ter "uma tarefa mais difícil" porque "o mundo e, em particular, a Europa, estarem mais imprevisíveis". "É difícil a tarefa que ele terá em comparação com a minha, sublinhou.  

O Chefe de Estado descreveu a situação global como "de imprevisibilidade enorme, que não havia há 10 anos ou não havia há 15 anos".

"O mundo está mais imprevisível, a Europa está mais imprevisível. Isso torna a política mais difícil, torna as decisões económicas e sociais mais difíceis. Obriga as pessoas, elas próprias, ao pensar na sua vida, a terem preocupações maiores do que tinham antigamente", prosseguiu.

Por isso, na sua opinião, "olhando para o Presidente que vai ser eleito este fim de semana, ou que, pelo menos, a primeira votação será neste fim de semana, é mais difícil a tarefa que ele tem" do que a sua.

Quanto a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o país não está pior, economicamente, referindo que quando iniciou funções, em 2016, se estava "a sair ainda do processo de défice excessivo e a banca estava muito mal, no sentido de que estava com sinais de necessidade de capitalização e de reformulação".

"Mas o mundo e a Europa estão mais complicados. E, portanto, para Portugal, apesar da situação existente agora e dos fundos europeus, do PRR, que dá uma ajuda nos próximos anos, e do Portugal 2030, apesar dessa situação económica, é evidente que o Presidente vai ter uma situação mais complicada que vem do mundo e da Europa", reforçou.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se a favor de se manter um dia de reflexão, no sábado, "um compasso de espera de 24 horas", em vez de se "avançar imediatamente para o voto".

O Presidente da República argumentou que "as campanhas estão a ser e vão ser cada vez mais intensas" e que, também devido à conjuntura externa, "naturalmente há uma controvérsia e um debate muito mais aceso" e chega-se ao fim das campanhas "de uma forma muito emocional" e "muito confrontacional".

"A vantagem do dia da de reflexão é as pessoas, que estão na ponta final, viveram intensamente, minuto a minuto, segundo a segundo, hora a hora, a campanha, poderem respirar, poderem pensar noutras coisas das suas vidas, e haver uma distensão", defendeu.

DN/Lusa

Cotrim revela que já apresentou queixa contra ex-assessora que o acusou de assédio

João Cotrim de Figueiredo disse ainda em Guimarães que já foi apresentada a prometida queixa na justiça contra a ex-assessora da Iniciativa Liberal, sobre a acusação de um alegado caso de assédio sexual.

O candidato disse ainda que, se for eleito, não irá sentir a pressão de um cargo tão exigente como o de Presidente da República.

"Eu lidei com pressões bastante maiores na minha vida, obtendo resultados. Fi-lo, em cada momento, da forma que me pareceu mais adequada”, sublinhou.

Cotrim lança apelo: “Quem não quiser eleger António José Seguro, vote em mim”

João Cotrim de Figueiredo no mercado de Guimarães.
João Cotrim de Figueiredo no mercado de Guimarães.FOTO: HUGO DELGADO/LUSA

No início do último dia de campanha, João Cotrim de Figueiredo lançou um apelo ao voto lembrando que “só há três candidatos com hipóteses de ir à segunda volta” e, nesse sentido, definiu o voto na sua candidatura como útil: "Quem não quiser eleger António José Seguro, vote em mim.”

A ideia de Cotrim passa pela elevada taxa de rejeição dos eleitores em André Ventura numa segunda volta das Presidenciais, pelo que considera que só ele terá capacidade de vencer António José Seguro.

Em visita ao mercado de Guimarães, Cotrim de Figueiredo explicou ainda por que razão disse ontem que Seguro dá sono e Ventura é um pesadelo: “O sono é algo que nos adormece e que não nos dá particular energia nem movimento. E um pesadelo é aquilo que nos inquieta e que nos preocupa e que nos deixa ansiosos.”

Cotrim enalteceu, tendo por base as sondagens, que o crescimento da sua candidatura - com um sentido de voto na ordem dos 20% - "é raro na política portuguesa e merecerá ser inspiração para outras batalhas políticas do futuro”.

Emigrantes portugueses nos EUA relatam dificuldades em votar

A impossibilidade de votar por correspondência e a escassez de urnas de voto presenciais vão impedir muitos emigrantes portugueses de votarem nos Estados Unidos, à semelhança do que aconteceu em eleições presidenciais anteriores. 

Na Costa Oeste, os emigrantes recenseados terão de se deslocar ao Consulado-Geral de Portugal em São Francisco, na Califórnia, para poder exercer o direito de voto presencial, tendo de percorrer em muitos casos cerca de 600 quilómetros. A sua jurisdição abrange 13 estados: Califórnia, Alasca, Arizona, Montana, Idaho, Wyoming, Colorado, Havai, Utah, Nevada, Washington, Oregon e Novo México, além de territórios do Guam, Samoa Americana e Ilhas da Micronésia.

