Benjamim Pereira, presidente do IHRU
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PCP, Livre e PAN pedem audição do presidente do IHRU no Parlamento. BE exige demissão

Partidos consideram que declarações de Benjamim Pereira foram inaceitáveis e infelizes.
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PCP, Livre e PAN pediram esta sexta-feira, 23 de outubro, a audição parlamentar do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), considerando que as suas declarações foram inaceitáveis e infelizes.

Já o Bloco de Esquerda entenda que Benjamim Pereira deve demitir-se.

Refira-se que o presidente do IHRU disse esta quinta-feira não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os próprios avós dele emigraram “para poderem ter uma casa”.

A líder parlamentar do PCP considerou que as declarações de Benjamim Pereira “foram inaceitáveis e revelam um profundo desprezo pela situação dos jovens” e “insensibilidade relativamente àquilo que são as consequências das políticas que estão a ser seguidas pelo Governo”.

“O PCP vai requerer audição do presidente do IHRU na respetiva comissão porque, de facto, estas declarações exigem um confronto”, anunciou Paula Santos, considerando que o comunicado divulgado esta sexta-feira por Benjamim Pereira “não limpa a face”.

A deputada comunista diz que as palavras do dirigente são contrárias à Constituição e que a intervenção do IHRU tem ficado “muito aquém daquilo que é necessário para enfrentar o problema da habitação”.

Já a líder da bancada parlamentar do Livre falou em declarações “absolutamente inaceitáveis” e anunciou que o partido também pedirá a audição do presidente do IHRU no Parlamento.

“Nós precisamos, à frente das entidades que promovem as políticas de habitação, de pessoas que percebam o que é que está em causa, percebam o nível de sacrifício, percebam o nível de dificuldade com que jovens e não jovens se deparam com este problema em Portugal […]. Não é isso que vemos nem por parte do Governo nem por parte do presidente do IHRU“, afirmou Isabel Mendes Lopes.

Por seu lado, a porta-voz e deputada única do PAN considerou as palavras do presidente do IHRU “manifestamente infelizes”, solidarizando-se com os “jovens que em Portugal não conseguem sair de casa dos pais”.

Inês Sousa Real defende que “seria importante” perceber “o que é que o IHRU anda a fazer efetivamente” e que “será necessário” chamar Benjamim Pereira à Assembleia da República “para esclarecer não apenas as suas declarações, porque o mesmo já se veio retratar, mas acima de tudo o que é que o IHRU está a fazer para dar a resposta à crise habitacional que estamos a viver e pela qual, de forma legítima, os jovens se estão a manifestar".

Mas veemente foi a reação do Bloco de Esquerda, que insistiu no pedido de demissão do presidente do IHRU, acusando-o de não estar “nem tecnicamente nem politicamente apto para o cargo que ocupa”.

O deputado Fabian Figueiredo diz que Benjamin Pereira “está no cargo há dois anos e ainda não conseguiu pôr o apoio à renda a funcionar“, revelando “incompetência técnica”, e demonstrou, com as declarações desta quinta-feira, que está “completamente desfasado da realidade”.

O porta-voz bloquista teceu ainda elogios às ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, a criticar a intervenção de Benjamim Pereira, e sublinhou que o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, “foi o único português deste país que achou que as declarações do presidente do IHRU são aceitáveis”, salientando "o facto de Benjamim Pereira ser um boy do PSD Braga".

IL considera declarações infelizes

A IL considerou esta sexta-feira infelizes as declarações proferidas pelo presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), mas não pediu a sua demissão, alegando que as respostas aos problemas do setor não passam por esse ato.

Esta posição foi tomada pelo líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, em declarações aos jornalistas, no Parlamento, numa reação às afirmações feitas pelo presidente do IHRU, Benjamim Pereira.

Na quinta-feira, em Vila Nova de Gaia, Benjamim Pereira disse não saber "se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício" da anterior, argumentando que os seus próprios avós emigraram "para poderem ter uma casa".

Para o líder parlamentar da IL, essas declarações do presidente do IHRU “não foram felizes” e “o próprio já hoje o reconheceu”.

“A política serve precisamente para que as próximas gerações não tenham de fazer os sacrifícios dos nossos avós e dos nossos pais. Não quero que os meus filhos e que os filhos dos portugueses tenham de emigrar para amealhar dinheiro, para depois voltarem a Portugal e então conseguirem comprar uma casa”, salientou Mário Amorim Lopes.

Porém, para o presidente da bancada dos liberais, na atual conjuntura, “não se pode perder o foco do essencial” em relação ao setor da habitação.

“E, antecipando a pergunta se [o presidente do IHRU] deveria demitir-se, nós, na Iniciativa Liberal, não queremos cabeças a rolar, nós queremos gruas a funcionar. O problema do IHRU não é este presidente, vem de trás, vem de há muitos anos e nunca foi resolvido” contrapôs.

Mário Amorim Lopes apontou depois que há “bairros e habitações sociais completamente degradados que o IHRU não consegue manter”.

“Temos projetos de construção com dois, três, quatro e cinco anos à espera que o IHRU avance. O IHRU é um bom exemplo de um Estado que não funciona e que não é capaz de ajudar a resolver os problemas da habitação”, sustentou.

Ainda de acordo com o líder parlamentar da IL, Portugal tem “um Estado que possui dezenas de milhares de imóveis devolutos, que poderiam ser requalificados para que estarem no mercado com rendas acessíveis, com habitação acessível, a ajudar a resolver o problema, mas nada aconteceu”.

“Mais do que estarmos a apontar culpados importa começar a resolver esses problemas. E esse é o repto que lançamos e, infelizmente, não foi acolhido pelos restantes partidos no sentido de conversarmos sobre as matérias em relação às quais existe entendimento”, acrescentou.

Mário Amorim Lopes deixou ainda um conjunto de questões: “Alguém acha que os tempos de licenciamento são aceitáveis em Portugal, ou que a burocracia é aceitável em Portugal? Temos habitação pública suficiente para acomodar as necessidades que existem? Creio que não."

Na quinta-feira, o presidente do IHRU falou sobre as manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa. Questionado sobre se a geração atual está a ter menor sacrifício do que a geração anterior, Benjamim Pereira disse não querer ir "por esse caminho".

"Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida", prosseguiu.

Após pedir aos jornalistas para concluir o seu raciocínio, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram "porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje".

"É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas", afirmou.

Já esta sexta-feira, em comunicado, o presidente do IHRU admitiu que foram infelizes as expressões que utilizara na véspera sobre a capacidade de sacrifício dos jovens e alegou que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.

“Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor”, afirmou Benjamim Pereira.

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