Governo, oposição e estudantes juntam-se nas críticas ao presidente do IHRU
O Governo, pelo voz do ministro das Infraestruturas e da Habitação, criticou as recentes afirmações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). "Sou de uma geração que gosto pouco que me venham dizer no meu tempo é que era", disse Miguel Pinto Luz.
"Não me revejo nessas declarações", afirmou o ministro, esta quinta-feira à noite, no Jornal Nacional da TVI. Pinto Luz, que revelou ainda ter já pedido explicações ao IHRU, comentava assim as palavras do presidente do instituto, Benjamim Pereira, sobre a disponibilidade da atual sociedade em se sacrificar para ter uma casa.
As declarações de Benjamim Pereira à comunicação social na manhã de ontem levaram, poucas horas depois, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, a pedir a sua demissão. O BE requereu a audição urgente do presidente do IHRU no Parlamento e lembrou que a missão de Benjamim Pereira é “garantir a concretização, coordenação e monitorização da política nacional de habitação”.
"Já fomos todos jovens, não é? (...) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa", afirmou ontem, aos jornalistas, Benjamim Pereira.
Hoje, também a Federação Académica de Lisboa (FAL) também veio criticar as declarações de Benjamim Pereira. Em comunicado, assinado pelo presidente Pedro Neto Monteiro, a FAL apelida de "profundamente infelizes" as palavras do presidente da IHRU e rejeita "a normalização dos sacrifícios exigidos aos jovens para aceder à habitação".
"O debate sobre a crise habitacional deve centrar-se na responsabilidade de garantir condições efetivas de acesso a uma habitação condigna, em particular para os estudantes e jovens que procuram construir um projeto de vida autónomo", sublinha a FAL.
Para a FAL, os esforços das gerações anteriores "devem ser motivo de ambição coletiva para construir uma sociedade em que as gerações seguintes não tenham de enfrentar os mesmos obstáculos, e não um argumento para relativizar as dificuldades que hoje enfrentam os jovens".
No comunicado, realça ser "particularmente preocupante" que as declarações tenham sido feitas pelo presidente do IHRU, de quem os jovens "esperam respostas concretas para um problema estrutural, não uma abordagem que possa ser interpretada como uma transferência do ónus da crise para aqueles que mais diretamente a sentem".
Com Lusa