Mas é na Califórnia que reside o maior número de portugueses e luso-americanos e, tendo em conta a dimensão do estado, a situação está a deixar muitos emigrantes frustrados, segundo relataram à Lusa. 

“Para mim falar de eleições é falar de direito ao voto, mas quando o voto presencial é um requisito das eleições presidenciais eu sinto que esse direito é quase impossível de exercer”, disse à Lusa Nuno Duarte Silva, emigrado desde 2012 em Santa Mónica. 

“Para um português que viva na área metropolitana de Los Angeles, significa uma viagem de carro de sete horas e meia até ao consulado em São Francisco. Ou então ir de avião”, indicou. “As duas opções são dispendiosas e não estão ao alcance de qualquer um”. 

O português referiu que a distância é de cerca de 600 quilómetros e seria o equivalente a obrigar lisboetas a votar em Madrid ou algarvios a ir a uma urna de voto no Porto. 

“Idealmente deveria haver a opção do voto por correio tal como existe nas eleições parlamentares”, sugeriu Nuno Duarte Silva. “Honestamente, não percebo porque essa opção não é possível para estas eleições”.

Anita Rocha, que se mudou para o sul da Califórnia há 10 anos, nunca foi votar presencialmente a São Francisco. “É uma viagem longa de carro e dispendiosa se for de avião”, disse, apontando que isso implica marcar estadia num hotel. 

“Não consigo entender porque não poderia ser possível votar por correio como fizemos nas legislativas”, questionou. 

O engenheiro eletrotécnico Nelson Abreu poderá fazer a viagem para votar, mas apenas na segunda volta e aproveitando a deslocação para uma mini fuga de fim-de-semana com a mulher. 

O português chegou mesmo a pedir um orçamento para um autocarro que pudesse levar vários cidadãos ao consulado e facilitar o voto, mas o custo revelou-se demasiado elevado: cerca de 2.000 euros.  

Para Sara Ortins, que tem uma criança pequena, deslocar-se ao consulado-geral é difícil devido à distância e ao custo e a portuguesa não conta votar nesta eleição.  

“Se houver no futuro voto eletrónico, será o melhor para nós e uma opção mais plausível”, indicou. “Não havendo, não sei se vamos conseguir votar tão cedo numas presidenciais”.

Lusa

Seguro: "Não basta ter o voto no coração e na cabeça. Dêem-me uma oportunidade para mostrar o que valho"

António José Seguro  começou o dia de campanha no mercado de Vila do Conde.
António José Seguro começou o dia de campanha no mercado de Vila do Conde.FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

António José Seguro alertou esta sexta-feira, 16 de janeiro, que "não basta ter o voto no coração e na cabeça", mas é necessário as pessoas irem votar em si no domingo, alertando que nada está ganho.

"Não basta terem o voto no coração e na cabeça. É necessário irem pôr a cruzinha no quadrado à frente da fotografia do Seguro. Dêem-me uma oportunidade para mostrar o que valho", disse hoje à chegada do mercado e feira de Vila do Conde, no distrito do Porto.

Afirmando que as pessoas já lhe fazem sugestões para a Presidência da República, Seguro vincou que é necessário que a "simpatia" e "esperança" seja "concretizada e que cada portuguesa e cada português vá votar no próximo domingo".

"Só serei presidente se a maioria dos portugueses votarem em mim. Tenho essa confiança, muita confiança", afirmou.

Questionado sobre se espera declarações dos candidatos à esquerda semelhantes às de Jorge Pinto ou se esperava algum "telefonema ou surpresa" hoje, negou, garantindo ser igual a si próprio.

"Cada candidato faz o que entende. Da minha parte, eu faço aquilo que devo, que é falar com os portugueses", dizendo depois que avançou com a sua candidatura em 15 de junho por sentir convicção e que podia servir o país como Presidente da República.

"Tenho um perfil de diálogo, sou firme nos meus valores e nos meus princípios, sou leal à Constituição da República Portuguesa, não gosto de muitas coisas que vejo, em particular na saúde, onde há gente a sofrer sem necessidade, e venho com muita convicção e muita firmeza para melhorar o que está bem e mudar muito o que está mal", assinalou.

Lusa

Especialistas dizem que emigrantes poderão ter peso maior nestas eleições

Os votos dos emigrantes, que tradicionalmente têm pouca expressão, poderão ter um peso maior na eleição do próximo Presidente da República português do que em outros sufrágios, de acordo com especialistas nesta área contactados pela Lusa.

“O voto da emigração poderá não fazer a diferença, mas poderá ser importante, porque quanto menor é a diferença nas intenções de voto dos candidatos, maior evidentemente é a possibilidade de um reduzido número de votos fazer a diferença”, disse à Lusa o politólogo António Costa Pinto.

Nas últimas presidenciais (2021), votaram apenas 29.153 (1,88%) dos 1.549.380 emigrantes inscritos para este escrutínio, que reelegeu Marcelo Rebelo de Sousa.

Os portugueses que residem no estrangeiro apenas podem votar presencialmente nas eleições presidenciais, o que representa dificuldades acrescidas, dadas as grandes distâncias que em alguns casos têm de percorrer.

O historiador e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) ressalva as diferenças entre as eleições legislativas e as eleições presidenciais, no que diz respeito à participação dos emigrantes.

“Os emigrantes estão representados na Assembleia da República e, portanto, os partidos têm uma capacidade de mobilização maior junto da comunidade emigrada, enquanto as eleições presidenciais são unipessoais e não têm constituição da emigração.

E prosseguiu: “Uma parte dos candidatos nem sequer faz campanha eleitoral na emigração, enquanto nas legislativas isso é sempre feito”.

Para António Costa Pinto, as eleições que se disputam no domingo são “relativamente excecionais”, dado contarem com um número de candidatos muito elevado, um número de candidatos de partido muito elevado e, eventualmente, duas voltas.

Nestas circunstâncias, referiu, existe uma maior possibilidade de “um reduzido número de votos fazer a diferença”.

Jorge Malheiros, geógrafo e especialista na área da emigração, ressalva um aspeto interessante nestas presidenciais, cuja primeira volta se realiza no domingo: “Cinco candidatos aparecem separados por valores relativamente reduzidos nas sondagens. Pode acontecer que o voto da emigração seja mais determinante do que noutros casos”.

E explica que isso se deve ao facto de, “como as diferenças são pequenas, pode acontecer que sejam os votos dos emigrantes aqueles que vão contribuir para que um candidato que, por exemplo, tenha menos votos no território nacional, possa, com os votos da emigração, passar para uma posição que lhe permita chegar à segunda volta”.

“Ao contrário de outras eleições, nestas presidenciais os votos dos emigrantes podem ter um peso maior no processo de decisão”, acrescentou.

Lusa

Seguro com 20 pontos de vantagem em relação a Ventura na segunda volta, indica sondagem DN/Aximage

António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.
Sondagem DN/Aximage: Seguro com 20 pontos de vantagem em relação a Ventura na segunda volta

Domingo com frio e sol na generalidade do território

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê para domingo, dia de eleições presidenciais, temperaturas muito baixas, mas sol na generalidade do território.

De acordo com Paula Leitão, meteorologista do IPMA, para domingo estão previstas temperaturas muito baixas, aguaceiros fracos, mas apenas no interior e durante a madrugada, alguma nebulosidade, mas tempo seco na maior parte do território.

“Hoje e amanhã [sábado] continuamos com aguaceiros. Hoje ainda pode haver trovoadas e granizo, principalmente nas regiões do litoral durante a manhã. Amanhã [sábado] também há condições para ocorrer granizo”, referiu.

Segundo a meteorologista, está também previsto para hoje e sábado, queda de neve nos 1.200 metros de altitude, tendo sido emitido aviso amarelo.

“No domingo, vamos ter um dia com menos nebulosidade, no entanto haverá alguma nebulosidade na região do interior sul durante a madruga e pode haver alguma neve na Serra de São Mamede e em alguns pontos mais altos, e aguaceiros menos frequentes, mas a maior parte do território terá céu pouco nublado ou mesmo limpo”, disse.

Também no domingo, o vento vai soprar do quadrante norte, sendo mais intenso na faixa costeira, acentuando a sensação de frio.

Quanto às temperaturas, a meteorologista adiantou que vão estar bastante baixas com previsão de uma mínima de -3 e uma máxima de 09 para Bragança, Porto entre 03 e 12 de máxima, Lisboa entre 05 e 12, no Alentejo entre 03 e 12 e Faro uma máxima de 14 graus.

“Assim, vamos ter uma madrugada de domingo fria em alguns locais com nevoeiros e com possibilidade formação de gelo ou geada, um dia de sol com vento a soprar de norte sendo mais intenso na faixa costeira”, disse.

Lusa

Último dia da campanha eleitoral. Saiba onde vão andar os candidatos

Bom dia,

Siga aqui as últimas horas da campanha eleitoral, com os candidatos a tentarem convencer o eleitorado a votar nas suas candidaturas no próximo domingo, 18 de janeiro.

André Ventura irá fazer a descida do Chiado, em Lisboa, António José Seguro procura cativar os portugueses a norte do país, com deslocações a Vila do Conde e Gaia. Henrique Gouveia e Melo irá terminar a campanha em Lisboa com um comício no Pátio da Galé e Marques Mendes finaliza o dia num contacto com população em Algés.

Cotrim de Figueiredo encerra a campanha com um comício em Braga e António Filipe tem, pelas 17h45, um desfile com início no Largo do Chiado. Já Catarina Martins irá terminar o dia com um jantar na Associação de Moradores da Bouça, no Porto. 

Veja aqui como vai ser o último dia da campanha eleitoral:

António José Seguro no Mercado do Bolhão, no Porto.
A sexta-feira dos candidatos: Ventura faz descida do Chiado, Seguro procura cativar portuenses
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